quarta-feira, 5 de maio de 2010

Tristeza: normal ou patologico?

Tristeza!!

Quem nunca se sentiu assim? Será um privilegiado ou uma pessoa muito infeliz quem nunca experimentou essa sensação de estar triste?

Alegria, raiva, ciúmes, amor... Esses sentimentos parecem ser mais aceitos pelos seres humanos do que a própria tristeza... É como se sentir-se assim fosse algo anormal e assim nos leve a busca de uma explicação patológica.

Oras, se alegria é aceitável e não nos leva a buscar ligação com algo anormal, por que a tristeza seria diferente?

Não é raro receber no consultório, pessoas que se acreditam “doentes” e precisando de ajuda, por se encontrarem em um momento difícil de vida, em que a tristeza aparece. É como se o chorar fosse proibido, e por isso nos acostumamos a reprimir tudo o que sentimos e a camuflar os sentimentos mais fortes na busca por desaparecer com eles ou transformá-los em algo bom.

Entendo que há um aumento significativo nas incidências dos quadros depressivos, mas isso não nos leva a entender que todo episódio de tristeza possa estar relacionado com isso. Banalizar as patologias, transformando-as em comuns e freqüentes, só nos leva a perder a qualidade dos tratamentos possíveis, pois, se todas as pessoas que choram podem ser consideradas depressivas, teremos muito mais “doentes” que pessoas sãs!

Convenhamos, a vida nos leva a momentos tão complicados e pesados, que em diversas situações só nos resta chorar e permitir que a tristeza se achegue. Fugir disso e buscar mascará-la aumenta as possibilidades de desenvolver de fato um quadro mais complicado de se lidar e aí sim, nos conduzirmos à patologia.

Amores mal resolvidos e mal acabados nos levam a sentir tristeza. Problemas de saúde nos fazem sentir impotência, problemas financeiros constantes ajudam a desenvolver sensação de fracasso, luto nos traz a sensação de finitude... E tantas outras situações da vida que desenvolvem involuntariamente sentimentos diversos dentro de cada um de nós.

Determinar como poderemos lidar com cada uma dessas situações, somente passando por elas. Mas permitir-se sentir é humano, e sem dúvida, a tristeza também nos fortifica e amadurece.

Somos gente em primeiro lugar, que sentimos. O sentimento isoladamente, nada representa. E mesmo com nomes semelhantes para os meus e os seus sentimentos, os vivemos de maneira diversas, cada um dentro da sua individualidade!

Não pretendo e nem quero com isso minimizar o impacto das patologias e dos diagnósticos. Mas que elas possam ser utilizadas apenas quando necessárias, e que essa não seja a primeira preocupação de quem vivencia esses sentimentos, mas sim buscar conhecer-se um pouco mais e aprender a lidar com as situações que nos surpreendem, independente de que nome possa se oferecer a isso! Até porque, o ser humano pode ser muito mais que um amontoado de diagnósticos e nomes difíceis.

2 comentários:

  1. Agora tem paciente até que se auto- diagnostica DDA! rs
    Parabéns pelo texto. Muito bom
    beijos
    Juju

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  2. Sempre fomos ensinados que homem que chora não é homem de verdade mas a Vida nos ensina que não é assim. Chorar literalmente é colocar em "forma liquida", várias coisas que estavam presas dentro de uma barreira que nós mesmos criamos dentro de nós. Ainda bem que existam pessoas que provoquem e nos fazem colocar para fora e assim............ a Vida volta a ficar mais gostosa........ mais suave.*Nota: acho que estou virando cobaia de alguém..... rsss. Beiju

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