segunda-feira, 31 de maio de 2010

Apenas sentir

Que relação será que estabelecemos das palavras com os sentimentos?

A palavra saudade, por exemplo, não existe em todos os vocabulários... Mas será que nas línguas em que ela não se encontra rotulada as pessoas também não a sentem?

Se a resposta for sim, então precisamos das palavras para sentir? E se a resposta for não, então o sentimento é apenas sentimento e não necessariamente precisamos da linguagem para expressá-lo?

Sentir não requer razão e tão pouco o uso da lógica... Ao contrário disso, sentimento é anti qualquer definição possível e imaginável com o uso da racionalidade e das explicações formais. Nem sequer precisamos disso... Apenas sentimos!

Tente entender a sensação de ciúmes, mesmo quando a situação não instiga o desenvolvimento desse sentimento... Ciúmes é apenas ciúmes, independente do quanto pode ser provocado pelo mundo exterior ou apenas surge do mundo interno. Não quero desconsiderar que o mundo ao nosso redor é gerador de sentimentos, mas quero levantar a reflexão para entendermos que não obrigatoriamente surja disso, mas sim de nós mesmos, de momentos vividos anteriormente, da historia que carregamos, das relações que aprendemos, dos sentimentos que recebemos, do momento de vida em que nos encontramos... Enfim, os sentimentos são nossos... E apenas nossos!

Por mais que busquemos constantemente técnicas e maneiras claras para aprendermos a sentir e a transmitir sentimentos, quem garante que podemos sentir da mesma maneira e que entendemos o que sentimos da mesma forma?

Prefiro mesmo acreditar que não! E vou além... Levanto a possibilidade de ser exatamente a maneira de sentir diferente de cada um de nós que nos torna pessoas únicas e especiais. Capacidades intelectuais podem ser desenvolvidas, conceitos podem ser aprendidos, técnicas podem fazer parte do dia a dia, mas sentir é individualizado e diferenciado para cada ser humano.
Podemos até tentar expor como sentimos e porque sentimos, mas nada é capaz de comprovar que a forma de vivenciar a tristeza para duas pessoas possa ser um padrão, ou que felicidade ocorre sempre como um modelo, ou ainda que a minha saudade seja igual a tua saudade!

Vivemos num momento, onde todos buscam por fórmulas mágicas, padrões de comportamentos e receitas prontas para viver, para aprender e com isso para sentir, focando sempre na tentativa de errar menos e com isso obter mais satisfação. No entanto, não existe formula mágica nem para a felicidade nem para outra qualquer forma de expressar o que vivemos e sentimos.

Claro que se falar de felicidade grande parte de quem ouve entenderá o que se diz... Apenas levanto a possibilidade de sentirmos mais, experimentarmos mais e buscarmos explicar menos.
Se alguém conta que sente saudade, a probabilidade de se entender que trata-se da falta de algo, de alguém, ou de algum momento vivenciado no passado é bastante grande. O que ninguém pode de fato determinar com propriedade, é como essa saudade é experimentada, como é conviver com ela, se isso causa sofrimento, se causa bem estar e satisfação por se tratar de um bom momento experimentado... Enfim... A saudade é de cada um, e cada um se relaciona com seus sentimentos de forma única e particular!

Por isso precisamos sentir mais e explicar menos, experimentar mais e racionalizar menos, ousar mais e reprimir menos! Conceitos formados não nos ajudam a sentir e tão pouco a nos relacionarmos com o que experimentamos. Só nos afastam de nós mesmos. Os sentimentos despertos podem ser grandes companheiros, e agregar muito mais valores ao cotidiano do que estamos acostumados. Não custa experimentar!!!!

3 comentários:

  1. A saudade se encontra em todas as linguas de forma diferente, é que brasileiro quer se sentir importante tratando a saudade com melancolia (viu blog Alexandre Boaventura...rs) Amei o texto! Experimento todos os dias, e vc? A propósito: TE AMO!

    ResponderExcluir
  2. Com certeza, sentir é algo único, ninguém pode mensurar o tamanho da felicidade, da saudade, do ódio, do amor de outrem. "Cada um sabe de sua dor e de sua alegria", o que para uns parece ser besteira e sofrimento tolo, para o outro pode ser infinitamente mais dolorido. Creio que o problema não é apenas racionalizar, mas também desejar que as coisas sejam "fast food", fáceis e rápidas de serem "digeridas"...e sentir exige de nós muito mais que isso, exige uma atenção sem juízo moral, um ouvir o seu próprio corpo , um estar atento sem ser crítico.
    Um ótimo tema para se pensar, seu blog me faz verdadeiramente "ler com as sensações"...
    Um beijo grande

    ResponderExcluir
  3. Existem métodos que determinam boas práticas para a conduta em diversas áreas do conhecimento.

    E isso tende a crescer cada vez mais.

    E, pelo menos pra mim, é bom crer que não haverá método que faça alguém sentir as coisas de modo adequado, correto. O sentir é de cada um, de uma forma única e indefinivel universalmente.

    E esta imprevisibilidade, esta falta de padrão, é o que nos tira da mesmice, que nos surpreende.

    Eu sei que estou pegando carona em um post do meu blog (rs), mas foi inevitável fazer esta conexão !

    ResponderExcluir

Obrigada por me deixar seu recado!!