domingo, 25 de julho de 2010

Imaginar... fantasiar!!

Imaginamos muito, fantasiamos demais!

Permitimos que nossos pensamentos caminhem e a rapidez de respostas que esses nos trazem são surpreendente diante da capacidade que temos de realizá-los.

Inventamos, sonhamos, criamos... Possuímos um “mundo imaginário” ao qual cabe tudo aquilo que quisermos que caiba, e nada mais!

Há quem diga que imaginar e fantasiar são coisas diferentes... Entendo que ambas as palavras podem ter muitos significados e que cada um deles nos leve a determinados pontos. No entanto, vou me apegar ao significado em comum que ambas podem carregar consigo, e basear-me na capacidade que temos de criar nos pensamentos, inventar e idealizar...

Imaginar é inevitável. Acordamos imaginando como o dia será, encontramos com as pessoas do cotidiano pensando em como será o convívio e o que nos espera. Quando alguém nos diz que precisa conversar, a primeira coisa que vem a mente é o que pode ser. Ao ouvir uma música, imaginamos cenas que a tornem reais. Ao assistir um filme, nos imaginamos no papel de determinados personagens...

Enfim, a capacidade de imaginar existe desde que a capacidade de pensar também exista!

Imaginar e fantasiar ajudam a entender o que buscamos na vida, o que nos faz feliz. É uma maneira saudável de poder viver algumas coisas que jamais teremos condições e tempo para experimentarmos.

Claro que imaginar e viver exclusivamente nesse mundo imaginário, pode ser extremamente danoso, pois nos tira do mundo concreto, levando a perder o brilho em tudo o que temos de real. É como se só as fantasias fossem boas o suficiente, e a realidade sempre enfadonha e desgastante.

Fantasiar pode ser bom para nortear nossas escolhas, os caminhos que desejamos trilhar. Imaginar pode trazer à consciência o que não estamos dispostos a experimentar, e ao que só queremos nos pensamentos, mas não na vida real. É uma forma de buscarmos mudanças e nos agradarmos com elas!

A vida real impõe limites contínuos, de espaço, de realização, de afeto, de demonstração dos próprios sentimentos, de contato com as pessoas e tantas outras formas de limites. A imaginação rompe essas limitações e nos deixa livres para criar.

Da mesma forma que temos pessoas que mais fantasiam do que vivem, também há quem prefira ser realista e pé no chão do que fantasiar por alguns momentos. São as pessoas que só aceitam aquilo que podem apalpar e aquilo que podem confirmar. O que podem exercer controle é o que satisfaz.

Fantasiar demais pode nos tirar do contato com o mundo. Fantasiar de menos pode nos levar a uma vida mais dura do que é necessário! Quem nunca imagina ou fantasia pode se fechar para novas possibilidades emocionais e se tornar severamente racional.

Tanto radicalismo só pode mesmo é nos tornar mais rígidos do que felizes, pois fantasiar pode nos ajudar a sonhar, a buscar reunir forças para alcançar, a romantizar as relações e com isso nos tornarmos mais afetuosos. Mas só fantasiar também pode nos levar a viver no mundo da Alice no país das maravilhas, muito distante do que podemos ter, e tão infelizes quanto seja possível.

As pessoas são reais e os relacionamentos que mantemos também o são! Os nossos sentimentos são reais, mas também abstratos, e isso nos permite uma dose de imaginação para concretizá-los!

Buscar a harmonia entre fantasiar, imaginar, sonhar e realizar, tornar concreto, experimentar, é o grande desafio de cada um!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Abandono

Somos tão capazes de abandonar quanto somos capazes de cuidar...

Quando nos envolvemos, seja com pessoas, com situações, com emoções ou com idéias, cuidamos com primor e nos dedicamos intensamente. É o efeito da paixão, e não falo apenas do apaixonar-se por alguém, mas sim da sensação de apaixonar-se seja por si mesmo, pelo outro ou por qualquer circunstancia que vivenciemos.

Apaixonar-se faz querer olhar, querer proteger, querer cuidar... É como se o mundo girasse em torno do objeto ao qual direcionamos a paixão. No estado de paixão tudo se torna mágico, tudo se torna perfeito, a vida ganha mais brilho e tudo passa a ter solução.

Apesar de ser lindo, o foco não é a paixão, mas sim a capacidade para cuidar que ela desenvolve.
No entanto também somos capazes de abandonar... É o desistir, o mudar de idéia, de não sentir mais o mesmo interesse pelo cuidado que antes era desenvolvido.

Abandonar é como desapaixonar... O brilho se quebra, a magia se desfaz, as cores perdem a intensidade e a perfeição que antes era tão nítida é substituída pela imperfeição, pelos defeitos.

Quando imaginamos o apaixonar e o desapaixonar, fica em grande evidencia o quanto somos capazes de cuidar e abandonar o outro, quem está próximo a nós...

Mas o que chama a minha atenção é que o abandono pode ocorrer em diversos ramos de nossas vidas... E de todos que eu possa cogitar o mais cruel com o ser humano é o abandono próprio!

Em algumas circunstancias, ou mesmo por ser mais fácil lidar com o outro que consigo mesmo, passamos a olhar mais para tudo que há ao nosso redor, buscando esse cuidado, esse apaixonar-se e o zelo. Nessas circunstancias, olhar para si deixa se ser prioridade, fica em segundo plano diante de todas as questões dos demais.

Talvez seja essa uma das maneiras de se vivenciar o abandono próprio, buscando apenas oferecer o melhor de si mesmo para quem achamos que o mereça.

Mas e nós?? Não merecemos??

Desculpe-me quem respondeu que não, mas sou contraria a essa idéia e como já disse, reforço a idéia de que abandono próprio é a maneira mais dura e cruel de se castigar, de se punir, de se judiar.

Quando entrar em um avião, ouvimos as instruções da aeromoça alertando para o funcionamento da mascara de oxigênio, e se bem me lembro, a primeira instrução que ouvimos quanto a isso é para que primeiro coloquemos a própria mascara caso se faça necessário, e só depois estamos aptos a ajudar quem estiver ao nosso lado. Isso me traz a idéia de quem ninguém é capaz de dar aquilo que não tem.

Se tiramos de nós mesmos para oferecer ao outro, cedo ou tarde nos encontraremos em defasagem com as próprias energias, com o próprio estado emocional.

Também não estou querendo desenvolver o auge do egoísmo, o pensar apenas em si mesmo e o restante do mundo que se exploda... Não!

Equilíbrio é tudo nessa vida. Mais que isso... Harmonia! Pois equilíbrio é algo estático, algo que não varia nunca... Harmonia é algo que apesar dos balanços, está sempre dentro do possível para que se mantenha satisfatório para todos os lados.

Cuidar do outro é muito bom... Mas não pode ser prioridade sobre cuidar de si mesmo. Oferecer ao outro é muito gostoso... Mas também não é mais gostoso do que se sentir oferecendo o seu melhor a você mesmo! Amar o outro é o que traz brilho a vida... Mas sem amar a si mesmo, não é possível acreditar que o amor ao outro possa trazer qualquer satisfação.

Abandonar-se é como esquecer-se de tomar banho... É como desistir de alimentar-se... Pois, se estamos ainda ligados ao que vivemos jamais nos esquecemos dessas duas atividades tão importantes para o bem estar. Então por que se esquecer de cuidar do próprio estado emocional?

Esperar do outro aquilo que deve vir de si mesmo é um imenso engano. Pode até ser que venha do outro, mas esperar por isso é uma forma de colocar a felicidade nas mãos alheias.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sentir medo ou medo de sentir...

Ter medo! Se permitir ter medo!

O medo é um sentimento ao qual gastamos uma enorme quantidade de energia tentando fugir, tentando negar, tentando não sentir.

Somos capazes de sentir medo de tudo e de nada... De objetos, de situações, de sentimentos! Ah os sentimentos! Aqui moram os medos que mais me atraem e que me fazem querer entender...

Medo de nos envolvermos, medo de nos sentirmos sós, medo de sofrer, medo de amar e não ser correspondido, medo de magoar e de ser magoado, medo de se machucar... E por mais irônico que possa parecer, medo de ser feliz!

Dizem que o medo é uma forma de nos protegermos, de evitarmos nos machucar e de preservação da vida. Pode ser... E de fato vejo essa ligação com o medo. Mas, como classificamos o medo de sentir?

O medo de sentir está alicerçado no medo de sofrer. Somos acostumados a fugir de tudo que nos traga sofrimento, de tudo que ameace se parecer com a dor.

Infelizmente isso nos tira de diversas situações que junto com algum tipo de dor, pode nos trazer muita alegria, prazer, satisfação...

Que pena! Viver envolve riscos, e superar seus medos também...

Entendo o medo como um alerta. Uma forma de termos cuidado conosco, de nos protegermos. Precisamos de proteção, precisamos de cuidado conosco para evitar sofrer. Também é uma forma de cuidarmos dos impactos que causamos nos outros, de cuidarmos do que temos e do que não estamos dispostos a perder. Enfim, o medo serve como um alerta para nos mantermos atentos ao que possuímos e queremos manter.

Sem o medo de perder as pessoas ou de estar só, podemos não valorizar as relações ou as pessoas com as quais convivemos. Sem o medo de perder o emprego, podemos não cuidar de nosso desenvolvimento profissional e trazer o comodismo e desleixo aceso no dia a dia. Enfim, o medo pode sim ser um sintoma saudável para a contínua melhoria e crescimento. Mas claro, desde que não seja numa intensidade que bloqueia ao invés de impulsionar a melhoria.

Sem duvida, é altamente necessário se proteger, mas será que de tudo ao qual sentimos medo? É preciso tomar cuidado para que a proteção não vire fuga, não nos coloque em uma bolha de onde nada nos atinja. E mesmo que eu acreditasse que não ser atingido pela dor fosse algo bom, penso que se a dor não nos pega, a satisfação também não. Por isso mesmo, é um risco!

Quando digo que não acredito que não ser atingido pela dor seja algo bom, me refiro ao quanto precisamos disso para amadurecer, para aprender a lidar com a vida, para descobrirmos nossa força e capacidade para superar.

Lidar com a dor nos torna mais humano, e nos reforça o quanto é bom estar bem, o quanto é gostoso se sentir feliz.

O medo não é o que nos trava e nos paralisa... O que é capaz de causar tais comportamentos são as fantasias que criamos acerca do que tememos e das conseqüências disso em nossas vidas.

Na visão do escritor Rubem Alves, entendo o medo como algo inevitável na vida, mas que também não requer que criemos monstros mais assustadores do que de fato existem:

O medo não é uma perturbação psicológica.
Ele é parte de nossa própria alma.
O que é decisivo é se o medo nos faz rastejar ou se ele nos faz voar.
Quem, por causa do medo, se encolhe e rasteja,vive a morte na própria vida.
Quem, a despeito do medo, toma o risco e voa,triunfa sobre a morte.
Morrerá, quando a morte vier.
Mas só quando ela vier.


domingo, 11 de julho de 2010

Culpa...

Sentimento paralisante! Capaz de transformar situações tão prazerosas e envolventes em momentos desagradáveis e perturbadores.

Quem nunca se sentiu assim? Culpado por pensamentos que julgamos incorretos, culpado por dizer, culpado por não dizer, culpado por agir, culpado por não tomar iniciativa alguma?

Enfim, somos capazes de desenvolver culpa por uma infinita lista de situações e motivos. Desde pensamentos, palavras proferidas, comportamentos...

O ser humano é mestre em se culpar!

O mais assustador do sentimento de culpa, é que mesmo que tenha procedência e de fato sejamos responsáveis de forma negativa pelas conseqüências, nos sentir culpados não ajuda a sair da situação vivida. Pelo contrário, a culpa é capaz de causar estagnação, paralisia.

Desde muito cedo nos envolvemos em situações geradoras desse sentimento, seja por desagradar os pais e deixá-los tristes, ou por não corresponder as expectativas das pessoas ao nosso redor, seja por não alcançar os objetivos almejados, ou pelos sentimentos alheios...
Em qualquer situação vivida, sempre há um culpado, e aqui reside outro sério problema...

Quando não somos culpados, procuramos por alguém que o seja!
Jogar a culpa em alguém é uma forma de livrar-se da responsabilidade, de redimir-se da própria dor e inocentar-se sem ao menos entender o que se sente de verdade.

Procurar por culpados é um habito humano que empobrece muito os relacionamentos. Nos faz temer sentir, nos faz temer agir... Além de nos levar a dar sempre mais peso para as coisas ruins, como se as coisas boas nunca fossem de nossa responsabilidade, mas as ruins certamente foram causadas por alguém!

Entendo que relacionar-se de forma íntima com a culpa, é uma forma severamente inibidora de desenvolver sentimentos. Afinal, se somos capazes de sentir culpa por amar, por sentir ciúmes, por estar feliz enquanto alguém não está, por sentir tristeza num momento no qual se exige alegria, por gostar ou mesmo por não gostar, indiretamente nos leva a entender que sentir é o grande erro...

É preciso retomar a ligação do sentimento de culpa com os conceitos de certo e errado, com a moral a qual nos submetemos. Em geral, a culpa aparece quando no deparamos com a idéia de que estamos agindo de forma incorreta por não beneficiar ao outro.

Independente das noções de certo e errado perante o outro, noto que a culpa leva o ser humano com muita freqüência a abrir mão de si mesmo pelo outro. Estamos tão acostumados com a visão de que precisamos e devemos cuidar de quem está próximo a nós, que aprendemos a desenvolver com tamanha facilidade o cuidar mais do outro do que de si mesmo, e, o único resultado possível disso tudo é o abandono próprio.

Bem, mas então ficamos com a escolha entre culpar-se por agir por si, sentir por si e cuidar de si, ou nos abandonarmos em nome dos sentimentos alheios?

Claro que nem um nem outro... Sentir culpa realmente pode trazer conseqüências cruéis para consigo mesmo, mas abandonar-se também...

A magia está em aprender a se permitir sentir, viver, experimentar e agir sem culpa e sem medo de sentir-se assim, da mesma forma que em alguns momentos também podemos optar por abrir mão de nossos desejos e necessidade pelo outro, desde que não implique em abandono próprio...

Culpa não ajuda em nada... Que tal decretarmos então a semana da libertação da culpa?

“Sentir mais e explicar menos, experimentar mais e racionalizar menos, ousar mais e reprimir menos”! Que culpa sobrevive a isso??


quarta-feira, 7 de julho de 2010

Cuidar e ser cuidado...

Qual papel somos capazes de desempenhar com maior facilidade, o de cuidar, ou de ser cuidado?

Não existe uma resposta certa, pois no geral, nos deparamos com pessoas que cuidam com primor e que se realizam dessa forma, e pessoas que sentem prazer sendo cuidadas!

Um ponto interessante e que chama muito a atenção no que se refere à diversidade humana, é a dificuldade em encontrarmos equilíbrio entre esses dois papéis, assim, em geral, quem cuida especializa-se tanto no desenvolvimento desta característica que acaba por abrir mão, mesmo sem notar, de ser cuidado, de perceber-se. Da mesma forma, quem acostuma-se intensamente ao ser cuidado, tende a não desenvolver habilidades de cuidador, nem tão pouco a sensibilidade para notar o momento adequado para olhar e sentir que precisa de cuidar e olhar para o outro.

Talvez por isso que a grande dificuldade seja entender o equilíbrio entre esses dois papéis.

Cuidar envolve percepção do outro, envolve sensibilidade para notar quando isso se faz necessário, envolve empatia e simplicidade para aprender a respeitar a necessidade alheia sem prepotência, sem superioridade, mas acima de tudo com carinho e afeto. Envolve acima de tudo tato, para que o cuidado não se torne invasivo ou agressivo, pois sem duvida alguma, se tornaria absurdamente destrutivo.

Ser cuidado envolve humildade para aceitar o momento de carência e necessidade, envolve respeito consigo mesmo para não buscar ultrapassar seus próprios limites, também envolve empatia para escolher quem pode ser o “cuidador” e aqui, entram também as capacidades de escolhas afetivas. Ser cuidado requer abrir mais de si até para si mesmo, pois o primeiro passo é reconhecer-se aberto a receber.

Grande dilema da vida... Em que momento cuidar e em que momentos se permitir ser cuidado? Como aprender a abrir mão de si sem se ferir e sem se agredir, e como aprender a pedir para si mesmo aquilo que ao outro sai de maneira tão espontânea, tão clara, tão leve, mas igualmente sem agredir, sem ferir?

Talvez um ponto para diferenciar o momento de cada situação, seja apenas o sentir, sem buscar explicação, sem buscar razão ou ligação de coerência com situações vividas anteriormente.

Sensibilidade! É a única ferramenta capaz de detectar tais circunstâncias, e é o que nos ensina a diferenciar o momento certo de exigir ou de abrir mão. Claro que uma ajuda externa também pode ser bem vinda, pois, um pedido claro que ajuda de alguém a quem dedicamos algum afeto, bem como um alerta dessa mesma pessoa para que nos olhemos e passemos a aceitar a troca, o cuidado em si, sempre pode ser bem vindo.

Entendo que buscar equilibrar esses dois pontos não seja simples de se colocar em prática, pois nos acostumamos a agir com determinados padrões de comportamento que nos levam a seguir verdadeiros rituais, como se fossem a única forma possível de lidar com as relações e com os problemas.

No entanto, também entendo que parar para refletir sobre isso nos ajuda a buscar um pouco mais de harmonia entre esses dois pontos, mesmo que um sempre continue prevalecendo sobre o outro.

As pendências que construímos com esses comportamentos discrepantes, cedo ou tarde nos cobram os abusos que causamos em nós mesmos, e assim, o corpo é altamente capaz de reclamar por seus direitos e nos mostrar quando não nos damos conta, que é o momento de olhar para si e aprender a se deixar cuidar...

Pois bem! Experiências que nos mostrem o quanto dar é importante e o quanto receber é necessário são infinitas ao longo do viver, mas o aprender a equilibrar entre dar e receber pode ser um processo intenso e doloroso!

Se quem é apto a cuidar, se permitir olhar para si às vezes, e se permitir recarregar as baterias abrindo as portas para a entrada do cuidado, bem como se quem é apto a se entregar e a receber cuidado, se permitir estar atento aos momentos necessários para abrir mão de si mesmo e lembrar que se não retribuir o cuidado pode vir a se sentir só em algum momento, os relacionamentos podem basear-se mais em trocas e menos em expectativas.

Quem sabe assim a harmonia não se torne mais nítida e as cobranças externas e internas diminuam!! Só resta experimentar...

domingo, 4 de julho de 2010

Acasos...

Costumo dizer com certa freqüência que nada acontece por acaso em nossas vidas. Percebo que isso é capaz de afetar significativamente a vida das pessoas, a ponto de me pedirem para escrever sobre isso. A principio me senti em duvida sobre como abordar o assunto, pois confesso ser algo que está tão arraigado em mim que parar para elaborar um texto não foi um processo simples. É como fazer café, quase todas as pessoas o fazem, mas quando se pede receita, é necessário pensar a respeito, pois se trata de algo que já se tornou automático.

O texto começou a ser escrito, foi apagado, revisado, escrito novamente e, após diversas reflexões, pude notar que entender os acontecimentos com ligações entre si pode ser sim um processo bastante complexo, justamente por envolver assumir a responsabilidade por diversos acontecimentos.

Noto que o uso da expressão “por acaso”, passou a ser usado como uma desculpa por atitudes, sentimentos e até pensamentos. É como se algumas coisas fossem impossíveis ou proibidas e assim, torna-se menos pesado jogar na conta do acaso, afinal, quem sabe um dia ele paga?!

“Encontrei com uma pessoa que não via há tempos por acaso, estava andando na rua e por acaso achei aquele sapato que eu procurava fazia tanto tempo, comprei um carro e por acaso passei a perceber que ele está em alta utilização, pois há grande quantidade dele na rua, perguntar a uma amiga se por acaso não tem um vestido de festa para emprestar...” E assim podemos ter outras diversas desculpas para as situações rotineiras do acaso, sem a necessidade de assumir a conseqüência desses acontecimentos.

O que deixamos de notar em todas essas situações que consideramos acaso é que nessas diversas situações, o tal acaso é provocado por nós mesmos, já que podemos manter o foco em tudo que desejarmos. Enfim, essas situações que consideramos acaso, podem apenas ter sido mal interpretada por nós mesmos, como uma forma rápida e indolor de não precisar encontrar relação de causalidade entre as situações.

Nas definições do dicionário encontramos que acaso são acontecimentos incertos e imprevisíveis, que dependem do destino e de sorte. Sendo assim, a vida toda seria considerada um acaso, pois tudo o que vivemos é incerto e imprevisível dependendo exclusivamente de como direcionamos nossas atitudes e sentimentos, somados a receptividade do outro e de como nos responde.

Somos sim responsáveis por nossas atitudes e pelas energias que liberamos com ela! Encontrar com aquela pessoa que tanto lhe faz falta, que há muito não é possível, mas que vem fazendo parte de seus pensamentos, não pode ser simples acaso, mas sim troca de pensamentos e trazer pra si aquilo que tanto procura, mesmo que sem plena consciência desses atos.

Temos um forte poder de atrair para nossa vida aquilo que focamos. Também temos uma facilidade muito intensa de olhar para aquilo que nos atrai que parece que tudo conspira para tal circunstancia. No entanto, não acredito que podemos entender que o mundo conspira contra ou a favor, pois seria egocentrismo demais de nossa parte acreditar que o “mundo” se volta para si mesmo para lhe trazer o que quer ou necessita.

Ao contrario disso, entendo que despendemos tanta energia e concentração ao que buscamos que isso se torna cada vez mais evidente.

Assim também avalio os relacionamentos que mantemos... As pessoas não entram em nossas vidas por nada, e quando chegam, costumam trazer consigo mesmas muitas experiências para dividir e ensinar.

No consultório isso torna-se muito nítido. Tive um professor que dizia que cada psicólogo recebe o cliente que merece, e descobri que ele certamente tem razão! Aprendemos muito com cada caso que recebemos se nos dermos abertura para que isso aconteça, e não é raro notarmos que muitas vezes recebemos casos que envolvem sentimentos que também precisamos aprender a lidar e a elaborar.

Lembro-me de uma amiga psicóloga que enquanto enfrentava seu próprio processo de separação, começou a receber apenas casos que envolviam ou o fim de relacionamentos, ou a busca por resgatá-los antes que viessem ao fim. Hoje, certamente ela entende que isso não se deu por conta do acaso, mas sim para aperfeiçoar o seu próprio processo de autoconhecimento, enquanto se ocupava em ser a ajuda que os demais buscavam. Afinal, o primeiro ouvido que escuta, é o de quem diz!!

Falar sobre acasos e circunstancias que a vida nos traz me empolga e muito, mas também entendo que por envolver a necessidade de reflexão, só me resta deixar a pergunta para que cada um busque suas respostas... Sem duvida ainda é um tema que requer muitos textos, muitos pensamentos e muitas trocas... mas por ora, acho que basta a oportunidade para pensar.

Quais acasos em sua vida de fato foram significativos? E será que conseguiu aprender com eles?

Boa reflexão...