sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Viver com simplicidade!


Estudar, trabalhar, passear, namorar, cuidar da família, ter a casa organizada, cuidar das contas, manter a aparência cuidada, divertir-se, ter responsabilidade...

Corremos, corremos e corremos! Aprendemos a buscar pelo sucesso sempre! Seja na vida profissional, seja na vida pessoal... Todos querem ser bem sucedidos!

Mas e tempo para correr atrás de tudo isso?

Vivemos na era do consuma isso, faça aquilo, não perca isso e arrume tempo para tudo! SE VIRE, MAS DÊ CONTA DE TUDO!!!

E muitas vezes, na ânsia de dar conta de tudo, perdemos o mais precioso de todas essas atividades... O contato consigo mesmo!

Afinal, de que adianta ganhar o mundo e todas as suas conquistas, chegar ao que chamamos “sucesso”, se para isso corremos o risco de nos perder de nós mesmos?

Esquecemos-nos de viver!! E muitas vezes, apenas fazemos coisas... Sem sentir!

Certa vez um cliente me disse que, mesmo tendo dinheiro para ir trabalhar de carro todos os dias, dois ou três dias da semana optava por ir para o trabalho a pé! E, diga-se de passagem, morava bem longe do trabalho. Quando o questionei sobre suas razões para isso, me disse que se não fizesse isso, perdia a oportunidade de olhar para tudo o que tinha na rua, incluindo as árvores em seu caminho, as pessoas que passavam por ali, e como as mudanças aconteciam de uma semana pra outra!

Quantos de nós fazemos isso? Isso me supreendeu na epoca em que me contou, da mesma forma que me emociona até hoje... Afinal de contas, um exemplo de alguem que vive a vida ao invés de correr com ela sempre nos faz parar e refletir...

Na verdade, aprendemos que o complicado é mais elaborado, mais interessante, e muito mais sofisticado!!! E aí, claro, aprendemos que o natural é complicar e, que para ser bom tudo tem que ser complicado!! Mas será mesmo que isso funciona?

Até quando?? Perdemos qualidade de vida vivendo assim!!

Quando vamos nos atentar para a graça de um passeio no parque, de um sorvete de casquinha num dia de verão com os filhos, de um momento para assistir televisão e não ter que pensar em nada??

Quando vamos nos lembrar que muitas vezes um simples telefonema ajuda a nos sentirmos especiais para alguém, e que apesar de ser uma delicia ganhar um super presente, o carinho é o mais rico de todas as surpresas e que nada supre?

A verdade é que só depende do valor que damos ao que fazemos, e assim, se dermos grande peso apenas ao que é grandioso, a chance de sofrermos fica imensa, pois conquistar coisas assim demanda tempo e energia... Quando alcançamos, nem sempre temos tempo e energia para curtir a conquista tão sonhada!!

Será que não dá pra simplificar pra sermos mais felizes???

domingo, 25 de setembro de 2011

E de novo cuidar...



Confesso que este tema tem me chamado muito a atenção... Na verdade, estou mentindo!! Este tema sempre me chamou muito a atenção... O que acontece é que no momento a solicitação para trabalhar este tema tem sido uma constante em minha vida, o que me faz me debruçar sobre ele com mais afinco.

Ministrar um curso, uma palestra ou apenas um diálogo sobre o cuidar de si é sempre uma proposta para repensar no cuidado que tenho comigo mesma. E já que esta constante se faz presente em minha vida, por que não dividir o tema e torná-lo mais amplo??

Aprendemos desde muito jovens que o cuidar é algo básico em questão de sobrevivência humana.

Cuidamos da higiene, cuidamos da alimentação, cuidamos da aparência, cuidamos das expressões faciais e verbais... Cuidamos da vida financeira, da vida social, da vida familiar... Lembramos de cuidar da vida cognitiva e da vida profissional... Cuidamos da casa e dos objetos que nos cercam!!

Cuidamos também das pessoas de nosso convívio e de todos que nos envolvem em algum tipo de responsabilidade. Mas cuidar dos que nos cercam nem sempre significa cuidar das relações!!!

Aprendemos a cuidar DE... De alguém ou da gente mesmo!! Mas acabamos nos esquecendo de cuidar do ENTRE!!

Vivemos na era da facilidade nas relações... ao menos a facilidade do contato: email, MSN, SMS, Skype, redes sociais, telefonemas entre tantas outras formas de contato que temos no acesso a tecnologia. No entanto, essas formas de contato distanciam no que diz respeito ao relacionar-se de fato. Não sabemos mais o que é a troca de olhar, o quanto os gestos falam, a delicadeza de um toque, o quanto nem um tipo de comunicação paga o preço de um abraço!!

Nos tornamos distantes, na busca de nos tornamos mais próximos...

Relações são feitas de coisas sutis e de coisas grandes. Momentos de estar junto e de trocar energias, problemas, alegrias, satisfações e insucessos!!

Aprendemos a sermos extremistas... Ou cuidamos do outro, ou cuidamos de nós de mesmos, ou queremos cuidar ou queremos ser cuidados!! Falta harmonia, falta aprendermos a transitar por estes dois mundo vivendo o cuidado com as relações.

Relacionamento no qual apenas um lado se beneficia não se mantém por muito tempo. Relação sem cuidado mútuo é apenas necessidade, e pode chegar a ruir com o passar dos anos. Precisa ser uma via de mão dupla... fazer e receber, receber e retribuir!!

Não estou querendo vincular o cuidado com a obrigação de troca... Mas quero sim levantar a reflexão para o quanto nos esquecemos de olhar para o que temos por perto. Ouvimos pais reclamarem da relação com os filhos, do quanto são desobedientes e difíceis no mundo de hoje, mas muitas vezes eles também esquecem de cultivar com seus filhos a importância do cuidado mútuo. Ora, só os pais devem cuidar dos filhos?? Filhos não devem ser ensinados na relação a cuidar dos pais??

Vemos professores reclamando do desrespeito dos alunos, mas também vemos os mesmos faltando com o respeito com seus alunos... Aqui também não cabe cuidado mutuo?

Temos relações de amizade esperando que as pessoas nos escutem quando precisamos, mas olhamos para o quanto estamos disponíveis quando precisam de nós??

Cuidar envolve gestos sutis. Mas que fazem toda a diferença em qualquer relacionamento.

Cuidar significa ZELO, ATENÇÃO, CARINHO, PREOCUPAÇÃO, AFETO, TOMAR CUIDADO, DIVIDIR DUVIDAS, COMPREENSÃO, PARTICIPAR... OFERECER PROTEÇÃO!

Cuidar significa acolhimento, e acima de tudo RESPEITO!!

Cuidar do entre não é diferente de tudo isso... Zelar e dar atenção ao que mantemos com o outro, acolher e compreender, sempre oferecendo um olhar de afeto e troca...

Será que assim as relações não ficariam mais fáceis?? Será que assim não aprenderíamos que cuidar sempre envolver algum tipo de troca e assim renovação??

Pense nisso... como está o seu cuidar do entre??

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Entre bruxas e princesas...

Em qual desses papéis nos encontramos??

Um pouco bruxas... Ou princesas... Talvez!

Em qual desses papéis nos sentimos mais confortáveis??

Princesas são dóceis e delicadas, comportadas e sempre muito educadas!! Sempre sabem como agir e como devem se portar... Nunca devem mentir, sempre devem dizer sim, e sempre agir com um sorriso nos lábios e muita simpatia!! A meiguice em forma de ser humano...

Bruxas são desalinhadas, grosseiras e diretas!! Não se preocupam em ser politicamente corretas e sempre dizem o que pensam... Seres desalinhados e que se arrumam apenas quando sentem vontade!! A palavra não surge com facilidade em seus lábios, sempre que, a seu ver, se fizer necessária...

Mas afinal em qual desses papeis queremos nos enquadrar?

Ser princesa é sonho de menina... Toda criança fantasia com seu castelo encantando, longos vestidos cor de rosa, muito mimo e glamour! Acho mesmo que nunca vi uma menina sonhando em ser a bruxa... Alias, conheço algumas que sofrem verdadeiro horror com a imagem das famosas bruxas.

Mas será mesmo que as bruxas são tão más, assustadoras e horripilantes assim?

Hum... Acho que na verdade, transitamos entre os dois mundos! Um momento de princesa, seguido de um momento meio bruxa.

Entendo que os contos de fadas tentam traduzir um pouco de nosso mundo interior. Assim, somos meninas comportadas e delicadas, mescladas com mocinhas malvadinhas que preferem olhar para suas próprias necessidades que satisfazer aos outros sempre.

Nem as bruxas são tão más assim, nem as princesas tão encantadoras. Princesas podem ser tediosas e assustadoramente perfeitas, e alias, quem agüentaria viver com tamanha perfeição, provando que ninguém ao seu redor jamais chegará perto de tamanho autocontrole? Viver com a perfeição pode custar muito caro!!

O estereotipo de princesa e bruxa usado pela historia infantil é na verdade uma bela tradução, em exagerada diga-se de passagem, de nossas sensações e vontades interiores!! Uma briga constante entre o bom e o mal, entre a vontade de ser boa e a vontade de fazer o bem só a si, entre a necessidade de obediência e rebeldia... Enfim, uma bela forma de nos mostrar que podemos transitar entre os dois pólos, sem termos que optar apenas por um papel!

Somos versáteis... Pessoas, profissionais, amigos, filhos, pais, educadores, empreendedores... Muitos papéis em um só ser humano. Então por que temos que ser tão limitados dentro de tantas regras de boa educação e convivência?? Por que não aprender a ousar e a mesclar sensações e atitudes??

Um pouco lá... Um pouco cá... Entre bruxas e princesas existem tantas possibilidades que só mesmo experimentando para saber!! Ouse, tente, faça... Liberte sua bruxa interior, com toda a delicadeza que uma bela princesa usaria...

domingo, 31 de julho de 2011

A vida, o tempo... E por que não a psicoterapia?

Uma belíssima frase, possível de nos encaminhar para diversas reflexões! Na verdade, este é o titulo de um belíssimo livro (A vida, o tempo e a psicoterapia – Jean Clark Juliano), e que sem duvida, pode nos ser emprestado para uma viagem dentro de si mesmo!

A vida é construída apenas por momentos, alguns deles bons outros ruins, às vezes estáveis ou completamente instáveis, por vezes afetuosos ou frios! Momentos... Apenas momentos!!

O tempo é o que nos faz correr... E na maioria das vezes, contra ele! Queremos viver mais do que o tempo nos permite, buscamos experimentar mais do que damos conta de organizar! Querermos aproveitar tudo que a vida nos oferece e estar com todas as pessoas que nos fazem bem ao mesmo tempo, e então o malvado tempo entra em campo e nos mostra que não somos capazes disso!!

Por outro lado, o tempo se torna nosso salvador quando nos amarguramos ou sentimos dor, quando vivemos momentos em que a tristeza parece ser infinita. Algumas dores da alma, alguns momentos experimentados e alguns sentimentos vividos só mesmo o tempo acalenta!

Viver contra o tempo ou aprender a administrar-lo para se viver melhor?

Um desafio de gigantes... Aprender a não lutar contra, utilizá-lo sempre a favor!

Vemos as crianças buscarem tanto pela juventude para que possam realizar as coisas que os pais não
permitem devido à idade, e vemos os jovens ansiarem tanto pela vida madura por não precisarem mais dar satisfação a ninguém. Em contraponto vemos os adultos sofrerem tanto de saudade da meninice e da juventude, do tempo em que suas vidas eram governadas pela diversão e pelos conflitos adolescentes...

Viver é inevitavelmente lidar com a passagem do tempo, e com as modificações que este nos impõe. Sem a passagem do tempo não mudamos, sem mudanças tudo se estagna e estagnados não vivemos plenamente!

A rotina é intensa, os compromissos e afazeres gigantescos e tudo isso envolve muita dedicação! Vejo as pessoas reclamarem que não tem mais o mesmo tempo de antes, que tudo passa muito depressa e que quase não é possível aproveitar os momentos que temos.

Por outro lado, vejo essas mesmas pessoas reclamarem de tédio e de incomodo quando possuem tempo para fazer nada. É como se não soubéssemos mais fazer nada!! Como se tivéssemos a obrigação constante de estarmos sempre ocupados e sendo úteis. Mas úteis a que afinal?

Viver bem vivido não significa ser útil o tempo todo, não nos obriga a alta produtividade. E quem determinou que ter tempo livre não pode ser produtivo? Quem determinou que apenas quando estamos sérios e focados somos valiosos?

Quando estamos em terapia aprendemos que o silencio e o momento do “fazer nada” pode ser o momento
em que de fato as coisas acontecem. Ao menos é assim no mundo das emoções!

Quando se faz silencio fora, o barulho de dentro se faz presente, e é ai, que a vida passa a ter muito sentido!!
Então é assim... O tempo determina o que vivemos, a vida nos faz amadurecer e experimentar, e a terapia...

Bem, a terapia só mesmo optando por experimentá-la para descobrir qual a ligação com o tempo e com a vida!!

O que sei de verdade é que se pudéssemos olhar para tudo que construímos em cada momento de vida, agradeceríamos o tempo que temos em mãos e ousaríamos mais! Descobrir-se é um ato de coragem, e sem duvida a vida pode passar muito mais rápido se não olharmos para isso!!

domingo, 12 de junho de 2011

Educar ou ser educado?

Adultos...

Pessoas crescidas, desenvolvidas, amadurecidas, vividas!

Pessoas que já viveram o suficiente para identificar o melhor e o pior para si, o certo e o errado em cada circunstância, o bom e o mal entre os momentos que vivemos, o que queremos e o que descartamos de nossas vidas!

Discernimento e elaboração... Boa capacidade de escolhas e de acertos dentro das opções que temos! Aptidão para “bancar-se” sozinho, sendo então considerada uma pessoa auto- suficiente, independente e pronta para oferecer mais do que receber!

Assim nos descrevemos enquanto adultos, ou ainda, esperamos que fosse exatamente essa a visão e os atributos que temos de nós e dos outros seres crescidos que nos rodeiam!

Mas será que todos esses quesitos estão sempre contidos na vida adulta? Nunca fazemos escolhas erradas, nunca agimos por impulso, jamais precisamos de conselhos ou de nos abrir para novos aprendizados??

Por outro lado, temos as crianças... Ah!! CRIANÇAS!!!

Criaturas doces e inocentes, que usam mais a percepção e a sensação do que a razão, que entendem satisfação como as pequenas coisas da vida!

Impulsivos, ansiosos e cheios de energia!! Capazes de dizer o que sentem e que percebem com a mais singela forma de expressão, sem restrições, sem medo!

Então crianças são seres em processo de aprendizado, enquanto adultos, são pessoas já desenvolvidas?
Que me perdoem os que concordam com isso, mas pra mim a resposta é NÃO!!

Conviver com uma criança é aprender a tornar tudo mais leve. É descobrir que assistir ao mesmo desenho várias e várias vezes pode sim ser interessante se aprendermos a olhar com outros olhos.

É aprender a achar graça no que é simples e a se divertir até com um tombo!! É aprender a se adaptar a tudo a o todo momento, sem tanto apego, sem tanta dor...

Crianças são leves, e conviver com eles é tornar a vida menos dura, sem tanta preocupação com o que os outros estão pensando de nós!! É se permitir dançar quando a musica é boa, de um jeito descontraído e leve, é aprender que chorar de soluçar pode descarregar toda a tristeza do coração e que logo depois disso estamos prontos para gargalhar de novo!!

Com eles aprendemos que se estamos chateados com alguém, essa tristeza pode ir embora rapidamente depois de um pedido de desculpas e um abraço... Sem ressentimentos, sem dores guardadas!

Podemos mesmo aprender com eles, que temos o que ensinar, mas que somos presenteados todos os dias com essa relação com tudo que podemos aprender!! E o melhor de tudo, podemos aprender a sermos melhores, a amarmos mais, a dividirmos sem peso, e a rir de todo o aprendizado que acumulamos!!

Enfim, é nitidamente uma troca... Mas em minha visão, o educador acaba sendo emocionalmente educado!!!

domingo, 22 de maio de 2011

Ate onde vamos nos calar??

Gostaria de deixar registrado minha indignação!!! Qual é o sentido de termos convenio e acesso aos hospitais da cidade de Jundiai se, quando precisamos destes serviços somos mal atendidos e tratados como lixos??? Pois bem, minha filha sofreu um tombo e por conta disso bateu com muita força a cabeça no chão... Corri ao hospital Santa Elisa logo que os acessos de vomitos se iniciaram e de cara fui informada que não havia medico pediatra de plantão (isto porque é um pronto socorro mas também maternidade)! Me encaminhei para o hospital Paulo Sacramento e a situação neste local era caótica: muita gente esperando para dar entrada nas fichas, muitas crianças esperando atendimento, mães nervosas por estarem esperando há muito tempo, outras mães esperando internação há mais de seis horas por conta da falta de leito!! Enfim, muitos doentes e o pior, poucos médicos atendendo e a informação de que faltavam dois médicos no plantão!! Resumindo a situação, fui atendida rapidamente pela medica por conta da gravidade do quadro, mas tivemos que esperar duas horas para a realização do primeiro exame, mais duas horas para a médica dar a devolutiva deste exame e mais uma hora para a primeira medicação!!! Descaso total, falta de educação e muita gente precisando de ajuda mas sendo tratadas como mal educadas, como se não tivessem motivos suficientes para estarem nervosas!!
Tirei minha filha do hospital sem permissão médica, pois acho um absurdo uma criança que sofreu um trauma tão forte na cabeça esperar por 5 horas de atendimento, como se esse fosse o procedimento padrão e normal!! Um ponto importante é que este período de 5 horas de espera não ocorreu de maneira passiva, pois de tempos em tempos me dirigia até o posto de enfermagem para buscar informações!
Com todas as queixas de dores e com acessos de vomitos por todos os corredores do hospital, ainda assim a criança foi colocada como um quadrão padrão, e ainda fui olhada pela médica como se fosse uma mãe relapsa porque minha filha encontrava-se desidratada!!!
Compartilho aqui minha frustraçao e preocupação com o momento que vivemos!!!! Afinal, esta é a minha historia, mas tenho certeza que todos que utilizem serviço de saúde possuem algum fato recentemente vivenciado como este para dividir!!!
Que tal colocarmos a boca no trombone?????

domingo, 15 de maio de 2011

Futuros adultos???

Olhamos para as crianças de hoje como os profissionais de amanhã, como sucessores de todo o conhecimento que estamos nos esforçando para adquirir e assim propagar.

Encaramos as crianças que temos com a possibilidade de continuação do desenvolvimento humano! Afinal, são elas que efetivamente carregarão todas as possibilidades de continuidade, de seguimento das funções humanas, das relações, do crescimento...

Enxergamos crianças capazes de evoluir e, aliás, como estas evoluções vêm se mostrando cada vez mais rápidas e surpreendentes, já que hoje não é raro ouvirmos dizer que as crianças da atualidade já nascem praticamente sabendo!

Bem, este olhar faz parte da busca concreta que temos de melhoria, da continuidade da vida! Apostamos nesta continuidade e talvez até mesmo por isso que buscamos investir na educação e no aprendizado de nossas jovens crianças, seja ele escolar, moral ou afetivo.

Enfim, com todo este empenho em passar o que sabemos será que estamos de fato olhando para nossas crianças como crianças??

Temo que não! Em muitos momentos entendemos nossos pequenos apenas como os FUTUROS ADULTOS de nossa humanidade, seres que precisam aprender e crescer para se tornarem melhores e mais sabidos!

Deixamos de olhar para estes seres de forma perfeita e acabada como de fato o são! Não são apenas os prospectos do que é bom para o amanhã, mas são no dia de hoje seres que se adaptam e que buscam dar o melhor de si, da melhor forma que são capazes no que vivenciam.

Talvez seja justamente esta visão de adultos em formação que nos faz preconizar e acelerar cada dia mais os pontos de desenvolvimento, sejam eles psicológicos ou cognitivos.

Não são de maneira alguma, seres mais simples ou incompleto que os adultos! SÃO TOTAIS em seu momento de ser criança, e cumprem com os papeis dignos da idade e das funções que estão aptos a desempenhar.

É preciso pensar que enquanto olhamos as crianças como adultos inacabados, deixamos de aprender com sua inocência, com a ternura e espontaneidade que nos mostram a todo o momento de convivência.

Por menores que sejam, crianças sãos seres ágeis e plásticos, capazes de se adaptarem mais facilmente que os adultos, cujos comportamentos já se encontram mais cristalizados e inflexíveis.

Não cabe a nós justificarmos que adultos são seres totais e crianças seres incompletos, ou ainda que crianças são seres superiores e absolutos sobre os demais. Cabe sim a nós refletirmos o quanto cada fase de vida é única e total, nos acrescentando na medida em que nos dispomos a isso experiências de vida incomparáveis e momentos preciosos!

Quero assim acreditar que venhamos a ter um olhar para os pequenos de admiração, e assim sermos capazes de aprender com ele tanto quanto os ensinamos! Quisera ainda que tudo o que ensinamos e adquirimos para a chamada vida mais madura, venha de fato sem pressões, sem precocidade, sem regras tão determinadas, deixando assim a possibilidade de ampliar nossas relações... CRIANÇA APRENDENDO COM ADULTO, QUE SE PERMITE APRENDER COM CRIANÇA!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Workshop: Cuidados com o cuidador... Estrutura emocional de quem acolhe!!


Trabalhar com o ser humano envolve sempre oferecer um pouco de si, mostrar um pouco de si... É um cuidado constante, mas infelizmente nos esquecemos de cuidar de nós mesmos!! Passamos facilmente a olhar mais para as necessidades alheias do que para as proprias.

Fica aqui um convite de resgate para o olhar para si mesmo, e cuidar de si mesmo!

Público alvo: PESSOAS!! Profissionais da saúde, professores, gestores de pessoas, ou qualquer outro ser humano que se sinta precisando aprender a valorizar o cuidado consigo mesmo. Afinal, vivemos a todo momento compartilhando...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Corpo... Companheiro ou vilão?

Somos dotados de corpo!! Isso é indiscutível...

Um corpo de suporte e que dá sustentação, um corpo que possibilita movimentos, um corpo que transmite sensações e as manifesta em forma de expressões, um corpo que usamos e desfrutamos!

Esbelto, trabalhado, cuidado com primor... Desleixado, abandonado, mal tratado...

Diversas formas de se tratar um mesmo corpo. Podemos cuidar e nos sentirmos satisfeitos com o que possuímos, podemos abandonar e deixar que a natureza siga seu rumo! Podemos nos fixar a ele com a intenção de que seja um modelo de perfeição, podemos ainda apenas mantê-lo vivo e funcionando, o suficiente para a sobrevivência!!

Um mesmo corpo, muitas formas de relacionar-se com ele!

Nos dias atuais, percebo que vivemos a era dos extremos: ou cuidamos demais de tudo ou abandonamos tudo demais! E claro que isso serve também para o relacionamento que mantemos com o próprio corpo.

Vemos pessoas que valorizam apenas o que possuem fisicamente e que elevam seus padrões a tais pontos, mantendo o nível de satisfação absurdamente inatingível. Também vemos pessoas que acreditam que ter apenas inteligência a oferecer é o suficiente e assim, passam apenas a sobreviver fisicamente falando, mas sem cuidado algum com o “bem” que possuem.

Vemos o mundo enaltecendo e expondo os belos corpos tidos como os ideais para a humanidade atual, e ao mesmo tempo notamos que esses belo corpos não são suficientemente bons para garantir a felicidade de quem os possui.

Também passamos por um momento no qual descobre-se que o olhar de dentro e o olhar de fora são ambíguos, pois, de que nos adianta o mundo dizer que temos belos, poderosos e sedutores corpos, se temos o auge das distorções com a própria imagem, levando até mesmo a sérios transtornos emocionais?

Temos corpos poderosos, capazes de camuflar tantas fraquezas emocionais quantas somos capazes de vivenciar! Corpos tão bem vestidos de armaduras que escondem em seu interior pessoas simples e sensíveis como qualquer outra...

Enfim... Parece que passamos a viver ou em função do corpo que possuímos ou fingindo que para nada nos serve!

Onde será que mora o equilíbrio? O que fez com que a humanidade perdesse o bom senso e encontrar-se em tão alto grau de extremidade?

Um corpo não é capaz de suprir toda e qualquer necessidade de desenvolvimento do ser humano, assim como um raciocínio fenomenal não suprimi a necessidade de se sentir bem no relacionamento com o espelho!!

Quisera viver numa era onde entendemos o corpo como um “bem precioso” que temos, e que nos possibilita o desenvolvimento de muitas coisas, como a auto- estima, mas ainda assim entendendo que esse é apenas um dos pontos importantes de nossa vida! Quisera aprender a buscar o equilíbrio entre o belo e o feio, o saber e a ignorância, o olhar do outro e o próprio...

Quisera entender o corpo como um companheiro, um parceiro ao invés do vilão capaz de jogar tudo ao vento...

terça-feira, 8 de março de 2011

Ser mulher...

Poetas para dizer o que isso significa não faltaram até o presente momento... Alguns dizem que é usar de sensibilidade, outros dizem que é desfrutar de sua possível ligação com Deus, há ainda os que falam dos dons do cuidado com o outro!

Parece mesmo ser um mistério nas mãos de tantos poetas... Mas com toda a delicadeza que podem, sem duvida alguma nos tocam com tamanha dedicação na busca de uma bela definição!

Definir o que é ser mulher é lidar com variações a todo instante, pois além de mulheres, somos amigas, companheiras, profissionais, líderes, filhas, irmãs, colegas... Enfim, seres humanos cheios de papéis a desempenhar e de mudanças a viver!!

Força e dedicação, misturada a doçura e delicadeza! Sensibilidade a flor da pele, mesclada a garra e determinação!!

Ser mulher é lidar em muitos momentos com a necessidade de abdicar de seus desejos por alguém importante em nossas vidas. É lidar com uma gangorra de emoções que nos acometem a todo instante quando falamos das pessoas que amamos.

É aprender a adaptar-se a novas realidades e de maneira bem rápida para sofrer o mínimo possível. Acho mesmo que a frase “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima” descreve bem essa situação...

Ser mulher é ter o dom de ser mãe até de suas amigas, namorados, maridos ou mães, oferecendo colo, ouvido e um cafuné sempre que a dor de barriga bater ou qualquer outra necessidade de colo que possa surgir. Não é preciso ter um filho gerado em seu ventre para aprender a ser mãe, basta nascer mulher...

Ser mulher é ter a habilidade de rir e de chorar no mesmo dia, ambos com uma intensidade gigantesca. Aliás, rir e chorar ao mesmo tempo não é algo tão sobrenatural assim não é?!

Ser mulher é descobrir-se capaz de realizar coisas que te agradem, mesmo que te digam que essa tarefa é do mundo dos homens, e mesmo assim, sentir-se feminina e delicada.

Ser mulher é trabalhar mesmo quando estamos em crise, com dor ou com grandes preocupações pessoais, e ainda assim, oferecer o melhor de si para aquilo que está fazendo.

É ter o dom de se olhar no espelho e se sentir acabada e esgotada, mas mesmo assim encontrar com alguém que te diga que nunca pareceu tão bem. É também ser capaz de sermos muitas e representarmos diversos papéis durante um longo período, e ainda assim preservar uma única maneira de ser, sem perder a essência.

Mulher ideal?? Talvez seja aquela que com um sorriso consiga cativar a quem precisa, que com um olhar diga o que todos precisam entender e que não precise ser rude para mostrar a que veio.

Mulher ideal é que a busca unir todos os seus papéis com doçura, mesmo que para isso precise ser impositiva, que consiga usar de flexibilidade mesmo quando está determinada a atingir seu objetivo e que ainda assim coloque gestos de delicadeza quando está séria e determinada a ser levada a sério.

Ser mulher é lidar com uma guerreira que reside em nosso interior, e que mesmo baleada e cansada, ainda é capaz de lutar e de mudar o rumo de sua vida.

Um dia internacional não nos torna mais mulheres ou mais valorizadas por esta data, afinal, somos mulheres em todos os demais dias do ano. Porém esta data nos traz à tona a lembrança do quanto temos a oferecer, do quanto podemos sentir e do quanto viver e compartilhar é o sentido de tudo que somos!

Feliz dia internacional da mulher para todas as guerreiras que por aqui passam... E que os homens que por aqui estiverem, saibam valorizar as mulheres com as quais convivem, e dizer isso a elas!!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Quem não se comunica se “estrumbica”!!

Essa frase revela algo real em nós seres humanos!! Somos aptos a nos comunicarmos, a nos expressarmos de diversas maneiras diferentes! Não vivemos sem a comunicação, seja ela de qual natureza for!

Com palavras, com gestos, com o olhar, com o silêncio... De qualquer maneira, basta usar a criatividade e meios para a expressão não nos faltam!

Desde muito cedo aprendemos que a fala é a o principal meio que temos para mostrar o que pensamos, o que sentimos, o que vemos e o que sonhamos. As palavras passam então a ser as fortes aliadas no que diz respeito à comunicação!

No entanto, em se tratando do ser humano somos também aptos a desenvolver complexidade até mesmo no que deveria ser simples, e assim o mesmo que facilita é capaz de complicar! Da mesma forma que utilizamos as palavras para dizer o que queremos também as utilizamos para confundir quem está ao nosso redor!

Grande parte dos problemas nos relacionamentos surgem por dificuldades na comunicação ou mesmo por falta desta. Casais se separam por conta disso, amigos se desentendem desta forma, colegas de trabalho se estranham por não conseguirem se comunicar.

Por vezes acreditamos que somos claros e nossas atitudes, e que nossas expressão é capaz de dizer tudo que queremos, desejamos e sentimos! Ledo engano... O outro não tem a obrigação de adivinhar o que nos vai ao coração apenas pela expressão facial! É preciso estar disposto a falar, a explicar e claro, também expressar corporalmente se quisermos mesmo ser entendidos!

Buscamos interpretar o que entendemos por comunicação não verbal vindo do outro, e aqui mora uma série de complicações! Definitivamente não somos bons de interpretação, pois para isso nos utilizamos de nossas próprias experiências e sentimentos para interpretar o outro, ou seja, interpretamos o outro apenas com nossos olhos e não com os olhos de quem agiu!

Costumo dizer que, se fossemos mesmo bons de interpretação, não teríamos tantas religiões, as quais cada uma nos mostra sua visão e crenças baseadas em um mesmo livro!

Falamos o que queremos e o que não queremos, mas nem sempre somos leais ao que vai ao coração! Por isso falar significa comunicar, mas não necessariamente uma comunicação eficiente.

O que queremos de fato passar com a comunicação? Queremos nos mostrar ou nos esconder? Desejamos falar ou esperamos que o outro adivinhe? Repensar a comunicação que mantemos, é uma boa forma de rever relacionamentos, trazendo a consciência onde acertamos e onde precisamos aprimorar! No entanto, também é um exercício que requer paciência e disposição para mudar... Depende de cada um!

Fica então o desafio... SERÁ QUE VOCÊ SABE SE COMUNICAR? Comece comigo, e exerça aqui sua comunicação!! Boa sorte

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Loucura???

Fazer coisas que o os outros desaprovam, ser diferente, agir com mais com o coração que com a razão, ser determinado, ousar, arriscar... Sonhar, divagar, fantasiar...

Sinais de loucura? Talvez... Quem pode dizer ao certo se são sinais de loucura garantidos ou se são apenas maneiras de um mesmo ser agir e se renovar?

Buscamos por padrões, por métodos seguros, por resultados garantidos! E claro que pra padronizar, tudo que foge a regra é errado... Tudo que foge a regra é loucura!!

Aprendemos a reprimir o que é louco ou diferente, e aprendemos isso depois de adultos, pois enquanto crianças, quanto maior a loucura, mais satisfatório é o resultado! A criança orgulha-se de ter a loucura por perto, e quando encontra um adulto assim, sente-se um ser realizado! É o que ajuda a desenvolver a criatividade, o lado brincalhão, a espontaneidade que tanto admiramos nesses pequeninos...

A loucura a que me refiro não é aquela que atesta a sanidade ou insanidade mental, a manter com louvor o bom funcionamento das capacidades mentais, mas sim as atitudes que tomamos e ao modo como agimos. Atitudes essas que são sempre passiveis de julgamento e condenação: LOUCURA TOTAL!!

E aqui me atormenta uma pergunta: Quem realmente é capaz de determinar o que é loucura e o que vale a pena?

Pois se há a facilidade em julgarmos e determinados o que é loucura perante nossos olhos morais, também há a facilidade em sonharmos! E talvez, esses sejam os maiores responsáveis por agirmos assim...

Agir de maneira que o mundo desaprove pode ser apenas uma questão de ponto de referência, do meio ao qual estamos inseridos e do que esperamos uns dos outros!

Quem nunca olhou alguém com olhos julgadores, com condenação, com a convicção de que aquilo que vemos é loucura? E por outro lado, quem nunca se sentiu olhado e analisado assim?

Se nos permitíssemos ousar mais, arriscar mais, seguir mais o que o coração nos pede, talvez a loucura deixasse de ser um problema e passasse a ser a solução de muitas dores da alma!

Reprimimos o que temos de mais espontâneo em nós mesmos! Crescemos e nos tornamos pessoas padronizadas, bons seguidores de regras e de comportamentos estereotipados!

Quer loucura maior que o uso de uniformes?? Quer algo mais repressor e reprovador que uniforme no ambiente de trabalho?

Quando crianças, entendemos que na escola é importante usar uniforme para que sejamos identificados como pertencentes a um grupo, é uma forma de proteção inclusive. E quando adultos??? Continuamos precisando desse cuidado, ou tememos as diferenças?

Há quem diga que os uniformes servem para que as pessoas não ousem em demasia no ambiente de trabalho e com isso não vulgarizem o local. No entanto, sou mais adepta da idéia de que se somos capazes de vulgarizar, é porque de alguma maneira temos pouco tempo e oportunidades para sermos nós mesmos, e quando o somos, nos soltamos além do que precisamos!

Loucura mesmo é pré determinarmos o andamento da vida, é acreditarmos que somos capazes de cuidar de tudo que possa nos acontecer sem riscos, sem mudanças ao longo do caminho, sem sermos pegos de surpresa com imprevistos e situações com as quais não damos conta de lidar!

Loucura mesmo é escolhermos o caminho que nossos filhos devem trilhar para serem felizes, é determinarmos padrões de comportamentos que tolhem a liberdade, a individualidade e a forma de expressão desde que entramos na escola (e olha que isso hoje acontece cada vez mais cedo!)!

Loucura mesmo é sermos obrigados a escolher o que fazer o resto da vida apenas com 17 anos e ter a obrigação de acertar de primeira!

Loucura mesmo é impor que não há a possibilidade de mudar de idéia no meio do caminho, de restringir as escolhas que fazemos sempre ao padrão já realizado! Louco é quem aceita ser engessado pelo pré- estabelecido, e segue sua vida sem mudanças nunca...

Louco pra mim, é quem não pense no que vive, apenas segue seu caminho padrão, suas “escolhas” pré-determinadas, sua vida rotineira, sem nunca se questionar de fato se é isso que espera de si!

Louco é não sentir, ou obrigar-se a não sentir porque alguém disse que isso é loucura! É viver a vida do outro, como o outro, do jeito que o outro determinou por achar que assim é mais seguro...

Loucura mesmo é acreditar que loucura é coisa ruim... Todos temos um pouco de loucos, e talvez seja exatamente isso que nos torna especiais, cada um do seu jeito, e sem padrões normais!!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Pensar enlouquece...

Ouvi dizer que pensar enlouquece!! Aliás, ouço isso de pessoas que buscam por si mesmas quase todos os dias, e que, apesar de entenderem que pensar é o único caminho que as levará ao que procuram, ainda assim acreditam que PENSAR ENLOUQUECE!

Normal!! O caminho do pensamento nos leva por devaneios e mais devaneios. Por vezes nos perdemos mais ainda, nos encontramos e voltamos a nos perder! Tudo isso para nos acharmos novamente. Parece mesmo que pensar enlouquece...

Um processo contínuo de encontros e perdas, mas que nunca volta ao mesmo ponto. Afinal, o que perdemos em nós está em constante transformação, e por isso, o que encontramos já não se trata mais da mesma coisa que deixamos esquecido.

Acho que a associação com a loucura talvez venha do fato de ser um processo sem fim, de nem sempre ser algo esclarecedor e carecer de diversos devaneios para que cheguemos a algum ponto (isso quando chegamos)! Mas ainda assim, pensar é o que nos mantém realizando, nos mantém em busca constante do novo para a renovação e da elaboração do velho para reencontrar a graça e o brilho no que já foi bom!

Talvez então, o correto não seja dizer que pensar enlouquece, mas sim entender que pensar esgota! E como esgota...

É o tipo de cansaço mais pesado que somos capazes de sentir. Pois o cansaço físico se cura com cama e uma boa noite de sono, já o cansaço mental e emocional, precisa de muito carinho em si mesmo para que ele se apazigúe.

Mas enfim, se pensar é o fator determinante para o enlouquecimento, o que dizer então do sentir? Será um forte aliado no caminho da loucura, ou ainda é o que nos mantém sãos?

Pensamos no que sentimos, no que podemos sentir, no que gostaríamos de sentir... Pensamos também no que não sentimos, no que não somos capazes de sentir e no que gostaríamos de não sentir nunca!!

Uma boa mistura de fatores propícios ao enlouquecimento: pensar e pensar no que se sente!
Não... Pensar e sentir não leva a loucura! Pensar e sentir nos leva ao que temos de bom, nos leva a experimentarmos, nos leva a arriscarmos e a agir diante do que nos dá prazer. Também nos leva a prudência, ao amadurecimento, a responsabilidade de nossas atitudes e dos sentimentos que oferecemos ao mundo!

Pensar e sentir nos levam a sermos cada dia mais humanos... Aprimorando-nos, nos fortalecendo, nos construindo e reconstruindo!!

Viver sem pensar é como refeição sem sobremesa, como praia sem mar, como namoro sem abraço! Viver sem sentir é como trabalhar por obrigação, namorar por protocolos da sociedade, como engravidar só pra ter o filho, mas sem se dar conta do que foi preciso pra que isso acontecesse.

Viver implica constantemente em auto-analise... Auto-analise implica constantemente em pensar e sentir algo com isso!

Enfim... processos indissolúveis que só quem está vivendo é capaz de passar!

Já pra quem continua acreditando que pensar enlouquece, que pena... Infelizmente vão levar mais tempo pra descobrir qual pode ser a graça disso tudo e talvez até desperdiçar um tempo precioso de satisfação! Mas um dia todo mundo chega lá...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Momentos humanos, e não mágicos!!

Expectativas, ansiedade, lutas e conquistas de sonhos! Momentos cultivados e cuidados com carinho!!

Em cada ocasião que vivemos e nos envolvemos, novas sensações são descobertas!
Sorrisos, lágrimas, pernas bambas, frio na barriga, angustia e ansiedade... Momentos capazes de despertar uma ampla gama de sensações, que carregam consigo sentimentos diversos!

Quando sonhamos, imaginamos que as coisas sairão exatamente da forma mágica como buscamos! Esperamos pela realização, pela magia, pela satisfação! Em momento algum costumamos nos preparar para a frustração, para a perda do controle para receber a satisfação de maneira diferente da forma como esperávamos!

Queremos de verdade o controle que o sonho nos proporciona! E que utopia... Sonho é sonho, realidade é realidade, e muitas vezes, acredite se quiser, mas a realidade pode ser muito melhor que o sonho, mesmo com as dificuldades, só que desde que estejamos dispostos a encará-la de frente!

Mesmo as coisas boas, mesmos os momentos de realização, são capazes de carregar consigo momentos de dificuldades, de algum nível de dor. Isso é vida real!

Ora, mas afinal, será mesmo que um momento que se mostra feliz e que foi esperado é capaz de ser recebido em desacordo com o estado emocional ao qual nos encontramos?

Claro que sim! Passamos por diversos momentos nos quais planejamos e no final de tudo, o sonho não trouxe a realização que esperávamos.

A depressão pós- parto pode ser uma prova clara de que nem tudo que é bonito, gostoso, e planejado tem que obrigatoriamente desencadear apenas momentos de alegria e emoção!

O bebê está ali, lindo, forte, cheiroso, trazendo afeto para toda a família e mostrando o quanto a vida pode valer à pena! Mas a mãe pode se encontrar em estado de desacordo com tudo isso...

Em ocasiões como essa não é difícil ouvirmos julgamentos e criticas acerca de como essa mãe deve agir, envolvendo inclusive o quão absurdo pode ser sentir tudo isso já que “ser mãe é o momento mais belo da vida de uma mulher”!

No entanto, só quem passa por isso sabe ao certo o que vive!! Longe de qualquer julgamento, qualquer momento “mágico” de nossas vidas possui um forte teor de realidade, de cotidiano, de situações que a magia não acalma e que a realidade por vezes complica.

Ser mãe realmente é algo mágico e delicioso, mas como toda magia, o encantamento não dura o tempo todo e os problemas aparecem! O choro do bebê cansa, amamentar é uma delicia mas esgota e o cuidado consigo mesma passa a ser deixado de lado.

É preciso força para reconhecer o quanto podemos lutar contra todas essas sensações e o quanto somos capazes de sentir amor e ódio, cansaço e alegria, esgotamento e tristeza seguido novamente de alegria e risos!

Permitir-se todas essas sensações não depende do quanto queremos ou não ter filhos! E é preciso separar definitivamente uma situação da outra: depressão pós parto nada tem haver com rejeição do filho!

É apenas um momento tumultuado de vida, que com a devida cautela e com o tratamento por vezes necessário tudo volta ao seu lugar e curtir então esse momento torna-se ainda mais delicioso!

Depressão pós parto não determina quem vai ser boa mãe ou quem será uma péssima figura materna. Já sabemos e admitimos que bebês não nascem com manuais de instrução, resta agora admitirmos que mães também não nascem de um dia pro outro!!

Olhando para essas questões, quem sabe não somos capazes de humanizarmos mais os afetos, sem cobrar que sejam de determinadas maneiras? Sentir é apenas sentir...