quarta-feira, 30 de junho de 2010

Aprender sempre...

Entendo que um dos maiores ensinamentos que a vida tem a nos propor, é estarmos dispostos a aprender mesmo quando sofremos...

Aprender quando tudo dá certo é facil... Dificil mesmo é aprender a tirar proveito quando estamos sofrendo, ou quando vivemos momentos de frustrações e conflitos!

O velho ditado :"Ou aprende pelo amor, ou aprende pela dor", não é totalmente verdade. Pois, quando estamos no momento do amor, no momento no qual tudo caminha conforme nossos planos e as experiências apenas surpreendem, vivemos num estado tal de euforia e satisfação que dificilmente olhamos para o quanto essa realidade pode nos ensinar.

No entanto, quando sofremos, quando nos machucamos, quando choramos, não resta outra opção a não ser olhar para o que se viveu e tentar tirar proveito disso, de forma que na próxima experiência nos tornemos mais fortes e preparados!

Nas experiências boas, tudo se volta para que as pessoas se aproximem e sintam um pouco da felicidade vivida. Já nas experiencias difíceis de se elaborar, temos a oportunidade de descobrir quem de fato aguenta estar ao seu lado, não apenas para rir, mas também para enxugar suas lágrimas, para suportar ser apenas um apoio já que tirar a dor do outro é impossível.

Dividir coisas boas é bem fácil, até porque, estar perto de alguém que demonstra alegria pode ser até contagiante. Mas ainda temos medo de nos contagiar pela tristeza, pelos momentos de desilusão, pelo desespero alheio.

Também é apenas nos momentos de dor que temos a capacidade de descobrir o quanto somos fortes, o quanto aguentamos sentir e o quanto na verdade não somos feitos de cristal... Mas mesmo que fossemos fácil de se quebrar, aquelas poucas pessoas que mostram te suportar na dor, certamente ajudariam a colar os cacos...

O grande desafio está em aproveitar os momentos alegres para recompor-se, para fortificar-se de energia e de experiências, para que quando os momentos tristes se aproximarem, tenhamos a capacidade de aceitá-los com dignidade, com força e com a paciência necessária para que eles sejam apenas aprendizado e mais fortalecimento.

Acredito que um dos grandes saldos positivos que a dor nos deixa, é poder reconhecer com quem estamos dispostos a dividir, a quem estamos dispostos a nos abrir. Pois aprendemos ao longo do tempo, que quem não suporta suas lágrimas, jamais será um bom companheiro para suas gargalhadas!!

E com tudo isso, aprender... Sempre que possível e sempre que disponivel!

sábado, 26 de junho de 2010

Tratamentos, sintomas, doenças... Terapias!

Estamos acostumados a associar “tratamento” com “doenças” e “sintomas”. Assim, se temos um sintoma, é porque provavelmente estamos doentes e precisamos de tratamento!

Nisso, a maioria de nós é mestre em entender que um sintoma é sinal de algo errado, sinal de que é hora de cuidar da saúde e que os tais sintomas são uma maneira de ouvir o corpo dizendo: “Ei, acorda! É preciso olhar pra mim e lembrar que aqui dentro pode não estar tudo bem”!

Conversa interessante essa do corpo, mas claro que nem sempre é necessário darmos ouvido aos sintomas que o tal corpo usa como grito, pois alguns deles desaparecem da mesma forma que aparecem... Sem que tenhamos que tomar nenhuma providência ou se lotar de consultas médicas especializadas e remédios.

Mas também temos sintomas tão importantes, que de fato nos servem de alerta para entender que é mesmo hora de parar e ouvir os sinais corporais exalados através deles.

Bem, estou associando então os sintomas como um pedido de socorro do organismo para que cuidemos da saúde. Mas claro que também podemos ter sintomas que nem sempre são relacionados ao estado físico, ao orgânico, ao corpo.

O corpo também é capaz de ser porta voz das emoções que sentimos. É um caminho intenso de expressão e por isso também somos capazes de produzir sintomas corporais por questões emocionais vivenciadas.

Tive um professor que acreditava que cada ser humano “escolhe” um ponto de seu corpo para ser o seu grande porta-voz, assim, encontramos pessoas que se utilizam até sem perceber da cabeça como a forma de expressar que as emoções não estão sendo cuidadas, e assim representa em forma de enxaqueca, do estomago como prova das situações de estresse que não foram levadas em consideração, reproduzindo como gastrite, da garganta com inflamações constantes que em geral podem ser derivadas do constante hábito por não falar o que precisa e assim por diante.

Não sou nem um pouco defensora das generalizações, e por isso descarto a idéia de que todo sintoma, como os de enxaqueca, por exemplo, esteja ligado aos mesmos conflitos emocionais. Mas entendo sim que é um sintoma importante e que sua ligação com a vida afetiva é nítida e evidente. Cabe a cada um que sente buscar descobrir-se através de seus sintomas e de suas somatizações.

Neste ponto entramos no assunto tratamentos, e aqui, sempre há uma complicação. Ainda nota-se que em geral é mais comum a aceitação por tratamentos medicamentosos e medicinais em comparação aos tratamentos emocionais e afetivos. Quando surge um sintoma ao qual temos plena convicção de que não há fundo orgânico, encontramos a resistência a admitir-se instável nesse momento. É como se as pessoas torcessem para que o remedinho indicado por aquele médico de confiança fosse fazer toda a parte que cabe apenas a cada indivíduo.

Longe de mim a intenção de menosprezar a necessidade dos tratamentos médicos. Quero apenas ressaltar a importância de nos cuidarmos de maneira geral, de todos os aspectos e formas possíveis. Assim, se o estado emocional é um ponto de extrema importância para todo ser humano, e se somado a isso, é altamente capaz de produzir não apenas sintomas, mas também ajudar a agravar outras patologias, por que ainda há resistência em tratá-lo, em olhar para isso como mais um ponto da vida, sem preconceitos, sem resistência, sem medo?

É possível notar que essa resistência aparece muitas vezes relacionada a dificuldade de pedir ajuda, como se admitir que é necessário se cuidar fosse uma declaração de fracasso ou de incompetência. É como assumir fragilidade!

Penso justamente ao contrario. Fracos são os que não se dão ao direito de se sentirem melhores, e que, mesmo reconhecendo o quanto podem estar infelizes e adoentados, optam por permanecer nesse estágio, simplesmente pelo medo do que os outros hão de pensar se levantar a bandeira do “eu quero ajuda”.

Ora, convenhamos! O que pode ser associado mais facilmente à fraqueza: O ímpeto em se conhecer melhor, em se cuidar, em buscar uma vida mais saudável com qualidade de vida, apoderando-se de si mesmo e de suas capacidades, ou conformar-se com sensações de insatisfação e desconhecimento de si mesmo, correndo o risco de envolver-se constantemente com emoções distorcidas, mas por fim, mantendo aparências de pessoa bem resolvida e feliz?

Cada um que opte pelo seu caminho!!!


terça-feira, 22 de junho de 2010

Como chegamos ao outro...

Ver, tocar, cheirar, ouvir, saborear! Sentir!!

Cada um dos nossos sentidos é responsável por diversas formas de sentir e de experimentar o mundo, as pessoas, as coisas, as situações.

Apesar de quase sempre podermos experimentar com todos eles, as escolhas aqui também imperam e às vezes até mesmo sem notar optamos por desenvolver mais acentuadamente um desses sentidos.

Até aqui, não estou contando nenhuma novidade. O que me intriga e me faz pensar nesse assunto, é o quanto nos damos conta de qual sentido é mais desenvolvido em nós.

Temos pessoas que precisam do toque para se sentir com o outro, temos pessoas que ouvem muito, e por isso cada palavra é como se fosse uma revelação no relacionamento. Algumas pessoas possuem o olfato tão acentuadamente desenvolvido que o cheiro das pessoas é marcante e fala da personalidade delas, já outras pessoas que beijam e que encontram nos lábios a melhor forma de contato com o mundo. Por fim, mas não menos importantes têm pessoas que se utilizam do olhar como maneira de penetrar no mundo.

Seja qual a forma de se aproximar e de se manter em contato, os sentidos falam por si só, e deixam suas marcas não apenas em quem os desenvolve, mas também em quem recebe cada forma de relação.

Com base nisso, podemos entender que para cada um, os sentidos possuem significados diversificados, e somos sempre capazes de oferecer alguns sentidos inovadores.

Quando me dei conta disso, passei a observar qual o meu sentido mais aguçado, e pude perceber com clareza que apesar de depender da receptividade do outro para se aproximar através dos sentidos, ainda assim, sempre damos preferência a um deles. Assim, quem necessita do toque para conhecer e se sentir conhecido, precisa aprender a desenvolver o respeito para que possa tocar sem agredir. Da mesma maneira, alguns olhares podem ser tão penetrantes e íntimos que se não vierem carregados de respeito podem se tornar ofensivos e até invasivos.

Tudo depende da intenção da aproximação e claro, da receptividade que encontramos!
Vejo de maneira muito bela poder desenvolver demonstração de afeto de maneiras tão diversificadas. Claro que o cuidado com a percepção faz parte do uso dos sentidos, pois é ela quem norteia os caminhos a se seguir e quem nos dá indícios se a aproximação é bem vinda ou invasiva. E não me refiro aqui apenas a relacionamentos amorosos, pelo contrario, pois nesses, a aproximação se torna tão objetiva que nem sempre desenvolvemos a percepção de como isso se dá.

É nas relações do cotidiano que nos mostramos e que percebemos nossa forma de lidar com o mundo. Tive um cliente que me dizia com muita freqüência que minhas sobrancelhas expressavam a ele muito mais que minhas palavras, e que costumava se nortear pelo que expressava através delas. Outro que possuía o toque muito desenvolvido costumava me dar abraços bastante afetuosos quando chegava para a sessão, mas não os mantinha na saída pois não sabia lidar com as despedidas. Uma terceira pessoa ainda, me relatava com freqüência que a fragrância do meu consultório caminhava com ela ao longo de toda a semana, e que a ajudava a
pensar em suas emoções.

E assim vamos encontrando ao longo de cada caminhada que não há regras para se lidar com o afeto, e que os expressos por meios ocultos (como a expressão corporal e o uso dos sentidos) podem ser até mais ricos que a utilização das palavras.

Agora pense em você... Como se aproxima das pessoas, e qual sentido percebe possuir como seu cartão de visita?

sábado, 19 de junho de 2010

O choro tem seus significados...

Aprendemos desde pequenos que o choro carrega consigo alguma frustração, alguma dor, algum incomodo... Não é raro nos pegarmos pensando o que acontece com alguém que se debulha em lágrimas, e por isso sempre mantemos algumas associações com tal comportamento.

Quando vemos um bebê chorar, logo pensamos que o mesmo se encontra com dor, com fome, com sensações de solidão... Ou seja, o choro significa perturbação! Como o pequeno ser não se expressa por palavras, o choro é um forte aliado, e todos sempre o entendem como: Mexam-se, estou mal!

Crescendo um pouco, percebemos que o choro continua carregando consigo sensações perturbadoras, no entanto, a intensidade é que varia e que começa a ser entendida como dor.
Assim, choramos por medo, choramos por dor, choramos porque somos frustrados por nossos pais, choramos porque os amigos não sabem o quanto gostamos deles... Choramos! Às vezes até mesmo sem saber por que, mas choramos!

Ainda crescendo, entramos na adolescência... AH que fase difícil!! E difícil não para os pais como ouvimos dizer por ai, mas difícil para quem vive esse momento. Não somos considerados adultos e por isso não há autonomia para tal, mas também não somos considerados crianças e por isso respondemos por nossas atitudes. Mudanças físicas bruscas, muitas decisões para se tomar, a ânsia de crescer mesclada com o medo de crescer... Enfim, gangorra de emoções e de novo, choro e muito choro! Mas já nessa fase, começamos a descobrir que também choramos por amor, por gostar demais, por descobrir o beijo e as primeiras relações afetuosas fora das que são padrões na infância. E como essas experiências podem ser difíceis!

Com tudo isso, começa a se caracterizar os amplos significados que podemos oferecer as lágrimas, não mais focadas em perturbação e dor. E com isso aprendemos que podemos chorar para expressar emoção, para expressar afeto, para demonstrar falta de palavras, para impor respeito... O choro vem então repleto de enigmas, e quanto mais amadurecemos, mais somos capazes de oferecer novidades as lagrimas!

O quanto não é bom ver alguém chorando de euforia ou porque alcançou algo muito desejado ou batalhado? E o quanto não é animador ver alguém chorando de tanto rir, como auge da expressão de divertimento?

Conheço pessoas que se expressam pelas lágrimas muito mais que com as palavras. E mesmo choro sendo sempre choro, pelo olhar que as lagrimas acompanham, é possível notar se o choro carrega consigo emoção, comoção, amor, alegria, ou ainda ódio, raiva, tristeza e dor.

Mas também conheço pessoas que entendem as lágrimas como demonstração de fraqueza, de fracasso e de falta de estrutura. Fogem delas com tal afinco que quando aparecem carregam associações terríveis e mais dolorosas do que seria necessário.

Não é novidade que durante uma consulta terapêutica as pessoas vêm facilmente as lagrimas. Aqui novamente é possível notar diversas formas de se lidar com isso. Constrangimento, vergonha, raiva ou ainda alivio, satisfação, permissão.

Entendo que as lágrimas nunca estão sozinhas. Assim, sempre que elas aparecem outras questões já se fazem presentes. Como terapeuta, aprendi a respeitar o choro do outro como um sinal, e não como dor. E claro que com todos esses significados, me sinto muito bem quando alguém se permite dividir comigo suas lágrimas, carreguem elas o que a dor ou qualquer forma de amor, mas é uma forma de me mostrar que eu entrei em suas vidas, e que tenho permissão para trabalhar.

Nesse trabalho, também aprendi a respeitar minhas próprias lágrimas. Tanto as que saem por questões apenas minhas, quanto as que são causadas em silêncio pelo sofrimento de quem as divide comigo ou pela alegria de quem compartilha. Seja como for, também aprendemos enquanto terapeutas a chorar em silencio, sem que as lágrimas caiam, o que não deixa de ser mais um dos inúmeros significados que o choro pode carregar consigo.

Enfim, independe por que lado a experiência das lágrimas nos tomem, aprender a lidar com elas não é um processo leve nem tão pouco simplista. Quisera eu conseguir ao menos me aproximar e entender o que cada lágrima que rola é capaz de expressar, ou ainda o que cada repressão é capaz de carregar consigo.

Seja como for, é uma forma de expressão, tanto a permissão quanto a repressão, e uma forma de expressão que conversa com quem está atento a isso. Basta estarmos dispostos a olhar, e entender que tanto a facilidade quanto a dificuldade de expressá-lo são significativos e continuam falando do nosso lado mais íntimo.


quinta-feira, 17 de junho de 2010

Estar com


A grande magia da vida está ligada aos relacionamentos que somos capazes de estabelecer. Segundo Nietzsche, não somos seres sociáveis e por conta de viver assim nos forçamos a situações com as quais não estamos preparados para lidar. Concordo com ele, ao mesmo tempo em que discordo... Confuso, eu sei... Mas vou tentar me apegar ao ponto do discordo para em outro momento concordar!

Trabalhando com “gente”, é possível ver que cada vez mais são as relações e as maneira que lidamos com elas que nos levam ao desenvolvimento dos conflitos e, conseqüentemente a busca por soluções e auxílios, como a terapia, por exemplo.

Ora, mas se estou dizendo que as relações são causadoras de conflitos, então aqui está à prova de que de fato não somos feitos para viver com o outro! Discordo novamente... Pois, com a mesma intensidade em que os conflitos surgem, vemos que é com o cuidar das relações e o estar bem com o outro que faz com que as pessoas se realizem.

Vejo de fato o estar junto como uma das grandes magias da vida. E o quanto é difícil estar junto, apenas estar com... Sem cobranças, sem comportamentos pré-estabelecidos, sem julgamento, sem expectativas... Apenas estar com!

É justamente esse o ponto mais importante dos processos terapêuticos, se colocar junto. Não existe mágica, não existe receita pronta, não existe resposta certa pra todas as questões. Mas existe o estar junto e permanecer junto, em toda e qualquer circunstância. Afinal, não podemos sentir de fato a dor do outro, não podemos sequer diminuí-la com as próprias mãos, mas podemos estar junto para agüentar todos os momentos.

Nos contatos cotidianos que estabelecemos, o quanto somos capazes de estar junto, sem cobrar, sem julgar, sem esperar, sem criar fantasias? Estar com, implica em aceitar entrar no mundo do outro, e não tentar trazê-lo para o que acreditamos ser o melhor mundo (o nosso). Implica em entender que não existe certo e errado, existe aquilo que damos conta e que nos faz bem e aquilo que nos custa caro e nos traz sentimos ruins.

Se permitir estar junto pode ser um esforço muito intenso, mas os resultados que proporciona é tremendamente mais intenso.

Estamos acostumados a esperar demasiadamente do outro e a julgar todas as atitudes, mesmo que de forma imperceptível. O estar junto vem em contraposição a isso, pois para se estar verdadeiramente com o outro, é preciso se desarmar e se desfazer de todos os conceitos prontos.

Estamos acostumados com a idéia de que quem ama busca o melhor para o outro, e até nisso nos permitimos viver pelo outro e não com o outro. É como se o amor que sentimos nos desse o direito de decidir como as pessoas devem viver e experimentar a vida. Tremendo erro! Escolher e determinar os caminhos alheios não elimina os possíveis sofrimentos, apenas gera frustrações, pois sofrer por caminhos impostos pode ser mais doloroso que sofrer por caminhos escolhidos. Assim como estar feliz por caminhos escolhidos, é infinitamente mais gostoso que alegrar-se por caminhos impostos.

Estar junto, e apenas estar junto, pode intensificar os relacionamentos! Depende do quanto estamos dispostos a enfrentar esse desafio!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Namorar...

Ouvimos muito falar sobre isso por conta do dia dos namorados... Mas me peguei pensando sobre o namorar, sobre o significado que essa palavra pode ter ou sobre o significado que podemos atribuir a ela.

O que é namorar afinal? Será que é apenas relacionar-se com o outro, manter um compromisso, ir ao cinema juntos, ter programas a dois, gostar de se arrumar para o outro... e tantas outras coisas que posso colocar aqui como comportamentos que mantemos quando estamos namorando?

Pra mim não! Claro que esse tipo de namoro é muito bom! Isso é mesmo indiscutível. Mas me peguei pensando no namoro além do sentido sexual que possa carregar, em atitudes, maneira que possamos desenvolver e que se assemelhe a essa coisa de “namorar”.

Entendo que namorar envolve muito mais que tudo isso. Envolve o estar aberto a situações e poder desenvolver o gosto por namorar a si mesmo. Se utilizarmos a palavra curtir junto com o namorar, pode ser que se torne de fácil acesso o sentido que estou buscando dar ao namorar.

Curtir os momentos, aproveitar os sentimentos, namorar a si mesmo!
Ouvi muitas vezes no ultimo final de semana, no qual participei de um curso vivencial com um psicólogo que todos deveria ter a oportunidade de conhecer um dia a seguinte frase: “Fique com essa sensação, e namore o que está sentindo”! Claro que a principio fiquei pensando no que ele esperava que surgisse, mas rapidamente me entreguei ao namorar a mim mesma e as minhas sensações.

Como é bom poder curtir-se! E com isso, podemos perceber que namorar é muito mais amplo do que criamos. Não existem limites, nós que os fantasiamos.

Podemos namorar a família, os amigos, os ambientes, as circunstancias, a si mesmo... Quem aprende a namorar a si mesmo, sem duvida pode ser um namorado mais companheiro.

Talvez aqui esteja uma das grandes lições da vida: Aprender a ser namorador (a)! Mas com qualidade de verdade, colocando nisso todo o carinho possível e toda atenção possível!

Quem sabe não é um tremendo passo para aprendermos a estar com o outro com qualidade, afinal, estar consigo com qualidade, pode abrir diversos caminhos. E sem duvida aprender a namorar, mas com todas essas entonações que aqui trago, pode ser um intenso encontro consigo mesmo!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Por que gostar ou por que explicar???

Gostar!! Que sensação deliciosa. Podemos gostar de tantas coisas, de tantas pessoas, de tantos lugares, de tantos sabores...

Gostar é o que faz os momentos ganharem brilho e se tornarem marcantes.

Gostar é o que nos ensina a fazer escolhas e seguir caminhos em busca de prazer e sentimentos. Gostar é o que nos faz querer conviver com as pessoas e cuidar para que o relacionamento seja especial.

Mas afinal, por que gostamos das pessoas, das coisas, de determinadas situações?
É fácil determinar que gostamos... As sensações são claras e a satisfação que experimentamos com os gostar inesquecível e inconfundível.

No entanto, fui instigada a pensar no por que gostamos... Estamos acostumados a ter por quês para todas as coisas que fazemos, para todos os pensamentos que desenvolvemos, para todas as atitudes que tomamos. Com isso nos habituamos aos questionamentos do por que sentir... Está com medo? Por quê? Está se sentindo sozinho? Por quê?

Pois bem, acho que agora é o momento de pensar no por que das explicações, e o quanto podem tornar-se excessivas, fazendo com o que os sentimentos percam a graça por si só.

Sentir já é ótimo! Não há necessidade de explicar!

Aprendi com um psicólogo, fantástico por sinal, que nós gostamos de muitas coisas, apenas por gostar. É o “gostar de graça”!

E o quanto é bom gostar de graça! Quanto é gostoso, sentir que o outro te cativa apenas por existir e que não carrega consigo nenhuma expectativa ou obrigatoriedade de ser dessa ou daquela maneira.

Dando uma boa olhada ao redor, nos relacionamento que podemos manter, é possível notar o que sentimos pelas pessoas que estão por perto. O que nas pessoas nos faz gostar delas? Acredito que seja notável o quanto somos capazes de gostar de alguém totalmente de graça

Aquela pessoa que cativa apenas com o olhar, ou melhor, apenas pelo nosso olhar, pois quando olhamos sem entender bem a explicação que isso carrega consigo, nos sentimos próximos e com vontade de estar mais próximo ainda. É o gostar de graça!
Daqui surge outra reflexão... Se somos capazes de gostar de graça, apenas por gostar, também somos capazes de despertar esse gostar, sem justificativa e sem precisarmos de grandes atitudes para que isso ocorra.

Noto que cada vez mais as pessoas se preocupam com o que precisam fazer para agradar e para conquistar. O tal do não saber dizer não está bastante envolto neste estigma, pois talvez se eu disser não, o outro deixa de gostar de mim! O não falar de suas necessidades e de suas frustrações também está ligado a isso, pois se talvez se eu não for exatamente como o outro espera que eu seja, não goste de mim de verdade.
Oras, que situação ingrata. Então somos dignos de afeto apenas quando correspondemos as expectativas alheias? Isso transforma as relações em mecânicas e distantes, pois não expressão de fato do que se sente e do que se é de fato.

Diante de tudo isso, a visão do poder gostar de graça me tocou e me cativa. É o trazer naturalidade para as coisas, de modo que nos libertemos de todos os protocolos que criamos para nos envolvermos com o outro.

É o prestar mais atenção em si, para que com isso tenhamos mais consciência do quanto podemos ser simpáticos, afetuosos, amorosos, com espontaneidade, ou ainda mal humorados, irritados e amargos, mas com a mesma espontaneidade.

Quem aprende a gostar de graça, não se incomoda com o lado falho. Pelo contrario! Passa a entender que o outro é humano e que possuir momentos de fragilidade só nos aproxima mais e mais!

Então, que venham os momentos bons e ruins, que experimentemos mais de nós e que possamos entender que quando gostamos de graça, apenas por gostar, a relação pode ser muito mais envolvente e duradora, já que não carece de condições para ser mantida!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sentir através dos sentidos!

Já expressei o quanto somos capazes de sentir através do olhar e o quanto isso se torna significativo quando estamos dispostos a desenvolver mais.

Percebemos pelo olhar e somos carentes do olhar tanto para aprovação quanto para rejeição. No entanto, somos capazes de “sentir” de tantas outras maneiras, que a visão pode tornar-se apenas um complemento.

O quanto um perfume característico não é capaz de trazer para o momento determinadas sensações já vividas? O quanto o toque pode suscitar segurança e afeto? O quanto às músicas produzem determinadas expectativas e nos ligam as pessoas através do simples som? Cada um dos sentidos permite que nos conectemos as pessoas ou aos momentos, trazendo sempre consigo determinados sentimentos.

Ao se falar, por exemplo, do olfato, aposto que rapidamente vem a mente de todos alguém especial, com aquele cheirinho tão inconfundível que é quase possível sentir a presença desta pessoa quando se percebe esse cheiro. E não digo isso focando apenas na ligação entre casais, mas sim focando nas diversas pessoas com as quais convivemos e que de alguma forma nos marcam com o perfume que exalam.

Pense o quanto a casa das avós tem cheiros tão peculiares que em qualquer local que o sinta se regressa rapidamente a infância. Amigos, colegas de trabalho, crianças... Somos capazes de nos envolver pelo olfato e de identificar em cada relação que mantemos diferentes cheiros e diferentes emoções suscitadas por eles.

Além do olfato, me vem à mente outro sentido que é capaz de expressão de sentimento e sensações sempre que utilizado, e que traz diversos temas para reflexão. O tato, que produz o toque.

O toque tem poderes altamente terapêuticos, pois através do toque é possível transmitir não só calor, como afeto, energia, segurança. Não é ao acaso que os projetos para cuidado de prematuros hoje, englobam não mais as incubadoras, que promovem isolamento do ser tão indefeso, mas sim o aconchego do colo dos pais ou cuidadores, no qual o afeto é transmitido todo momento, e com isso a segurança tanto dos pais quanto do pequeno bebê passa a ser uma forte aliada para o desenvolvimento.
Bem, que os sentidos podem estar ligados ao prazer e a troca de afeto. No entanto, também somos capazes de lidar com os nossos sentidos de maneira a repudiar o que percebemos.

Um odor que desagrada, pode causar tamanha repugnância não só de pessoas quanto a locais e circunstâncias. Um toque vivenciado no momento inoportuno pode desenvolver aversão aos demais toques que virão. Um olhar de intensa desaprovação é capaz de intimidar e reprimir diversas expressões de sentimentos.

É preciso estar atento ao que transmitimos e ao que estamos dispostos a receber. Pois nós seres humanos, temos tanto a capacidade de agregar valores quanto de destruí-los, mesmo através de simples gestos.

Entendo o uso dos sentidos como algo intensamente enriquecedor para os relacionamentos que mantemos, mas também entendo que precisamos cuidar com primor de todas as formas de expressá-los, pois, somos capazes de invadir a individualidade do outro e com isso gerar explosão de agressividade. E assim o é com todos os sentidos.

É preciso muito respeito para se expressar afeto, em especial quando o interesse é se criar laços afetivos. Prezando por isso, as marcas que deixamos e que recebemos, sempre valerão à pena!





quarta-feira, 9 de junho de 2010

Fazer valer à pena!

O que pode valer à pena? Tudo? Nada? O que vivemos ou o que deixamos de viver?
Essa frase fala muito por si só, e mostra-se muito significativa se olharmos para os sentimentos que podemos expressar através dela.

Um amor pode valer à pena, mesmo que o fim não venha a ser como vemos nos filmes românticos... Para tanto, é preciso que todos os momentos sejam vividos e experimentados com toda a intensidade possível.

Arriscar pode valer à pena, desde que para tanto se esteja disposto a olhar para todas as probabilidades, tanto a satisfação, quanto a insatisfação, mas que mesmo assim, o simples gesto de se sentir arriscando possa ser algo que faça todo o restante de fato valer à pena.

Perder pode valer à pena, se estivermos dispostos a aprender com todos os momentos que experimentamos e entendermos que o ponto final nem sempre precisa ser da maneira como imaginamos para ser bom.

Mudar de rumo pode valer muito à pena, em especial se não encararmos como fracasso e sim como reconstrução dos objetivos.

Arrepender-se, acertar, errar, querer mais, escolher, apaixonar-se, manter amigos, romper laços afetivos, permitir que os ciclos se finalizem, dizer o que sente... Qualquer expressão de sentimento pode valer muito à pena, mesmo que em algum momento não seja recíproco ou que o outro não esteja preparado para nos receber. E quanto é bom ser surpreendido com os sentimentos de quem nos rodeia!!

Entendo que é o que nós seres humanos temos de mais precioso na vida... A possibilidade de falar sobre o que sentimos e com isso fazer valer à pena os relacionamentos que estabelecemos.

Isso sim é troca! É aprender que o que sentimos fica muito mais intenso quando
dividimos e expressamos. É conseguir aceitar os afetos que nos rodeiam sem resistência ou sem temor. Pois sem duvida alguma, a vida pode ser muito mais leve do que imaginamos, desde que pra tanto nos coloquemos mesmo dispostos a FAZER VALER À PENA todas as experiências!

Que tal fazer sua própria lista do que pode valer à pena pra você nesse momento? Tenho certeza que pode se surpreender com suas possibilidades e trazer mais brilho para circunstancias já vividas!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Dizer sim! Dizer não!

O que é mais difícil de dizer, o sim ou o não?

Como todas as questões levantadas aqui, não há uma resposta universal, e está totalmente ligado com a individualidade de cada um. Portanto para algumas pessoas, pronunciar o sim é pratico e indolor e o não apresenta um pouco mais de dificuldade, enquanto para outros o não é habitual e o sim necessita de mais esforço e reflexão.

Ambas as palavras foram feitas para serem ditas! Inclusive na mesma proporção... Dizer não pode mostrar limites, o quanto respeitamos a nós mesmos e temos consciência de nossas escolhas e vontades. Dizer sim pode mostrar aceitação, afinidades.

A dificuldade em dizer não, pode estar ligada a dificuldade em lidar com a frustração, com o quanto não estamos prontos para recebermos o mesmo não e o quanto temos medo do afastamento das pessoas quando ouvem essa palavra. Além disso, pode implicar em tamanha falta de respeito por si mesmo, por passar por cima de seus próprios ideais na busca por aceitação constante. Quem diz sim todo o tempo, em geral pode estar rodeado de pessoas, mas será que se satisfaz com suas escolhas não feitas? Será que realmente tem as pessoas por perto, ou apenas a conveniência de se conviver com alguém que nunca diz não é o que mantém a proximidade?

A dificuldade em dizer sim, nos remete a dificuldade em lidar com o afeto e com a proximidade nos relacionamentos, pois se torna natural desistir de alguém que nunca está aberto e disposto a nada! Mas será mesmo que quem diz não está fechado para as relações ou apenas possui um forte temor para transpor essa barreira?

Diversas são as formas de se gerar essas dificuldades, e hoje em especial podemos notá-las na educação de forma bastante escancarada. Vemos pais que dizem sim aos filhos por todo o tempo, na tentativa de suprir emoções e a própria relação que se torna distante. Não estou presente, mas o sim vai concertar tudo aquilo que não fui capaz de proporcionar... Ledo engano!

Claro que as conseqüências dessa forma de educar, são cada vez mais desastrosas, pois geramos pessoas com baixíssima tolerância as dificuldades da vida, acreditando viver num mundo irreal onde todas as vontades são supridas e todos os sonhos conquistados. Também vemos casais que preferem passar por cima dos próprios desejos a dizer não um ao outro, pelo medo de que a magia da relação termine. Vemos amigos com receio de não manterem proximidade se contrariarem com a simples palavra não.

E assim, os contatos se tornam cada vez mais vazios, mais distantes do que se sente e mais superficiais. Não somos robôs, e não deveríamos agir como tal.

Tanto o sim quanto o não são necessários para constituir o caráter do ser humano, bem como fator determinante na forma de nos envolvermos com as pessoas ao nosso redor.

Um sim com convicção pode valer muito mais que diversos sims ditos apenas para preencher o vazio. Um não com propriedade, sem dúvida pode livrar-nos de situações difíceis e de problemas pelos quais não desejamos passar.

É preciso encarar que não somos feitos de cristal e que nenhum ser humano no mundo é capaz de se desfazer por lidar com suas frustrações e com os empecilhos que a vida nos apresenta. E nisso já entro em outro tema, a dificuldade de ouvir o sim e a dificuldade de ouvir o não! Mas esse fica pra próxima... Primeiro vamos aprender a dizer, e quem sabe o ouvir se torne conseqüência desse processo!

sábado, 5 de junho de 2010

Sentir-se dependente...

Levando a palavra dependência ao seu mais simples significado, entendemos que é uma conexão extrema, um estado de precisar de algo, ou ao menos acreditar que precise... Esse ponto de ao menos acreditar que precise, surge da idéia de que podemos ter duas formas de dependência, sendo a primeira delas física e a outra emocional.

A dependência física pode ser gerada por diversos elementos e por diversas químicas diferentes, desde um simples café, chocolate ou coca-cola, até substancias mais danosas para o organismo como ervas e químicas.

Mas quero ater-me as questões emocionais que nos envolvem em qualquer maneira possível de nos sentirmos dependentes, sejam de matérias, químicas, pessoas ou situações.

Qualquer que seja o objeto gerador desse sentimento, as conseqüências emocionais que são trazidas como “brinde” podem ser bastante desastrosas. A sensação de impotência e de culpa é forte e é possível notá-las após uma crise na qual se nota a entrega pela dependência.

Olhemos para a dependência afetiva. Podemos nos sentir tão ligados a determinadas pessoas que nos tornamos suscetíveis a elas, passando a acreditar que o “outro” é imprescindível para tocar a vida de forma satisfatória. Mas será mesmo que é esse tipo de sentimento que uma relação deva gerar? Se sentir precisando do outro pode, ao invés de gerar uma sensação de conforto, gerar uma sensação de fragilidade conjuntamente com insegurança, pois, se é preciso que o outro preencha o meu dia, é porque não me sinto capaz de fazê-lo sozinha.
Vivemos intensas trocas em diversas formas de relacionar-se, seja com amigos, familiares, namorados (as), companheiros de trabalho, colegas, filhos... Com cada uma dessas pessoas desempenhamos papéis distintos, mas carregamos em todos eles as mesmas essências, os mesmos moldes de personalidade. Então por que nos tornamos dependentes de alguns e de outros não?

Talvez a resposta esteja ligada com o quanto esperamos que o outro facilitasse a nossa vida emocional, preenchendo-nos com sentimentos que ás vezes nem nós mesmos possuímos. Ou ainda o quanto é mais fácil ceder às idéias e expressões alheias, nos deixando tornarem-se manipuláveis para que não haja frustrações.

Entendo o depender como uma sensação de vazio, de incapacidade de resolver determinadas questões por si mesmo, ou mesmo de se sentir feliz por si mesmo. É a busca por soluções que não são suas, e que talvez possam resolver os problemas vividos.

Depender anula ou enfraquece as expressões tanto de sentimentos quanto do próprio comportamento que podemos oferecer as pessoas, pois passamos a ser apenas o espelho refletor ao invés de seres individuais.

Com a experiência clinica, é possível notar que de alguma forma os laços afetivos que são criados nas relações dependentes são tão intensos que a auto-percepção passa a ser minimizada pelo impacto da presença do outro.

Se pudermos avaliar constantemente como nos envolvemos com as pessoas e o que nos mantém atrelados a elas, certamente descobriremos que o que mantém a proximidade e as afinidades pode ser simplesmente ser você mesmo e manter-se em si. Afinal de contas, não somos extensões das relações que mantemos, mas sim pessoas capazes de dar e oferecer afeto, fazer parte do mundo do outro e ainda assim voltar-se a si para satisfazer-se com suas próprias emoções.

Uma relação provedora de dependência dificilmente trará bons desenrolares, mas sim fadiga e baixa auto-estima.

Entendo que temos muito mais a oferecer do que apenas agir da forma esperada pelo outro. No entanto, só saberemos ao certo o quanto pode ser bom, se tentarmos nos desligar do esperado e apenas agirmos por nós mesmos. Se o outro não nos aceitar, que pena! Só nos cabe tocar a vida e entender que certamente alguém o aceitará.