domingo, 24 de outubro de 2010

Mudar... Mas pra que mesmo?

Mudamos de roupa todos os dias, de rotina, de alimentação!! Mudamos de caminhos, de companhias de sonhos e até mesmo de ilusões... Mudamos a visão que temos de nós mesmos, a visão que temos dos outros e a visão que temos do mundo! Mudamos de objetivos e nos adaptamos a todas essas mudanças... Ou não! Mas mesmo não adaptados, as mudanças continuam...

Mudar faz parte de todas as fases da vida, e estamos sempre nesse processo... Mesmo sem termos clareza dele!

Em alguns momentos pedimos a vida que nos traga mudanças, em outros pedimos que as mudanças cessem e que a calmaria se perpetue... No entanto, mudar é da natureza humana.

Bem, mas se é um processo natural e irrevogável, por que falar sobre as mudanças?

Há um ponto muito problemático quando nos referimos a mudanças e que por muitas vezes nem sequer nos damos conta... Temos a forte tendência a enxergar e apontar para a necessidade de mudança no outro, incluindo todos os motivos pelos quais as mudanças são necessárias. Mas e em nós mesmos??

Por que é mais fácil entender a necessidade urgente de mudança no outro para que ele seja feliz, para que se relacione melhor inclusive conosco, para progredir na vida, mas nem sempre temos a facilidade de olhar para o que precisamos modificar em nós?

Talvez a grande dificuldade disso tudo seja entender que mudar tem que ser por si mesmo, e apenas por si mesmo! Mudar para que o outro me ame mais só trará novas formas de frustrações e novos desafios emocionais que nem sempre são compensados pelas relações que as motivaram!

Mudar pelo outro só nos afasta cada vez mais da realidade do que somos, do que queremos, do que fazemos com nossas emoções!

Ok... Mudar apenas por si mesmo é um primeiro passo para entender como se cuidar. Mas e por que os outros não mudam quando nos é tão claro a necessidade que isso ocorra?

Oras, convenhamos... Se eu não devo mudar pelo outro, mas sim apenas e exclusivamente por mim mesma, por que é que o outro deve mudar por mim, para satisfazer minhas necessidades egocêntricas?

Não deve!! Apesar de exigirmos isso das pessoas e acreditarmos que somos capazes de promover essas tais mudanças, ninguém muda a não ser que seja por si mesmo!

Olhar para si mesmo como agente provedor de mudanças alheias nada mais é que buscar cuidar mais do outro que de si mesmo, causando ainda mais “buracos” na relação consigo próprio. É duvidar da capacidade alheia para decidir e escolher o que pode ser melhor.

Além disso, seria prepotência demais entendermos que podemos cuidar ou saber o que outras pessoas precisam mais do que elas podem saber.

A vida é feita de escolhas constantes, e uma delas é o momento em que queremos procurar por mudanças ou nos acomdar no que já estamos adaptados.

Nas dificuldades de relacionamentos, temos a tendência a acreditar que os conflitos surgem porque o companheiro ou companheira precisa mudar alguns comportamentos para que tudo fique bem. E na maioria das vezes, nem nos damos conta que queremos essas mudanças apenas pelo controle da relação, e não para de fato agregar mais prazer no relacionamento.

Assim é com filhos, com pais, com amigos, com colegas de trabalho, com companheiros de vida... Mudar o outro sempre em função de satisfazer a si mesmo!

Como já foi dito aqui, as mudanças são mesmo inevitáveis... Elas acontecem porque as procuramos, ou às vezes simplesmente porque nos atropelam.

Mas se conseguirmos entender que mudar a si já é um grande passo e que querer que o outro mude nada mais é do que fuga de suas próprias questões, talvez assim nos relacionemos de maneira mais leve, curtindo quem está a nosso lado como realmente ele se mostra, sem ser uma extensão de nossas emoções ou sem ser a realização de nossos desejos mais mimados!

Então é isso... Se for pra mudar, que seja apenas por si mesmo!!! Senão, mudar pra que??

2 comentários:

  1. Paty acho que estamos em um processo de contante mudança... e mudar é sempre muito bom pq sempre podemos melhorar nossa concepção de entendimento da vida e assim viver melhor conosco e com os outros... as mudanças não são todas fáceis, mas necessárias e inevitáveis, por isso devemos sempre focar na melhor maneira para que elas ocorram e sigam seu fluxo de maneira suave...

    Um beijo

    Cris

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  2. Olá,
    Então, achei muito interessante o assunto. Há muito tempo giro em torno de mudanças e pra mim tem sido uma questão ligada ao caminhar, ou no sentido filosófico de "caminhando se faz o caminho". As mudanças realmente devem ser por si mesmo, como a gente caminha consigo mesmo, claro que muitas vezes dividindo a estrada,porém paralelamente, e não carregando o outro ou mesmo sendo carregado, mas passo a passo é cada um realizando seu caminhar. Pra mim isso é libertador.
    Beijos
    Raquel

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