quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sentir medo ou medo de sentir...

Ter medo! Se permitir ter medo!

O medo é um sentimento ao qual gastamos uma enorme quantidade de energia tentando fugir, tentando negar, tentando não sentir.

Somos capazes de sentir medo de tudo e de nada... De objetos, de situações, de sentimentos! Ah os sentimentos! Aqui moram os medos que mais me atraem e que me fazem querer entender...

Medo de nos envolvermos, medo de nos sentirmos sós, medo de sofrer, medo de amar e não ser correspondido, medo de magoar e de ser magoado, medo de se machucar... E por mais irônico que possa parecer, medo de ser feliz!

Dizem que o medo é uma forma de nos protegermos, de evitarmos nos machucar e de preservação da vida. Pode ser... E de fato vejo essa ligação com o medo. Mas, como classificamos o medo de sentir?

O medo de sentir está alicerçado no medo de sofrer. Somos acostumados a fugir de tudo que nos traga sofrimento, de tudo que ameace se parecer com a dor.

Infelizmente isso nos tira de diversas situações que junto com algum tipo de dor, pode nos trazer muita alegria, prazer, satisfação...

Que pena! Viver envolve riscos, e superar seus medos também...

Entendo o medo como um alerta. Uma forma de termos cuidado conosco, de nos protegermos. Precisamos de proteção, precisamos de cuidado conosco para evitar sofrer. Também é uma forma de cuidarmos dos impactos que causamos nos outros, de cuidarmos do que temos e do que não estamos dispostos a perder. Enfim, o medo serve como um alerta para nos mantermos atentos ao que possuímos e queremos manter.

Sem o medo de perder as pessoas ou de estar só, podemos não valorizar as relações ou as pessoas com as quais convivemos. Sem o medo de perder o emprego, podemos não cuidar de nosso desenvolvimento profissional e trazer o comodismo e desleixo aceso no dia a dia. Enfim, o medo pode sim ser um sintoma saudável para a contínua melhoria e crescimento. Mas claro, desde que não seja numa intensidade que bloqueia ao invés de impulsionar a melhoria.

Sem duvida, é altamente necessário se proteger, mas será que de tudo ao qual sentimos medo? É preciso tomar cuidado para que a proteção não vire fuga, não nos coloque em uma bolha de onde nada nos atinja. E mesmo que eu acreditasse que não ser atingido pela dor fosse algo bom, penso que se a dor não nos pega, a satisfação também não. Por isso mesmo, é um risco!

Quando digo que não acredito que não ser atingido pela dor seja algo bom, me refiro ao quanto precisamos disso para amadurecer, para aprender a lidar com a vida, para descobrirmos nossa força e capacidade para superar.

Lidar com a dor nos torna mais humano, e nos reforça o quanto é bom estar bem, o quanto é gostoso se sentir feliz.

O medo não é o que nos trava e nos paralisa... O que é capaz de causar tais comportamentos são as fantasias que criamos acerca do que tememos e das conseqüências disso em nossas vidas.

Na visão do escritor Rubem Alves, entendo o medo como algo inevitável na vida, mas que também não requer que criemos monstros mais assustadores do que de fato existem:

O medo não é uma perturbação psicológica.
Ele é parte de nossa própria alma.
O que é decisivo é se o medo nos faz rastejar ou se ele nos faz voar.
Quem, por causa do medo, se encolhe e rasteja,vive a morte na própria vida.
Quem, a despeito do medo, toma o risco e voa,triunfa sobre a morte.
Morrerá, quando a morte vier.
Mas só quando ela vier.


4 comentários:

  1. Não consegui ter tempo para ler o teu blog nos últimos dias, mas sempre dou uma passada rápida para ver qual o "tema" e assimq ue consigo, leio com carinho! Beijo grande para você! E venha nos visitar em Floripa

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  2. Elisa, querida...

    É sempre otimo saber que está por aqui. E o que mais me chama a atenção, é como é possivel termos um carinho tão grande uma pela outra, sem nunca termos nos visto...rs
    Afinidades, não é mesmo! Não se explica, se sente!!

    Uma imensa beijoca pra você, e pode deixar que pretendo ir passear ai sim! Aqui as portas também estão abertas pra receber-te...

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  3. Cris Amorimjulho 19, 2010

    Paty, vc tem razão em tudo que escreveu... o medo talvez seja consequência ou reflexo de experiências dolorosas e isso nos intimida perante a vida, mas desejo que a coragem possa sempre falar mais alto e que nossas asas nunca estejam fechadas para voar em busca do que nos faz realmente felizes. Que o medo exista, mas não nos limite, que o medo passe por nós, mas que não permaneça tempo o suficiente para ser tarde demais...

    Obrigada...
    Mil beijos

    Cris Amorim

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  4. Patrícia, este texto acima é simplesmente incrível!! Estou me autoconhecendo e descobrindo que a cada dia preciso aperfeiçoar minha vida e nesse aperfeiçoamento encarar o medo está entre o que se destaca mais, porque ele me paralisa, me deixa inseguro, numa situação totalmente sem "controle".

    Bom.. minhas palavras são de gratidão pelo simples e objetivo texto e te dizer que persevere neste caminho (de entender o ser humano) que conseguirás ajudar muita gente, inclusive ... eu!

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