sábado, 7 de agosto de 2010

Diagnósticos

Nomes, explicações, sintomas catalogados e detalhados para um entendimento do que se possa sentir.

Parece que o mundo vive em função das explicações lógicas e da capacidade de oferecermos possíveis nomes a tudo que possamos ter, sentir, experimentar.

Há tempos atrás, o que nos levava a uma consulta médica ou a procurar uma ajuda especialidade dentro da área da saúde era apenas o mal estar e a sensação de não estar controlando o próprio corpo, com dores, com incômodos, com sintomas, independente do nome que isso pudesse carregar. As pessoas chegavam ao médico, ao psicólogo, ao fisioterapeuta, ao dentista ou a qualquer outro profissional com a esperança que eles oferecessem uma solução ao que as acometia.

Mudança radical de comportamento!

Hoje as pessoas se apegam aos nomes e não as sensações, aos remédios e não aos tratamentos. É como se os diagnósticos ganhassem uma importância intensamente maior que a própria dor em si ou que o ser humano que o detém.

Talvez isso seja um indicio de que precisamos tomar cuidado com os conhecimentos que adquirimos para que não se torne prejudicial ao ser humano, pois quanto mais se toma conhecimento das possíveis doenças, mais se utiliza disso no dia a dia, apossando-se dos rótulos.

Rótulos sim! Noto que as doenças hoje transformaram-se em rótulos, em formas de classificarmos as pessoas. Uma vez com depressão, toda vez que aquela pessoa for vista chorando ou tristes, carregará consigo novamente a marca de que está doente.

Buscamos explicar demais situações vividas pelos outros, como se todas as pessoas que passassem por uma perda afetiva tivessem que entrar em depressão, ou todas as pessoas que passam pelo período de preparação ao vestibular tivesses transtornos de ansiedade e todas as crianças que ganham um irmãozinho obrigatoriamente desenvolvessem um ciúmes assustador e talvez até patológico.

Da mesma forma que justificamos os momentos vividos pelas pessoas ao nosso redor, também julgamos em alguns momentos como se o outro tivesse uma vida boa demais para estar com aquele rotulo. Já ouvi diversas vezes as pessoas dizerem que não entendem porque alguém teve depressão, já que tinha tudo na vida, e uma vida muito boa.

Claro que o nome pode e é importante para nortear o tratamento, mas essa importância não deve ser maior que a necessidade de olhar para o ser humano como um todo.

Se nem todo mundo que saboreia um sorvete se vê resfriado, se nem todo mundo que tem contato com alguém com catapora contrai a doença, por que temos que buscar essa explicação de causa e efeito para as dores emocionais?

Se ao invés de nos apegarmos aos possíveis nomes para o que sentimos, nos apegássemos à possibilidade de cuidar de nós mesmos com mais carinho, passaríamos a ter pessoas com a possibilidade de diagnósticos, e não diagnósticos que andam, falam e se comunicam!

Utilizar-se dos nomes para entender mais de si mesmo é uma forma saudável de aproveitar os nomes que recebemos, mas sem apego a patologias. Quando ouço alguém dizendo “minha depressão”, “minha síndrome do pânico”, “minhas crises de ansiedade”, “minha enxaqueca”, “minha gastrite”, em geral me preocupo com o quanto as pessoas estão dispostas a se livrar do que possuem, pois o pronome MEU, carrega consigo peso e vínculo.

Acho que se for para tomar posse de alguma coisa, que seja para o bem estar, para a saúde, para a descoberta de si mesmo com qualidade de vida. Ouvir alguém dizer MINHA VIDA SAUDÁVEL, soa muito melhor e combina muito mais com o que somos capazes de buscar e de manter em nossas vidas.

Assim, que os diagnósticos possam ser apenas a ponte para os tratamentos, para a melhoria de vida. E que carreguem consigo a idéia do momentâneo, da circunstancia vivida, mas superada, sem vincular com a necessidade de recidivas, pois se afirmamos o tempo todo que cada momento de vida é único, por que acreditar que os diagnósticos são eternos?

2 comentários:

  1. Paty, se as pessoas entendessem que o que mais as limitam são elas mesmas descobririam o quão libertadora a vida pode ser e quanta felicidade cabe dentro do nosso coração.Mesmo se enfrentamos um problema, seja de ordem física ou emocional, não podemos nos deixar envolver por rótulos ou por justificativas inúteis que nos polpa o que a vida tem de melhor... que possamos todos encarar a vida de maneira mais leve e mais próspera...com paz, amor e muita saúde...

    Bjs

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  2. Infelizmente, me parece que as pessoas carregam seus problemas como se fosse uma carta na manga, pronta para ser utilizada para justificar porque determinadas coisas não deram certo ou são impossíveis de se realizar na vida.

    Realmente é difícil ouvir alguém se apropriar das coisas boas que acontecem em suas vidas, preferindo dar ênfase ao que há de problemas.

    Nos protegemos e ficamos receosos ao receber um elogio, mas nos sentimos a vontade para dizer sobre uma doença, uma angústia que vivemos.

    Acredito que haja pessoas que se culpam por acreditar que sua vida é feliz.

    Outro problema que vejo atualmente é que as pessoas chegam ao médico, ao psicólogo ou à qualquer outro profissional que possa lhes fornecer tratamento, já com o diagnóstico pronto, porque pesquisaram no grande livro do saber chamado internet.

    Buscam o profissional apenas para que este confirme aquilo que já "sabem".

    E esse falso saber fecha muitas portas para a solução efetiva dos problemas.

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