sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Começo e fim... fim e recomeço!

Tudo que se inicia chega ao fim... Tudo que nos dispomos a começar, temos que ter ciencia da finitude que chegará. Afinal, somos seres finitos...

Por mais que gostemos de algumas coisas, ainda assim elas precisam chegar ao fim. Rir é uma delicia, mas ninguem aguenta rir sem parar, pois os próprios musculos pedem socorro para tal perturbação.

Aquela música que toca dentro da alma é uma delicia de ouvir, mas se ela não chegasse nunca ao fim, traria consigo o tédio e a acomodação.

Uma linda história de amor, narrada em um livro é uma delícia de se ler... Mas sem um fim, mesmo que seja um final feliz ou uma possibilidade de continuar sendo reescrita, também leva a saturação, pois seria utopia demais acreditar que em nossa vida real, uma historia de amor não chegaria ao fim.

As fases da vida chegam ao fim, a infância, a adolescencia e até a vida adulta chegam ao fim! Por melhores que sejam cada um desses momentos e dessas etapas, elas inevitavelmente chegam ao fim.

As expectativas terminam, os projetos se realizam e mudamos para novos projetos mas mesmo os que não se realizam chegam ao fim por nos encontrarmos saturados daqueles objetivos.

É o começo que invariavelmente carrega consigo a previsão de um fim... Um fim, que carrega consigo a possibilidade de novos recomeços e de novas descobertas!!!!

O recomeço... Que delicia de palavra!!

Carrega embutida a possibilidade de renovação, de transformação, de criar algo novo que possa ser repleto de satisfação! Recomeço é a possibilidade de se auto analisar e assim reciclar, trocar o velho pelo novo quando o velho já está ultrapassado em nós, ou entender que algumas coisas velhas em nós, fazem parte da essencia e nos ajudam a ser quem somos!

Assim é o ano novo... Um data como outra qualquer, mas que nos remete a reflexão do que fomos, do que fizemos, do que construimos no ano em que se encerra, bem como o que queremos ser, o que queremos fazer e o que queremos construir no ano que vai se iniciar.

É a possibilidade de recriar-se, de apaixonar-se novamente pelas mesmas coisas ou procurar por novas paixões!

Que o ano que se encerra tenha deixado um grande aprendizado, de sermos mais humanos, de nos conhecermos melhor, de nos cuidarmos com mais amor... que o ano que se inicia traga consigo apenas possibilidades...

Pois que venham as possibilidades... apenas possibilidades!!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Viver e transformar-se...

Viver é estar em constantes e intensas transformações!

Tudo que possui vida se transforma, se reorganiza, cria novas estruturas e se adapta a elas.

Assim é com as plantas, que carregam já enquanto sementes toda a potencialidade em se transformar em árvore, flor, arbusto...

Assim é com os animais, que dentro das particularidades de cada espécie, seja tendo o desenvolvimento inicial através do ovo ou da gestação, de ovo a filhote, de filhote a animal adulto, desenvolvendo-se e aprendendo a lidar com esse novo ser que se cria.

Assim é com o ser humano! De células a feto, de feto a bebê, e eis que surge o nascimento e o inicio da vida fora do útero materno!

Transformações, transformações e mais transformações... Uma das únicas e certas coisas de se viver!!

Seguindo todas as etapas, ou às vezes apenas passando por elas rapidamente, o fato é que já iniciamos a vida nos transformando, criando nossas peculiaridades em cada uma dessas etapas que experimentamos.

Mudamos de corpo, mudamos de prioridades, mudamos de valores, de cidade, de trabalho, de motivação, de amigos e até de vontades! Vamos vivendo e com o tempo tudo se transforma em nossas vidas!

Em cada fase que vivenciamos somos capazes de sentir, de aprender, de experimentar, de receber e de oferecer um pouco do que somos e do que já acumulamos como formas de vida.

E que bom que somos tão capazes de nos transformarmos... Sinal de que somos capazes de nos adaptar a mudanças e a encarar novos desafios ao longo da vida! Que monótono seria se nascêssemos e morrêssemos exatamente da mesma forma, sem alterações de personalidade, de preferências, de convívio! Sem crescimento algum, sem amadurecimento, sem renovações!! Algo estagnado... a mesmice!!

Talvez seja por isso que as borboletas sejam tão encantadoras... Simbolizam as transformações que vivemos de uma forma singela e natural... Como diz Rubens Alves: “Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses”!
Que venham então as metamorfoses para que todas as larvas que residem em nós, possam se transformar em coloridas borboletas!

Inicialmente somos puros e nossos desejos são facilmente saciados! Assim são as crianças, inocentes, simples, desejosas apenas de afeto e de suas necessidades fisiológicas saciadas.

Já na entrada da adolescência nossos desejos passam a nos dominar e a exigir saciedade. Passamos então pela fase de buscas constantes, da insatisfação com o que se alcança e com o que se deseja, com as inconstâncias no estado emocional. Uma mudança e tanto comparada com aquela criança que simplesmente sentia-se feliz! Um ser desejoso, mas que nem sequer sabe do que...

Já temos por teoria acreditar que a vida adulta é mais constante e estabilizada, e inclusive cobramos isso das pessoas com as quais convivemos! Mas por que esperar que os adultos sejam estáticos e constantes?

Isso é uma tentativa de nos enquadramos o tempo todo em padrões já definidos... Em realidades que nem sempre satisfazem! É acreditar que mais do mesmo é o suficiente para sermos felizes!

Mas afinal, por que não ousar? Por que não arriscar e encarar essas transformações de frente entendendo que não somos submetidos a elas ao acaso?

Tudo o que se transforma se renova e gera a possibilidade de novas experiências... Então que assim seja... Que sejamos sempre capazes de renovar, de recriar, de inventar, e junto com tudo isso, de nos adaptar a inevitável inconstância de viver e de sentir!!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

“O essencial é invisível aos olhos”!

Assim disse Saint Exupéry, no livro O pequeno príncipe. Uma linda e doce história de um pequeno menino que decide sair de seu pequeno planeta e descobrir o que o mundo de fora é capaz de lhe mostrar e lhe proporcionar, um mundo bem diferente do seu próprio mundo, um mundo de homens que, para sua surpresa, mais agem do que sentem!

O essencial é invisível aos olhos!! De fato, parece que não estamos preparados para sentir... E isso torna mesmo a vida superficial e com isso, o que importa fica sempre invisível aos olhos!

Olhamos com olhos práticos e concretos, e às vezes fazemos isso até com nossos próprios sentimentos! Buscamos a concretude de tudo aquilo que é sensorial, associando o que experimentamos com o que acreditamos ser correto ou incorreto, bom ou mau...

Enquanto vivemos na infância, somos capazes de estar num mundo mágico de fantasias. Fantasias essas que são capazes de nos ajudar a crescer e a entender tudo aquilo que é concreto e até complexo. Magia e pureza... Vivemos então em momentos nos quais o que menos importa é a concretude e formalização das coisas!

Acredito que essas fantasias possam vir da capacidade mais acentuada de olhar e enxergar muito mais com a alma do que com os olhos. E não é apenas pelo olhar da inocência, mas sim pela disponibilidade de olhar de verdade!

Essa disposição traz consigo a facilidade de sentir e de se entregar ao que se sente! Talvez por isso que a espontaneidade da criança seja algo que nos encanta com tanta facilidade...

Mas como todas as outras fases que vivenciamos e assim como tudo o que é bom, essas fantasias precisam chegar ao fim, precisam ir e dar espaço para uma vida mais realista e enfim, concreta. Afinal, apenas fantasiar, não nos ajuda muito a estar no mundo dos adultos, cheio de responsabilidades, cobranças e seriedades!

Enfim, saímos da magia para a seriedade do dia a dia, e infelizmente nossos olhos passam a enxergar apenas aquilo que se mostra como fato... Perdemos a sensibilidade de olhar o que a alma é capaz de nos mostrar, ou ao menos deixamos de dar vazão a essa sensibilidade!

Atemos-nos a olhar o mundo de forma realista... E quem sabe, realista até demais! O risco que corremos com toda essa cachoeira de realidade, é perder a capacidade de sonhar, de acreditar, de imaginar e talvez até de se entregar a tudo isso.

E será que não podemos arriscar a dizer que de fato foi isso que o pequeno príncipe veio nos ensinar? A continuar a viver sim num mundo de regras, responsabilidades e deveres, mas também a se permitir sonhar no meio do cumprimento de tantos protocolos! A amadurecer sim com as experiências que acumulamos, mas também a lembrarmos que sentir em quaisquer dessas circunstancias não custa nada!!

Quem dera então manter o ar de criança, das fantasias que nos levam a sonhar e a desejar, a inocência de apenas querer ser feliz, e claro a sensibilidade para não se perder o que de fato é invisível aos olhos!! APENAS O ESSENCIAL!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Em busca da perfeição ou vivendo a imperfeição?

Buscamos e almejamos tantas coisas que julgamos importantes! Entre elas, não é incomum notarmos o quanto se procura pelo príncipe ou princesa encantada, pelo trabalho ideal, por uma família harmônica, por adquirir todo o conhecimento da moda, por manter os comportamentos que se esperam de nós... Enfim, por sermos, termos e mostrarmos sempre o melhor, o completo o totalmente perfeito!

Quando pergunto a meus clientes o que esperam alcançar, as respostas UMA VIDA ESTRUTURADA, e ESTABILIDADE aparecem com certa freqüência. Mas afinal, qual é o significado dessa resposta? O que vem a ser uma vida estruturada? E estabilidade, o quanto precisamos e almejamos mesmo isso?

Uma vida estruturada parece-me com algo perfeito mesmo! Com a busca de algo que nunca se abale e que não se desequilibre nunca, que sempre esteja da maneira como planejamos e como acreditamos ser o melhor.

Vejo a estabilidade como uma balança, daquelas utilizadas a anos atrás para se saber o peso dos alimentos que eram vendidos. Nela, só havia equilíbrio quando havia a mesma quantidade de coisas dos dois lados da balança, e se um deles diminuísse ou aumentasse, desestruturava toda a balança. Assim é a estabilidade, constante, repetitiva, sem qualquer resquício de mudança para não alterar o “peso” das coisas.

Talvez isso seja uma boa definição de perfeição, acrescentando ainda a possibilidade de nunca fracassar, de sempre manter o controle de tudo, de ser impecável em todos os comportamentos e claro, sentimentos que sejam pertinentes a tudo isso.

A única pergunta que ainda me resta... Será que estamos falando de seres humanos? Sim, pois para atingir tais padrões de perfeição não podemos estar falando de pessoas que sentem, que se relacionam, que se dedicam ao que fazem. Estamos possivelmente colocando padrões alcançáveis por máquinas humanas, que nunca olham pra si mesmo e para suas reais necessidades.

Pessoas oscilam, gostam e desgostam, sonham, fantasiam, amam e se entregam a tudo aquilo que acreditam que valha a pena! Pessoas também se decepcionam, se frustram, desistem dos sonhos, optam pela razão deixando de lado o coração, acreditam em si mesmos mas também são capazes de desacreditar!

Ou seja, pessoas não são perfeitas! Mas dentro de toda essa imperfeição, somos capazes de desenvolver coisas tão maravilhosas, que mesmo diante de toda a imperfeição que nos comete, conseguimos realizar e acreditar, sonhar e mudar de sonhos, amar e nos deixarmos sermos amados, estabelecer relações e acima de tudo, fazer com que tudo isso acabe por dar certo no final!

Talvez então a graça de sermos “gente” seja entender que buscar por padrões de perfeição, por ordem e sucesso em tudo que almejamos, seja uma forma de nos afastarmos de toda a essência que possuímos!

Sentir mais e explicar menos!! Um bom caminho para viver a perfeição mesmo diante de tamanha imperfeição!