quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sentir através dos sentidos!

Já expressei o quanto somos capazes de sentir através do olhar e o quanto isso se torna significativo quando estamos dispostos a desenvolver mais.

Percebemos pelo olhar e somos carentes do olhar tanto para aprovação quanto para rejeição. No entanto, somos capazes de “sentir” de tantas outras maneiras, que a visão pode tornar-se apenas um complemento.

O quanto um perfume característico não é capaz de trazer para o momento determinadas sensações já vividas? O quanto o toque pode suscitar segurança e afeto? O quanto às músicas produzem determinadas expectativas e nos ligam as pessoas através do simples som? Cada um dos sentidos permite que nos conectemos as pessoas ou aos momentos, trazendo sempre consigo determinados sentimentos.

Ao se falar, por exemplo, do olfato, aposto que rapidamente vem a mente de todos alguém especial, com aquele cheirinho tão inconfundível que é quase possível sentir a presença desta pessoa quando se percebe esse cheiro. E não digo isso focando apenas na ligação entre casais, mas sim focando nas diversas pessoas com as quais convivemos e que de alguma forma nos marcam com o perfume que exalam.

Pense o quanto a casa das avós tem cheiros tão peculiares que em qualquer local que o sinta se regressa rapidamente a infância. Amigos, colegas de trabalho, crianças... Somos capazes de nos envolver pelo olfato e de identificar em cada relação que mantemos diferentes cheiros e diferentes emoções suscitadas por eles.

Além do olfato, me vem à mente outro sentido que é capaz de expressão de sentimento e sensações sempre que utilizado, e que traz diversos temas para reflexão. O tato, que produz o toque.

O toque tem poderes altamente terapêuticos, pois através do toque é possível transmitir não só calor, como afeto, energia, segurança. Não é ao acaso que os projetos para cuidado de prematuros hoje, englobam não mais as incubadoras, que promovem isolamento do ser tão indefeso, mas sim o aconchego do colo dos pais ou cuidadores, no qual o afeto é transmitido todo momento, e com isso a segurança tanto dos pais quanto do pequeno bebê passa a ser uma forte aliada para o desenvolvimento.
Bem, que os sentidos podem estar ligados ao prazer e a troca de afeto. No entanto, também somos capazes de lidar com os nossos sentidos de maneira a repudiar o que percebemos.

Um odor que desagrada, pode causar tamanha repugnância não só de pessoas quanto a locais e circunstâncias. Um toque vivenciado no momento inoportuno pode desenvolver aversão aos demais toques que virão. Um olhar de intensa desaprovação é capaz de intimidar e reprimir diversas expressões de sentimentos.

É preciso estar atento ao que transmitimos e ao que estamos dispostos a receber. Pois nós seres humanos, temos tanto a capacidade de agregar valores quanto de destruí-los, mesmo através de simples gestos.

Entendo o uso dos sentidos como algo intensamente enriquecedor para os relacionamentos que mantemos, mas também entendo que precisamos cuidar com primor de todas as formas de expressá-los, pois, somos capazes de invadir a individualidade do outro e com isso gerar explosão de agressividade. E assim o é com todos os sentidos.

É preciso muito respeito para se expressar afeto, em especial quando o interesse é se criar laços afetivos. Prezando por isso, as marcas que deixamos e que recebemos, sempre valerão à pena!





2 comentários:

  1. Lendo seu post, foi imediato lembrar-me de dois filmes, ambos ligados ao que se sente com o paladar.

    Lembrei-me de "A festa de Babette" e "Chocolate". Dois filmes que mostram como as pessoas podem transformar-se ou revelar-se através do sentir.

    É o sentir do paladar. É ser feliz pela boca. quem não se lembra de algo gostoso que comeu um dia, com uma alegria imensa ?

    E não se trata do simples ato de comer, de satisfazer uma necessidade fisiológica, mas a sensação positiva que algo saboroso nos proporciona.

    Sentir-se feliz pela culinária é sentir-se feliz com coisas simples.

    Há mais para tratar sobre isso, mas vou me conter. rs

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  2. eh. eh. eh, que legal, me fez lembrar do cheirinho da vovó, não podia ser mais oportuno escrever sobre isso em dias tão conturbados, onde por vezes nos esquecemos do falado geitinho para entrar na vida do outro. continue minha filha, voce escreve muito bem. beijos

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