sábado, 5 de junho de 2010

Sentir-se dependente...

Levando a palavra dependência ao seu mais simples significado, entendemos que é uma conexão extrema, um estado de precisar de algo, ou ao menos acreditar que precise... Esse ponto de ao menos acreditar que precise, surge da idéia de que podemos ter duas formas de dependência, sendo a primeira delas física e a outra emocional.

A dependência física pode ser gerada por diversos elementos e por diversas químicas diferentes, desde um simples café, chocolate ou coca-cola, até substancias mais danosas para o organismo como ervas e químicas.

Mas quero ater-me as questões emocionais que nos envolvem em qualquer maneira possível de nos sentirmos dependentes, sejam de matérias, químicas, pessoas ou situações.

Qualquer que seja o objeto gerador desse sentimento, as conseqüências emocionais que são trazidas como “brinde” podem ser bastante desastrosas. A sensação de impotência e de culpa é forte e é possível notá-las após uma crise na qual se nota a entrega pela dependência.

Olhemos para a dependência afetiva. Podemos nos sentir tão ligados a determinadas pessoas que nos tornamos suscetíveis a elas, passando a acreditar que o “outro” é imprescindível para tocar a vida de forma satisfatória. Mas será mesmo que é esse tipo de sentimento que uma relação deva gerar? Se sentir precisando do outro pode, ao invés de gerar uma sensação de conforto, gerar uma sensação de fragilidade conjuntamente com insegurança, pois, se é preciso que o outro preencha o meu dia, é porque não me sinto capaz de fazê-lo sozinha.
Vivemos intensas trocas em diversas formas de relacionar-se, seja com amigos, familiares, namorados (as), companheiros de trabalho, colegas, filhos... Com cada uma dessas pessoas desempenhamos papéis distintos, mas carregamos em todos eles as mesmas essências, os mesmos moldes de personalidade. Então por que nos tornamos dependentes de alguns e de outros não?

Talvez a resposta esteja ligada com o quanto esperamos que o outro facilitasse a nossa vida emocional, preenchendo-nos com sentimentos que ás vezes nem nós mesmos possuímos. Ou ainda o quanto é mais fácil ceder às idéias e expressões alheias, nos deixando tornarem-se manipuláveis para que não haja frustrações.

Entendo o depender como uma sensação de vazio, de incapacidade de resolver determinadas questões por si mesmo, ou mesmo de se sentir feliz por si mesmo. É a busca por soluções que não são suas, e que talvez possam resolver os problemas vividos.

Depender anula ou enfraquece as expressões tanto de sentimentos quanto do próprio comportamento que podemos oferecer as pessoas, pois passamos a ser apenas o espelho refletor ao invés de seres individuais.

Com a experiência clinica, é possível notar que de alguma forma os laços afetivos que são criados nas relações dependentes são tão intensos que a auto-percepção passa a ser minimizada pelo impacto da presença do outro.

Se pudermos avaliar constantemente como nos envolvemos com as pessoas e o que nos mantém atrelados a elas, certamente descobriremos que o que mantém a proximidade e as afinidades pode ser simplesmente ser você mesmo e manter-se em si. Afinal de contas, não somos extensões das relações que mantemos, mas sim pessoas capazes de dar e oferecer afeto, fazer parte do mundo do outro e ainda assim voltar-se a si para satisfazer-se com suas próprias emoções.

Uma relação provedora de dependência dificilmente trará bons desenrolares, mas sim fadiga e baixa auto-estima.

Entendo que temos muito mais a oferecer do que apenas agir da forma esperada pelo outro. No entanto, só saberemos ao certo o quanto pode ser bom, se tentarmos nos desligar do esperado e apenas agirmos por nós mesmos. Se o outro não nos aceitar, que pena! Só nos cabe tocar a vida e entender que certamente alguém o aceitará.

Um comentário:

  1. Era tudo que eu precisava ler. É engraçado, eu já tive outros relacionamentos, mas nenhum deles me deu esse sentimento de dependência como este que estou vivendo. E as vezes chego a me odiar, pq nunca permitir isso comigo. É muito ruim. É um aperto no coração, uma infelicidade. E desesperador as vezez. Kkkk quase uma loucura. Eu preciso mudar isso e voltar a ser o que eu era antes. Só nao sei como.

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