domingo, 11 de julho de 2010

Culpa...

Sentimento paralisante! Capaz de transformar situações tão prazerosas e envolventes em momentos desagradáveis e perturbadores.

Quem nunca se sentiu assim? Culpado por pensamentos que julgamos incorretos, culpado por dizer, culpado por não dizer, culpado por agir, culpado por não tomar iniciativa alguma?

Enfim, somos capazes de desenvolver culpa por uma infinita lista de situações e motivos. Desde pensamentos, palavras proferidas, comportamentos...

O ser humano é mestre em se culpar!

O mais assustador do sentimento de culpa, é que mesmo que tenha procedência e de fato sejamos responsáveis de forma negativa pelas conseqüências, nos sentir culpados não ajuda a sair da situação vivida. Pelo contrário, a culpa é capaz de causar estagnação, paralisia.

Desde muito cedo nos envolvemos em situações geradoras desse sentimento, seja por desagradar os pais e deixá-los tristes, ou por não corresponder as expectativas das pessoas ao nosso redor, seja por não alcançar os objetivos almejados, ou pelos sentimentos alheios...
Em qualquer situação vivida, sempre há um culpado, e aqui reside outro sério problema...

Quando não somos culpados, procuramos por alguém que o seja!
Jogar a culpa em alguém é uma forma de livrar-se da responsabilidade, de redimir-se da própria dor e inocentar-se sem ao menos entender o que se sente de verdade.

Procurar por culpados é um habito humano que empobrece muito os relacionamentos. Nos faz temer sentir, nos faz temer agir... Além de nos levar a dar sempre mais peso para as coisas ruins, como se as coisas boas nunca fossem de nossa responsabilidade, mas as ruins certamente foram causadas por alguém!

Entendo que relacionar-se de forma íntima com a culpa, é uma forma severamente inibidora de desenvolver sentimentos. Afinal, se somos capazes de sentir culpa por amar, por sentir ciúmes, por estar feliz enquanto alguém não está, por sentir tristeza num momento no qual se exige alegria, por gostar ou mesmo por não gostar, indiretamente nos leva a entender que sentir é o grande erro...

É preciso retomar a ligação do sentimento de culpa com os conceitos de certo e errado, com a moral a qual nos submetemos. Em geral, a culpa aparece quando no deparamos com a idéia de que estamos agindo de forma incorreta por não beneficiar ao outro.

Independente das noções de certo e errado perante o outro, noto que a culpa leva o ser humano com muita freqüência a abrir mão de si mesmo pelo outro. Estamos tão acostumados com a visão de que precisamos e devemos cuidar de quem está próximo a nós, que aprendemos a desenvolver com tamanha facilidade o cuidar mais do outro do que de si mesmo, e, o único resultado possível disso tudo é o abandono próprio.

Bem, mas então ficamos com a escolha entre culpar-se por agir por si, sentir por si e cuidar de si, ou nos abandonarmos em nome dos sentimentos alheios?

Claro que nem um nem outro... Sentir culpa realmente pode trazer conseqüências cruéis para consigo mesmo, mas abandonar-se também...

A magia está em aprender a se permitir sentir, viver, experimentar e agir sem culpa e sem medo de sentir-se assim, da mesma forma que em alguns momentos também podemos optar por abrir mão de nossos desejos e necessidade pelo outro, desde que não implique em abandono próprio...

Culpa não ajuda em nada... Que tal decretarmos então a semana da libertação da culpa?

“Sentir mais e explicar menos, experimentar mais e racionalizar menos, ousar mais e reprimir menos”! Que culpa sobrevive a isso??


6 comentários:

  1. Antonio Carlos Caparrozjulho 12, 2010

    Nossa!!! Que tema fabuloso, adorei. Quando cheguei pela primeira vez na minha psicóloga, depois de uns vinte minutos de conversa, ela me disse que só faltava eu formar um tribunal do júri pra me condenar, de tanta culpa que eu trazia dentro de mim. Ela tinha razão, tudo o que eu havia feito na vida, errando ou acertando era minha culpa. Hoje penso um pouco diferente: sei que tudo tem limite, devemos ponderar antes de tomar alguma decisão, mas depois de tomada, e se for para o meu conforto próprio e de outros, desde que não prejudique ninguém, não me arrependo mais.
    Foi bom pra você???

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  2. Capa, meu querido... pra mim foi ótimo, e pra você?! rs Ver alguem abandonar a culpa e viver é delicioso!
    Quem dera esse processo de libertação de culpa não fosse tão pesado não é mesmo?!
    Como eu disse no texto, o problema maior é que não somos impulsionados a progredir com esse sentimento, mas sim a acreditarmos que somos os errados... independente se agimos certo ou errado!
    Fico feliz por sua libertação...
    Um beijo

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  3. Oi Pá...
    Você sabe que estou em constante processo de libertação...
    Fico feliz por você abordar esse tema desta forma, abrindo o leque e não equacionando, formatando...
    Pior do que a acusação alheia e a própria pessoa ser, ao mesmo tempo, réu, juri e juiz de si mesmo, determinando sua auto condenação...
    Obrigada pela reflexão!
    Quando leio seu blog imagino você falando, com seu jeito, suas expressões ... é muito legal!!!
    Beijos e sucesso!!!
    Raquel Marchiori

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  4. Raquel, minha linda... que bom te ver por aqui!!

    Venho acompanhando a certo tempo seu processo de libertação, e por isso tenho bastante clareza do custo disso em sua vida... Esse é mais um motivo para que comemore, pra que se olhe como uma pessoa capaz. Não vejo a culpa como algo 100% errado, pois ela também é necessária para que ponderemos em algumas situações. No entanto, você sabe bem que condenar-se por ela também não modifica atos, nem tão pouco sentimentos. Viver pode ser bem mais leve sem nos sentirmos culpados...rs Pense nisso!

    Seja bem vinda... e estou muito feliz por ter mais essa troca contigo!
    Um beijo grande

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  5. Cris Amorimjulho 19, 2010

    Pois é amiga, espero que essa magia da qual vc se refere no texto possa realmente ser libertadora a ponto de nos permitirmos sentir... viver e ser leve depois de tantos anos nos culpando por tantas coisas...é um processo difícil, e as vezes muito doloroso, mas acredito que nunca é tarde para tirar de nossa vida hábitos e pensamentos nocivos, e como nos amar e nos respeitar em primeiro lugar é necessário para amarmos o próximo, então que tal prorrogarmos esta semana sem um prazo de validade definido?

    Beijos

    Cris

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  6. obaaaaaaaaaaaaaaaa
    quer dizer que posso comer sem culpa?

    hehehhe
    essa tal de culpa é complicada mesmo, desagradável.

    vamos viver a vida, pois a vida foi feita para ser conhecida.

    beijo amiga
    Kitty

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