sábado, 25 de setembro de 2010

Encontrar-se consigo mesmo...

Parece mais fácil para a maioria das pessoas encontrar e entender os defeitos, as dificuldades e os pontos fracos dos outros do que os seus próprios!

Isso pode trazer a impressão de que o outro seja transparente aos nossos olhos, simples, livre de qualquer tipo de complexidade! Essa é a magia de olhar para o outro...

Nesse momento nos tornamos craques em desenrolar os problemas alheios, com uma facilidade assustadora de identificar onde as falhas aparecem e o quanto o outro tem a capacidade de aumentar e dramatizar o tamanho do que sente!

Que fácil não é?? Que simples ser o outro e viver o problema do outro!

Mas na pratica, onde isso nos leva? Provavelmente a lugar nenhum...

Se conseguirmos olhar pro lado e entender que todos os problemas alheios podem ser solucionados, é porque não nos envolvemos emocionalmente com eles, olhamos com a razão, nos isentando totalmente de sentimento para buscar caminhos.

Olhamos com os olhos de juízes, que analisam, julgam, condenam e emitem a sentença ou a absolvição para todos os momentos de crise.

Olhamos com olhos de quem desafia as emoções, de quem acredita que por mais doloroso que algo possa ser, há sempre que se enfrentar!

E aqui entra a grande diferença do olhar voltado para o outro e do sentir-se a si mesmo... Pois enquanto olhamos com olhos julgadores e olhos da razão, sentimos como seres humanos capazes de se sensibilizar e de se comover com a própria dor. Sentimos com compreensão!

Olhar para a própria dor requer respeito a si mesmo, requer avaliar-se constantemente, tendo sempre a noção do que damos conta, do que estamos dispostos a encarar!

Em determinados momentos da vida, é fácil se perder de si, pois os problemas e os conflitos que acumulamos colaboram para o desenvolvimento de armaduras tão resistentes, e que ilusoriamente nos ajudam a enfrentar as dores e os grandes desafios. Mas apenas ilusoriamente!! Os problemas apenas se escondem por de trás de tamanha resistência!

Driblamos os olhares alheios quanto ao tamanho de nossas dores, mas infelizmente também usamos armaduras e máscaras conosco! Acabamos até sem perceber, nos afastando do que de fato somos, de nossos desejos, de nossos sonhos...

Encontrar-se na verdade é um processo de resgate! De redescobrir aquilo que em algum momento já soou como natural e transparente, mas que deixamos se perder no tempo, em meio a conflitos e dores.

É o permitir-se descobrir novos e velhos gostos, o que de fato dá prazer, o que agrada e o que queremos para nossas vidas!

Encontrar-se envolve aceitação incondicional e isso torna esse processo um pouco mais doloroso. Afinal, descobrir-se feliz, encontrar o que dá prazer, o que nos faz sentir alegria e quais as pessoas que nos agradam pode ser um processo delicioso e indolor. No entanto, descobrir-se também envolve lembrar que temos sentimentos tidos como “feios”, que sentimos raiva, ciúmes e inveja até quando os negamos a nós mesmos, que não gostamos de todas as pessoas de nosso convívio e que ser contrariado é mesmo algo perturbador e irritante.

Encontrar-se é estar disposto a aceitar todas as coisas boas que vem à tona, mas também aprender a lidar com os conflitos e com o lado negativo que pode nos assombrar às vezes!

É estar disposto a entender que mau humor não é algo que acontece só com o chefe e que ainda assim podemos continuar sendo pessoas legais mesmo nesses dias! É entender que da somos tão capazes de sermos amados como somos capazes de despertar ódio, na mesma pessoa, em momentos diferentes.

Encontrar-se consigo mesmo não precisa ser algo revestido de medo e de assombros... Mas para isso precisamos nos lembrar constantemente que somos “gente”, que temos o direito de sentir a mais ampla gama de sentimentos, de errar e de acertar, de nos perder e ainda assim nos encontramos de novo!

Não acredito que possa haver nada dentro de nós mesmos que seja tão ruim a ponto de não darmos conta de encarar!! E pra piorar, as fantasias do que somos, o que sentimos e o que somos capazes podem ser de fato bem piores que a realidade!

Assim, só resta experimentar... Esse encontro pode levar a experiências saborosas e a entender que dá pra ser mais feliz, dá pra levar a vida de forma bem mais leve sem armaduras, máscaras e esconderijos!

Cabe a cada um descobrir o momento de marcar esse encontro, pois de alguma forma, por mais que tentemos fugir, esse encontro sempre acontece!!

2 comentários:

  1. Deixar de encontrar consigo mesmo pode ser uma fuga, um modo de justificar o porque não não encaramos o que de fato gostamos e queremos.

    Há também aquele medo do julgamento, já que encontrar consigo mesmo implica muitas vezes em mostrar às pessoas coisas que elas não conheciam, e a partir do momento que conhecem, essas coisas estarão à mercê do julgamento.

    Normalmente temos medo de ser julgados, e esse medo, muitas vezes inibe esse encontro.

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  2. Adorei o post me ajudou muito.
    Muito obrigada !

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