terça-feira, 22 de junho de 2010

Como chegamos ao outro...

Ver, tocar, cheirar, ouvir, saborear! Sentir!!

Cada um dos nossos sentidos é responsável por diversas formas de sentir e de experimentar o mundo, as pessoas, as coisas, as situações.

Apesar de quase sempre podermos experimentar com todos eles, as escolhas aqui também imperam e às vezes até mesmo sem notar optamos por desenvolver mais acentuadamente um desses sentidos.

Até aqui, não estou contando nenhuma novidade. O que me intriga e me faz pensar nesse assunto, é o quanto nos damos conta de qual sentido é mais desenvolvido em nós.

Temos pessoas que precisam do toque para se sentir com o outro, temos pessoas que ouvem muito, e por isso cada palavra é como se fosse uma revelação no relacionamento. Algumas pessoas possuem o olfato tão acentuadamente desenvolvido que o cheiro das pessoas é marcante e fala da personalidade delas, já outras pessoas que beijam e que encontram nos lábios a melhor forma de contato com o mundo. Por fim, mas não menos importantes têm pessoas que se utilizam do olhar como maneira de penetrar no mundo.

Seja qual a forma de se aproximar e de se manter em contato, os sentidos falam por si só, e deixam suas marcas não apenas em quem os desenvolve, mas também em quem recebe cada forma de relação.

Com base nisso, podemos entender que para cada um, os sentidos possuem significados diversificados, e somos sempre capazes de oferecer alguns sentidos inovadores.

Quando me dei conta disso, passei a observar qual o meu sentido mais aguçado, e pude perceber com clareza que apesar de depender da receptividade do outro para se aproximar através dos sentidos, ainda assim, sempre damos preferência a um deles. Assim, quem necessita do toque para conhecer e se sentir conhecido, precisa aprender a desenvolver o respeito para que possa tocar sem agredir. Da mesma maneira, alguns olhares podem ser tão penetrantes e íntimos que se não vierem carregados de respeito podem se tornar ofensivos e até invasivos.

Tudo depende da intenção da aproximação e claro, da receptividade que encontramos!
Vejo de maneira muito bela poder desenvolver demonstração de afeto de maneiras tão diversificadas. Claro que o cuidado com a percepção faz parte do uso dos sentidos, pois é ela quem norteia os caminhos a se seguir e quem nos dá indícios se a aproximação é bem vinda ou invasiva. E não me refiro aqui apenas a relacionamentos amorosos, pelo contrario, pois nesses, a aproximação se torna tão objetiva que nem sempre desenvolvemos a percepção de como isso se dá.

É nas relações do cotidiano que nos mostramos e que percebemos nossa forma de lidar com o mundo. Tive um cliente que me dizia com muita freqüência que minhas sobrancelhas expressavam a ele muito mais que minhas palavras, e que costumava se nortear pelo que expressava através delas. Outro que possuía o toque muito desenvolvido costumava me dar abraços bastante afetuosos quando chegava para a sessão, mas não os mantinha na saída pois não sabia lidar com as despedidas. Uma terceira pessoa ainda, me relatava com freqüência que a fragrância do meu consultório caminhava com ela ao longo de toda a semana, e que a ajudava a
pensar em suas emoções.

E assim vamos encontrando ao longo de cada caminhada que não há regras para se lidar com o afeto, e que os expressos por meios ocultos (como a expressão corporal e o uso dos sentidos) podem ser até mais ricos que a utilização das palavras.

Agora pense em você... Como se aproxima das pessoas, e qual sentido percebe possuir como seu cartão de visita?

4 comentários:

  1. Sabe que eu não sei, mas sei que sou um pouco esquisita, não gosto do toque, me aprofundo no cheiro, tenho medo do olhar.... é acho que sobrou os ouvidos, gosto muito de ouvir e ser ouvida, e as paixões vieram através do respeito e da admiração que crescia dentro de mim a medida que conhecia e me deixava conhecer pelo outro. Tai acho que descobri. Obrigada, beijos Mami

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  2. Muito bom seu texto! Parabéns!

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  3. Mami, não gostar de algo só nos reforça a ideia do quanto é bom sermos "gente", e que chato seria se todos nós gostassemos da mesma coisa! Que bom que se achou, mas fica pra mim uma pergunta que quero dividir com você e que a resposta só diz respieot a você mesma: o que teme no olhar?
    Boa reflexão!

    Sandro, meu querido, que bom te ter por aqui! SEJA BEM VINDO!! Do que exatamente gostou? Isso pode virar um excelente debate, não acha?! rs

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  4. Eu fiquei tentado a considerar que não há um sentido que se destaque, mas isso não durou mais do que dois segundos...rs

    Temos sim um sentido pelo qual há um destaque na percepção das coisas ao nosso redor.

    Há um sentido que utilizamos como válvula de escape, como meio de nos concentrar, como canal para nos trazer coisas boas.

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