sábado, 28 de agosto de 2010

"Dar conta..."

Vivemos no mundo onde todos precisam “dar conta” de tudo o tempo todo. Somos cobrados por isso e quando isso não acontece pelo mundo externo, acontece pelo mundo interno.

Cobramos-nos de dar conta de trabalhar, estudar, cuidar das obrigações domésticas, de filhos quando os temos, de manter as contas pagas em dia, e se possível ainda manter um bom relacionamento afetivo.

Mas não para por aqui! Também nos cobramos de dar conta de todas as cobranças que aparecerem no caminho!

Ou seja... São coisas demais para dar conta e tempo de menos para investir em uma estrutura que funcione pra tudo isso. Cobranças excessivas, nossas e do mundo todo, e pequenos retornos para todo esse empenho!

É mais facil administrar as dores alheias, aceitar que damos conta de conviver com a tristeza de quem nos rodeia e até mesmo de ajudar a mudar esse quadro, do que lidar com a propria tristeza, com os proprios conflitos...

Até mesmo com sentimentos bons... Pode ser mais facil dar conta de produzir felicidade nos outros do que produzir momentos de realização para si mesmo!

O mais sério disso tudo, é que investimos para dar conta de tudo que o mundo nos pede, de todas as responsabilidades sociais e profissionais que a sociedade estabelece como adequadas. Esforçamos-nos para dar conta de manter as pessoas ao nosso redor vivendo bem, sendo apoio e suporte nos momentos em que assim o desejarem. Dedicamo-nos para sermos sempre corretos e assim agirmos sempre dando conta de tudo aquilo que esperam de nós! Investimos tempo e dedicação para dar conta das expectativas alheias e ajudar a concretizar sonhos e metas. Enfim, buscamos dar conta de tudo que o mundo nos impõe...

Só que infelizmente o mundo não exige de nós que demos conta de nossos próprios sentimentos!

Deixamo-nos em segundo plano e ainda com a certeza de que é assim que se deve viver. Afinal, ouvimos que fazendo pelo outro, sendo bom para alguém, de certo a recompensa um dia virá!! É a sociedade do fazer o bem, sem olhar a quem...

Não nos acostumamos a olhar para isso e quando o fazemos pode surgir à sensação de egoísmo. Afinal, com tantas coisas sérias e até impactantes para todos, como nos atrevemos a tentar dar conta de coisas que só pertencem a uma única pessoa??

Desculpem-me os que acreditam que dar conta do outro seja mais importante que dar conta de si mesmo... Mas eu discordo veementemente!

Ninguém é capaz de dar aquilo que não tem... Se não formos capazes de dar conta de nossas questões, tão pouco seremos capazes de dar conta das alheias!!

Mas e por onde começar a dar conta?? Afinal, se estamos tão acostumados a tomar conhecimento das dores e dificuldades alheias, com freqüência nem sequer notamos as nossas...

Começar por aceitar a idéia de se olhar mais, se cuidar mais, se preocupar mais com tudo aquilo que queremos dar conta e que habita em nós mesmos, de certo já oferecerá muito material para ótimas reflexões e elaborações! A partir daí, cada um que determine e escolha como dar conta de si mesmo...

Claro que não acredito que o ser humano pode ser olhado com generalizações... e nem eu quero colocar dessa forma. Assim, também há quem se sinta capaz de dar conta apenas de si e nunca de suportar o que vem do outro...

Não vejo diferença na forma de lidar com isso... Apenas caminhar na direção contrária, aprendendo a dar conta de si mesmo, sem se abandonar, mas aprendendo simultaneamente a conviver com o suporte ao outro.

Equilíbrio!! Que venha com toda a força e que possa gerar relações cada vez mais saudáveis, seja consigo mesmo, seja com as pessoas ao nosso redor!!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Se pudesse viver minha vida novamente...

Tantas experiências vividas, tantos momentos guardados, sentimentos experimentados, pessoas que marcam... A cada instante vivido estamos construindo uma história, e a mais importante de todas as que já puderam ser escritas: A NOSSA HISTÓRIA!

Mas, e se pudesse viver essa vida novamente? O que faria com essa possibilidade?

Talvez a primeira reação ao se pensar nesse questionamento seja o de reescrever alguns pontos dessa história que incomodaram, que doem quando os retomamos na memória, que deixaram algumas feridas nem sempre cicatrizadas. Ou ainda modificaríamos alguns momentos nos quais cometemos falhas e erros, nos quais possamos ter machucado alguém ao nosso redor ou mesmo a nós mesmos...

E quanto às decisões? Voltaríamos atrás das decisões tomadas, ou manteríamos as mesmas convicções e idéias?

E quanto aos relacionamentos vividos? Será que pode haver arrependimento pelos envolvimentos que mantivemos, ou será que o arrependimento é por não ter experimentado todas as relações que poderíamos?

Enfim... “Se eu pudesse viver minha vida novamente”!!!

Fica evidente o quanto pode haver muitos pontos aos quais gostaríamos de uma segunda chance para modificá-los se o tempo voltasse. Mas e os momentos que apenas nos daria prazer revivê-los de tão bom que foram?

E quanto às decisões que nos colocaram em pontos satisfatórios na vida, ou diante de pessoas que nos são importantes? E as relações que vivemos que são gratificantes e que agregaram momentos de felicidade e com eles boas recordações?

E quanto às pessoas que nos ensinaram e nos ajudaram a crescer e a construir grande parte do que somos hoje? O quanto nos pode ser precioso reviver esses momentos e reencontrar com essas lembranças tão significativas na construção de cada uma de nossas peculiaridades?

Temos a tendência a dar mais valor ao que não deu certo ou ao que deixou fortes marcas doloridas em nossas vidas, do que a dar valor ao que nos foi produtivo e proporcionou felicidade!

Pensar sobre SE EU PUDESSE VIVER MINHA VIDA NOVAMENTE, pode ser uma boa forma de envolver-se consigo mesmo e com sua historia, apropriando-se de cada momento experimentado, cada sentimento dividido, cada experiência que trouxe consigo situações e pessoas únicas! Afinal, somos os protagonistas dessa história escrita, e não apenas coadjuvantes vivendo ao léu, seguindo decisões e direcionamentos alheios.

Pode ser uma boa forma de olhar para trás tendo consciência de que sim, gostaríamos que algumas coisas tivessem sido diferentes, mas que não o foram e que a historia aconteceu exatamente como precisávamos que acontecesse...

Pode ser uma maneira de entender que com base no que vivemos e no que experimentamos, temos forças de modificar o hoje, de se apropriar de nossas capacidades para construir o daqui pra frente, com todas as marcas boas e ruins que carregamos, mas também com as forças que se acumularam por essas mesmas marcas.

Ouvimos muito dizer que aprendemos pelo amor ou pela dor... Discordo!

Enquanto estamos vivendo a fase do amor, nos encantamos com tudo ao nosso redor e com o que acontece dentro de nós mesmos... Não resta tempo para reunir forças e aprendizados para nos estruturarmos para os momentos de dor. Há tempo apenas para viver o amor!!

Aprendemos pela dor! Pois é nesse momento que lutamos para buscar forças, é nesse momento que nos surpreendemos com o quanto somos capazes de superação e de crescimento.

Talvez, o ponto importante dessa reflexão seja que se pudéssemos viver nossa vida novamente restasse apenas o propósito de aproveitar com mais intensidade cada experiência acumulada... Nada mais que isso!!!!

Agora que tal escrever o seu proprio texto? Comece assim:
"SE EU PUDESSE VIVER MINHA VIDA NOVAMENTE..." Boa sorte!


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Vida a dois...

Dividir espaço, dividir problemas, dividir momentos sejam eles bons ou ruins... Dividir as refeições e talvez até a televisão... Dividir os amigos, os familiares e em alguns momentos até o colo da mãe!

Dividir o principal, o que há de mais forte em toda a vida e que nos leva a querer sempre dividir mais e mais... Dividir os sentimentos!


Viver a dois significa dividir para somar, pois dependendo do que dividimos, estamos somando dentro da relação.

Viver a dois significa aprender a respeitar os limites e as fragilidades do outro, entendendo que sempre é possível superá-las. Também é aprender a respeitar os próprios limites e a aceitar as próprias fragilidades, sem medo de mostrá-las ao outro.

Viver a dois implica em sensibilidade para notar o que há por trás do sorriso, ou por trás das lágrimas, dando espaço para que todos os sentimentos possam aparecer mesmo sem usar as palavras.

Viver a dois também carece de individualidade, para que não passemos a ser apenas uma extensão do outro, um reflexo do que o outro é capaz de ser e de mostrar. É aceitar que viver a dois também implica em tirar alguns momentos para a tão necessária solidão, para curtir a si mesmo e para aprender mais de si mesmo.

Em alguns momentos, viver a dois traz a tona o quanto precisamos estar sempre aprendendo para estar com o outro de uma maneira leve... Sem esperar que o outro pense da mesma forma como pensamos, sem esperar que o outro sinta a mesma coisa que sentimos!

Fantasiamos a vida dividida de tal maneira que tudo fica parecendo um conto de fadas! A vida não é um conto de fadas, é realidade, com tantos sentimentos quanto podemos sentir, com tantas oscilações quanto damos conta de produzir. No entanto isso não significa que não seja boa ou até melhor que as estórias que fantasiamos.

As pessoas não são estáticas ou estáveis, e isso implica em mudanças constantes. Se as pessoas estão em constantes mudanças, o que nos faz pensar que as relações que mantemos também não vão fazer parte dessas mudanças?

Viver a dois é reconhecer que nós mudamos, e na maioria das vezes pra melhor. Pensando assim, o outro é capaz de mudar pra melhor tanto quanto nós.

Viver a dois então é estar aberto para encarar as mudanças com as quais podemos nos deparar e adaptar-se a elas. É poder de renovação e reorganização de sentimentos continuamente.

Vivemos num momento no qual nunca houve tantos processos de separação, divórcio e anulação de casamentos. Isso é a prova de que as pessoas não estão aptas a dividir e que a ficar com as fantasias é a melhor opção para satisfazer-se? Não!

É fato que nunca vivemos tantos processos de fim de relacionamento, mas por outro lado, nunca se viveu tantas reconstruções. Hoje vemos que as pessoas se casam, se separam e rapidamente reconstroem novas relações que levam novamente ao namoro ou matrimônio.

O namoro já leva a viver a vida a dois, a dividir todos os pontos mencionados acima, mesmo que não se concretize o matrimônio.

Relacionar-se estreitamente com alguém, desenvolver intimidade, querer dividir, não está ligado a nível, intensidade ou nomenclatura que damos a relação. Querer dividir e sentir todas essas sensações e possibilidades dependem apenas de estar aberto, de deixar-se envolver pelo outro e de desejar fazer parte da vida de alguém.

Levar a vida a dois, seja cada um em sua casa, seja dividindo também o ambiente físico e as contas domésticas, sempre leva a novas possibilidades de aprender a doar-se e de receber afeto, pois dividir implica tanto em dar quanto em receber.

Aqui, entra a avaliação de cada um do quanto se está disposto a dar e do quanto se está disposto a receber, e assim do quanto se está disposto a dividir! E isso é individual e intransponível...

Então, boa reflexão!

sábado, 7 de agosto de 2010

Diagnósticos

Nomes, explicações, sintomas catalogados e detalhados para um entendimento do que se possa sentir.

Parece que o mundo vive em função das explicações lógicas e da capacidade de oferecermos possíveis nomes a tudo que possamos ter, sentir, experimentar.

Há tempos atrás, o que nos levava a uma consulta médica ou a procurar uma ajuda especialidade dentro da área da saúde era apenas o mal estar e a sensação de não estar controlando o próprio corpo, com dores, com incômodos, com sintomas, independente do nome que isso pudesse carregar. As pessoas chegavam ao médico, ao psicólogo, ao fisioterapeuta, ao dentista ou a qualquer outro profissional com a esperança que eles oferecessem uma solução ao que as acometia.

Mudança radical de comportamento!

Hoje as pessoas se apegam aos nomes e não as sensações, aos remédios e não aos tratamentos. É como se os diagnósticos ganhassem uma importância intensamente maior que a própria dor em si ou que o ser humano que o detém.

Talvez isso seja um indicio de que precisamos tomar cuidado com os conhecimentos que adquirimos para que não se torne prejudicial ao ser humano, pois quanto mais se toma conhecimento das possíveis doenças, mais se utiliza disso no dia a dia, apossando-se dos rótulos.

Rótulos sim! Noto que as doenças hoje transformaram-se em rótulos, em formas de classificarmos as pessoas. Uma vez com depressão, toda vez que aquela pessoa for vista chorando ou tristes, carregará consigo novamente a marca de que está doente.

Buscamos explicar demais situações vividas pelos outros, como se todas as pessoas que passassem por uma perda afetiva tivessem que entrar em depressão, ou todas as pessoas que passam pelo período de preparação ao vestibular tivesses transtornos de ansiedade e todas as crianças que ganham um irmãozinho obrigatoriamente desenvolvessem um ciúmes assustador e talvez até patológico.

Da mesma forma que justificamos os momentos vividos pelas pessoas ao nosso redor, também julgamos em alguns momentos como se o outro tivesse uma vida boa demais para estar com aquele rotulo. Já ouvi diversas vezes as pessoas dizerem que não entendem porque alguém teve depressão, já que tinha tudo na vida, e uma vida muito boa.

Claro que o nome pode e é importante para nortear o tratamento, mas essa importância não deve ser maior que a necessidade de olhar para o ser humano como um todo.

Se nem todo mundo que saboreia um sorvete se vê resfriado, se nem todo mundo que tem contato com alguém com catapora contrai a doença, por que temos que buscar essa explicação de causa e efeito para as dores emocionais?

Se ao invés de nos apegarmos aos possíveis nomes para o que sentimos, nos apegássemos à possibilidade de cuidar de nós mesmos com mais carinho, passaríamos a ter pessoas com a possibilidade de diagnósticos, e não diagnósticos que andam, falam e se comunicam!

Utilizar-se dos nomes para entender mais de si mesmo é uma forma saudável de aproveitar os nomes que recebemos, mas sem apego a patologias. Quando ouço alguém dizendo “minha depressão”, “minha síndrome do pânico”, “minhas crises de ansiedade”, “minha enxaqueca”, “minha gastrite”, em geral me preocupo com o quanto as pessoas estão dispostas a se livrar do que possuem, pois o pronome MEU, carrega consigo peso e vínculo.

Acho que se for para tomar posse de alguma coisa, que seja para o bem estar, para a saúde, para a descoberta de si mesmo com qualidade de vida. Ouvir alguém dizer MINHA VIDA SAUDÁVEL, soa muito melhor e combina muito mais com o que somos capazes de buscar e de manter em nossas vidas.

Assim, que os diagnósticos possam ser apenas a ponte para os tratamentos, para a melhoria de vida. E que carreguem consigo a idéia do momentâneo, da circunstancia vivida, mas superada, sem vincular com a necessidade de recidivas, pois se afirmamos o tempo todo que cada momento de vida é único, por que acreditar que os diagnósticos são eternos?

domingo, 1 de agosto de 2010

Desejos...

Desejamos tantas coisas em alguns momentos... Em outros, não desejamos nada!

Um novo emprego, estar bem, amigos novos, manter os amigos de longa data, dar e receber afeto, ganhar mais, gastar menos, um estado emocional equilibrado, acordar mais tarde, ganhar um abraço no momento de carência, saborear um chocolate, beber menos café, se entregar mais, comer menos, um olhar atencioso, esperar menos, uma bronca na hora certa, encontrar o príncipe encantado ou a princesa dos contos de fadas, ter filhos, mais romantismo, enfim... Desejos!

São tantos os desejos possíveis! Um ponto em comum entre todos eles é a vontade que existe por trás de cada desejo, vontade de realização, vontade de satisfação!

A vontade de realização impulsiona! Motiva! Oferece energia para que possamos correr atrás do que os desejos nos pedem. Mesmo que os desejos se modifiquem, nunca é perder tempo ou desanimador correr atrás de realizar os desejos despertos.

Quando desejamos algo, nos envolvemos com nossos sentimentos. Determinamos-nos e criamos expectativas de conquistas.

Desejar é sentir-se vivo, ativo e pronto para enfrentar a vida! Quem nada deseja, nada movimenta, nada busca e por isso nada acontece!

Não desejar nada pode mostrar que está faltando brilho na vida, talvez o que antes era forte tornou-se fraco e que os sonhos precisam ser revisados para continuarem sempre atuais.

Não desejar significa se entregar apenas a burocracia de viver!

Viver pode ser muito mais que resolver problemas e seguir regras, sejam elas estabelecidas pela família, pela sociedade, pelo trabalho ou por si mesmo.

Desejar, almejar, sonhar! Trazer objetivos para si mesmo e com isso buscar sempre conquistar!

Na música Amor pra recomeçar, cantada por Frejat, entendo como pensamento a idéia de que o fundamental é desejar, não apenas por tratar-se de realizações e de conquista de prazer, mas sim por trazer sempre consigo a possibilidade de recomeço, pois em cada desejo novo, uma nova forma de começo, uma nova forma de se realizar.

Desejar continuar desejando é uma ótima forma de se manter vivo! Resta apenas correr atrás de cada realização, e de modificar o rumo dos desejos quando isso se fizer necessário! Mas sempre desejar, sempre recomeçar!