sábado, 26 de junho de 2010

Tratamentos, sintomas, doenças... Terapias!

Estamos acostumados a associar “tratamento” com “doenças” e “sintomas”. Assim, se temos um sintoma, é porque provavelmente estamos doentes e precisamos de tratamento!

Nisso, a maioria de nós é mestre em entender que um sintoma é sinal de algo errado, sinal de que é hora de cuidar da saúde e que os tais sintomas são uma maneira de ouvir o corpo dizendo: “Ei, acorda! É preciso olhar pra mim e lembrar que aqui dentro pode não estar tudo bem”!

Conversa interessante essa do corpo, mas claro que nem sempre é necessário darmos ouvido aos sintomas que o tal corpo usa como grito, pois alguns deles desaparecem da mesma forma que aparecem... Sem que tenhamos que tomar nenhuma providência ou se lotar de consultas médicas especializadas e remédios.

Mas também temos sintomas tão importantes, que de fato nos servem de alerta para entender que é mesmo hora de parar e ouvir os sinais corporais exalados através deles.

Bem, estou associando então os sintomas como um pedido de socorro do organismo para que cuidemos da saúde. Mas claro que também podemos ter sintomas que nem sempre são relacionados ao estado físico, ao orgânico, ao corpo.

O corpo também é capaz de ser porta voz das emoções que sentimos. É um caminho intenso de expressão e por isso também somos capazes de produzir sintomas corporais por questões emocionais vivenciadas.

Tive um professor que acreditava que cada ser humano “escolhe” um ponto de seu corpo para ser o seu grande porta-voz, assim, encontramos pessoas que se utilizam até sem perceber da cabeça como a forma de expressar que as emoções não estão sendo cuidadas, e assim representa em forma de enxaqueca, do estomago como prova das situações de estresse que não foram levadas em consideração, reproduzindo como gastrite, da garganta com inflamações constantes que em geral podem ser derivadas do constante hábito por não falar o que precisa e assim por diante.

Não sou nem um pouco defensora das generalizações, e por isso descarto a idéia de que todo sintoma, como os de enxaqueca, por exemplo, esteja ligado aos mesmos conflitos emocionais. Mas entendo sim que é um sintoma importante e que sua ligação com a vida afetiva é nítida e evidente. Cabe a cada um que sente buscar descobrir-se através de seus sintomas e de suas somatizações.

Neste ponto entramos no assunto tratamentos, e aqui, sempre há uma complicação. Ainda nota-se que em geral é mais comum a aceitação por tratamentos medicamentosos e medicinais em comparação aos tratamentos emocionais e afetivos. Quando surge um sintoma ao qual temos plena convicção de que não há fundo orgânico, encontramos a resistência a admitir-se instável nesse momento. É como se as pessoas torcessem para que o remedinho indicado por aquele médico de confiança fosse fazer toda a parte que cabe apenas a cada indivíduo.

Longe de mim a intenção de menosprezar a necessidade dos tratamentos médicos. Quero apenas ressaltar a importância de nos cuidarmos de maneira geral, de todos os aspectos e formas possíveis. Assim, se o estado emocional é um ponto de extrema importância para todo ser humano, e se somado a isso, é altamente capaz de produzir não apenas sintomas, mas também ajudar a agravar outras patologias, por que ainda há resistência em tratá-lo, em olhar para isso como mais um ponto da vida, sem preconceitos, sem resistência, sem medo?

É possível notar que essa resistência aparece muitas vezes relacionada a dificuldade de pedir ajuda, como se admitir que é necessário se cuidar fosse uma declaração de fracasso ou de incompetência. É como assumir fragilidade!

Penso justamente ao contrario. Fracos são os que não se dão ao direito de se sentirem melhores, e que, mesmo reconhecendo o quanto podem estar infelizes e adoentados, optam por permanecer nesse estágio, simplesmente pelo medo do que os outros hão de pensar se levantar a bandeira do “eu quero ajuda”.

Ora, convenhamos! O que pode ser associado mais facilmente à fraqueza: O ímpeto em se conhecer melhor, em se cuidar, em buscar uma vida mais saudável com qualidade de vida, apoderando-se de si mesmo e de suas capacidades, ou conformar-se com sensações de insatisfação e desconhecimento de si mesmo, correndo o risco de envolver-se constantemente com emoções distorcidas, mas por fim, mantendo aparências de pessoa bem resolvida e feliz?

Cada um que opte pelo seu caminho!!!


3 comentários:

  1. Se tivermos dificuldade em nos expressar, em mostrar o que nos incomda, em algum momento, o corpo falará por nós.

    Se tentarmos represar a qualquer custo algo que nos incomoda, uma hora o corpo transborda e traz à tona o que nos fere, nos faz tristes.

    Gostei da mudança de aparência no blog ! rs

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  2. Antonio Carlos Caparrozjunho 26, 2010

    Paty, muito bom você ter abordado este tema 'Tratamentos, sintomas, doenças... Terapias!' Quero traçar um paralelo, me lembro ainda quando eu tive as primeiras crises de pânico, visitei vários consultórios médicos, a grande maioria dizia que era estresse devido ao excesso de trabalho, um deles teve a petulância de me dizer que eu devia parar de beber imediatamente. Eu disse a ele que na minha vida toda, nunca tinha ingerido um gole sequer de bebida alcóolica, nem socialmente. Ele ficou atônito e ainda me pediu desculpas dizendo que eu tinha uma aparência de alcólatra. É mole, além de pagar consulta médica, fui obrigado a ouvir isso. Aliás, ele ainda queria que eu estivesse com a aparência boa, com aquele montão de sintomas horríveis, sem saber o que era? Outro me mandou tratar a tireóide, fiquei um ano tomando remédios para regular a bendita glândula, sofrendo ainda mais, agora com outros sintomas somados aos que eu já tinha, estava cada vez pior. Finalmente encontrei um médico profissionalíssimo, o Dr. Edson Luiz Berber Cobbo, que me mandou fazer alguns exames, e após, diagnosticou a Síndrome do Pânico. Me deu alguns remédios e me disse para procurar urgentemente um psicólogo. Depois disso, literalmente ressuscitei. Comecei a ver novamente a luz no fim do túnel, parei de pensar em suicídio e tudo mais.
    Depois dessa extensa introdução, usando o meu caso como exemplo, quero dizer que, as pessoas quando estão com algum transtorno psicológico, já num estado muito avançado, não tem a menor ideia do que está acontecendo, e acabam sendo confundidas pelos sintomas físicos. Neste meu caso em particular, eu acreditava que estava com problemas de coração, de estômago, entre outras doenças.
    Hoje eu recomendo a todos que estão sentindo algum problema físico, a procurar sim um médico para um diagnóstico, mas tendo o resultado negativo, devem consultar urgentemente um profissional na área da psicologia. Sem medo de errar eu digo que é um problema psicológico somatizado que causa desconforto físico entre outros sintomas.
    NÃO DEIXE DE TRATAR O PSICOLÓGICO. MUITOS SUICÍDIOS SÃO RESULTADOS DO DESESPERO POR NÃO ENCONTRAR UMA SAÍDA. AJUDE SEUS FAMILIARES E AMIGOS A ENCONTRAR ESSA SAÍDA, ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS.

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  3. Alexandre, que bom que temos o corpo como um companheiro, como um meio de expressão que não nos permite máscaras... pena que nem sempre estamos aptos a ouvi-lo e a dar valor ao que ele tem a nos dizer... Tomara que ele continue sempre transbordando todas as vezes que tentarmos nos enganar não é?! rs Que bom que gostou das mudanças, foram feitas pra agradar a quem está próximo e sempre por aqui, e pelo visto funcionou!! rs

    Capa, infelismente ainda vivemos o preconceito e a facilidade em julgar de forma bastante aflorada. Quem dera o médico que te perguntou sobre alcoolismo tivesse o minimo de sensibilidade para olhar de verdade para o paciente que se apresentava a ele, bem como disponibilidade para ouvi-lo!!
    Mas infelizmente nem sempre acontece assim... Só nos cabe passar a informação a diante e tentar mostrar sempre que possivel o quanto cuidar de si não requer medo nem preconceito, apenas amor próprio!
    Obrigada pelo apoio, afinal, nada melhor do que o depoimento do outro lado do tratamento para validar o quanto a terapia pode ser significativa. Só depende da coragem para iniciar... Um grande beijo

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