quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Feitos de que??

De que material somos feitos?

De carne e ossos? Músculos, artérias e veias? Órgãos e sangue... Tem que ter algo mais!
Somos feitos de que afinal?

Sentimentos e sensações? Do amor entre duas pessoas ou da obrigação de dar continuidade a vida e a novas gerações? Da criação que recebemos ou da genética que carregamos e passamos para frente?

Dos valores morais e culturais impostos por tudo o que aprendemos, pelo meio que em que estamos inseridos, por todas as regras sociais que nos obrigamos a seguir e a nos punir quando não seguimos a risca?

Oras, mas do que é que somos feitos?

Somos feitos de um material renovável e potente, que agüenta todas as sobrecargas que insistimos em jogar sobre nossos corpos! Um material que suporta grande parte das dificuldades físicas, às vezes até mesmo sem reclamar.

Somo feitos de mudanças e flexibilidade para tal, aprendendo sempre a reciclar o que não nos serve mais e a renovar aquilo que pode nos trazer novas energias.

Somos feitos de sentimentos belos e divinos, que comovem e trazem magia para a vida e para as situações vividas, mas também somos feitos de sentimentos feios e medíocres que insistimos em sentir e que apesar da feiúra, nos lembram que somos humanos e falíveis!

Somos feitos do que aprendemos a demonstrar, a falar, a oferecer ao mundo. No entanto, também somos feitos do que aprendemos a guardar, a reprimir a esconder até do espelho!

Somos feitos de fala e de silêncio... Assim como aprendemos a falar, mas também a calar!

Somos feitos do amor entre duas pessoas, da troca e do prazer que isso é capaz de nos proporcionar! Assim como somos feitos do ódio, da necessidade e da expressão dos impulsos!

Somos feitos do ânimo e da motivação para realizar. E claro, somos feitos do desanimo e da desmotivação que nos ajuda a refletir para renovar ou que pode nos travar e paralisar.

Pensamentos!! Somos feitos de pensamentos, fantasias e planos! Pensamentos que nos ajudam ser ou mesmo não ser, que nos ajudam a experimentar do que podemos ser feitos.

Somos feitos de medo... Medo de errar e sofrer, medo de arriscar, medo de acertar! Medo de amar e de não ser correspondido, medo de se entregar e se arrepender! Às vezes somos feitos do medo de viver... Mas também somos feitos de coragem e ímpeto para arriscar, de impulsos que nos levam a tentar e a superar o que o medo pode travar.

Somos feitos de um monte de erros, que cometemos muitas vezes na tentativa do acerto, mas que cometemos também porque temos a necessidade de corresponder ao que sentimos. Por outro lado somos feitos de um monte de acertos, de construções bem edificadas, de vitorias e de momentos satisfatórios!

Somos feitos de trabalho e do que ele pode contribuir com nosso desenvolvimento! Somos feitos da preguiça e vontade de não fazer nada, bem como da energia e da empolgação para realizar!

Somos feitos de modestos sorrisos, risadas e gargalhadas! Desde aquelas que começam timidamente, até as que nos tomam por completo e contaminam toda a alma com uma alegria súbita. Mas também somos feitos das lágrimas que deixamos cair e de todas aquelas que reprimimos, mesmo com todo o coração tomado por elas.

Somos feitos dos momentos que experimentamos e de um pouquinho de todas as pessoas que de alguma forma passaram por nossas vidas! Também somos feitos da soma de tudo que construímos com tudo aquilo que ainda sonhamos construir...

Somos feitos de gente... E provavelmente, esse seja o único material necessário para descrever do que afinal somos feitos!!

sábado, 13 de novembro de 2010

Acima de tudo, "gente"!

Filhos, pais, amigos! Profissionais, colegas de trabalho, estudantes... Papéis que desempenhamos e que nos ajudam a montar quem de fato somos, com todas as características de nossa personalidade e que determinam e influenciam no nosso jeito de ser com o outro.

Diante de todos esses “personagens”, nos acostumamos a esperar por determinadas posturas dos outros, e até mesmo a nos cobrar disso, como se cada tivesse pré determinado a maneira padrão de agir.

Nos acostumamos, inclusive, a criar padrões prontos para a forma como reagimos ao que nos cerca!

Padrões demais, expectativas demais, regras demais... E onde entra o permitir-se ser apenas gente? Sem todos os papéis e personagens, sem padrão, sem buscar corresponder as expectativas próprias ou alheias?

Pois bem! Estamos tão acostumados a sermos os filhos de alguém, às vezes pais de alguém, amigos de algumas pessoas, funcionários ou lideres de outras tantas, alunos e professores eternos mesmo que seja apenas da vida, que infelizmente a lembrança de que há gente por trás disso tudo acaba passando desapercebido.

É normal ouvirmos o quanto se cria expectativas diante das posições profissionais, tais como: médicos são insensíveis e por isso não sentem ou psicólogo sabe lidar tão bem com a dor que nunca se abala...

Enfim, “coisificamos” as pessoas e as definimos apenas por padrões que nós mesmos criamos em nossas mentes, ou pela atividade profissional que desempenham!

Cada um é único e especial em sua individualidade e diante disso, esperar universalidade de sentimentos e comportamentos é uma tentativa de nos reduzirmos a robôs!

“Médicos não sentem”! Será mesmo? Ou talvez apenas precise aprender a não colocar seus sentimentos acima da objetividade quando tratam das doenças que temos? Será que se, se permitissem se sensibilizar o tempo todo conseguiriam dar conta de proporcionar tratamentos às vezes até mais dolorosos que os próprios sintomas que apresentamos?

“Psicólogo não sofre”! Então também não sente, não vive, não passa por desilusões ou relações que fracassam? Ou ainda acreditamos que lidar com a dor do outro nos torna mestres em lidar com nossas próprias dores?

De todas as formas possíveis, criamos utopias para os papéis que desenrolamos, e com isso também aumentamos a chance de nos frustrarmos na relação com o outro. Afinal, somos acima de tudo gente, independente de profissional, status social, faixa etária ou parentesco!

Gente que ama e se decepciona com o próprio amor, que possui desejos e sonhos, gente que perde e gente que ganha! Gente que se envolve com os próprios sentimentos e que as vezes nem sequer dá conta de lidar com eles! Gente que precisa de gente... Mas acima de tudo e de qualquer coisa, APENAS GENTE!!!