segunda-feira, 31 de maio de 2010

Apenas sentir

Que relação será que estabelecemos das palavras com os sentimentos?

A palavra saudade, por exemplo, não existe em todos os vocabulários... Mas será que nas línguas em que ela não se encontra rotulada as pessoas também não a sentem?

Se a resposta for sim, então precisamos das palavras para sentir? E se a resposta for não, então o sentimento é apenas sentimento e não necessariamente precisamos da linguagem para expressá-lo?

Sentir não requer razão e tão pouco o uso da lógica... Ao contrário disso, sentimento é anti qualquer definição possível e imaginável com o uso da racionalidade e das explicações formais. Nem sequer precisamos disso... Apenas sentimos!

Tente entender a sensação de ciúmes, mesmo quando a situação não instiga o desenvolvimento desse sentimento... Ciúmes é apenas ciúmes, independente do quanto pode ser provocado pelo mundo exterior ou apenas surge do mundo interno. Não quero desconsiderar que o mundo ao nosso redor é gerador de sentimentos, mas quero levantar a reflexão para entendermos que não obrigatoriamente surja disso, mas sim de nós mesmos, de momentos vividos anteriormente, da historia que carregamos, das relações que aprendemos, dos sentimentos que recebemos, do momento de vida em que nos encontramos... Enfim, os sentimentos são nossos... E apenas nossos!

Por mais que busquemos constantemente técnicas e maneiras claras para aprendermos a sentir e a transmitir sentimentos, quem garante que podemos sentir da mesma maneira e que entendemos o que sentimos da mesma forma?

Prefiro mesmo acreditar que não! E vou além... Levanto a possibilidade de ser exatamente a maneira de sentir diferente de cada um de nós que nos torna pessoas únicas e especiais. Capacidades intelectuais podem ser desenvolvidas, conceitos podem ser aprendidos, técnicas podem fazer parte do dia a dia, mas sentir é individualizado e diferenciado para cada ser humano.
Podemos até tentar expor como sentimos e porque sentimos, mas nada é capaz de comprovar que a forma de vivenciar a tristeza para duas pessoas possa ser um padrão, ou que felicidade ocorre sempre como um modelo, ou ainda que a minha saudade seja igual a tua saudade!

Vivemos num momento, onde todos buscam por fórmulas mágicas, padrões de comportamentos e receitas prontas para viver, para aprender e com isso para sentir, focando sempre na tentativa de errar menos e com isso obter mais satisfação. No entanto, não existe formula mágica nem para a felicidade nem para outra qualquer forma de expressar o que vivemos e sentimos.

Claro que se falar de felicidade grande parte de quem ouve entenderá o que se diz... Apenas levanto a possibilidade de sentirmos mais, experimentarmos mais e buscarmos explicar menos.
Se alguém conta que sente saudade, a probabilidade de se entender que trata-se da falta de algo, de alguém, ou de algum momento vivenciado no passado é bastante grande. O que ninguém pode de fato determinar com propriedade, é como essa saudade é experimentada, como é conviver com ela, se isso causa sofrimento, se causa bem estar e satisfação por se tratar de um bom momento experimentado... Enfim... A saudade é de cada um, e cada um se relaciona com seus sentimentos de forma única e particular!

Por isso precisamos sentir mais e explicar menos, experimentar mais e racionalizar menos, ousar mais e reprimir menos! Conceitos formados não nos ajudam a sentir e tão pouco a nos relacionarmos com o que experimentamos. Só nos afastam de nós mesmos. Os sentimentos despertos podem ser grandes companheiros, e agregar muito mais valores ao cotidiano do que estamos acostumados. Não custa experimentar!!!!

sábado, 29 de maio de 2010

Correr ou enfrentar

Segundo a concepção existencialista, viver de forma isolada e única torna-se sem sentido se o ser humano não buscar uma significação que transforme sua existência, de maneira a se considerar útil e importante para os outros ou para si mesmo. Dessa forma, podemos considerar que a busca por momentos mais significativos deve ser constante e persistente.

Ainda baseando-se na teoria existencial, sem a busca do sentido de vida, o indivíduo pode ser visto como existencialmente morto, já que toda existência necessita de uma motivação para continuar a renovar-se com novos momentos e novos fatos.

Noto que em sua grande maioria, as pessoas possuem o interesse em transformar suas motivações e dessa forma renovar-se constantemente fazendo de suas vivências algo sentido com profundidade e aproveitamento. Porém, viver intensamente e de maneira proveitosa não quer dizer que os problemas não aparecerão, afinal, isso não é um conto de fadas e nem deveria ser...

De certa forma, podemos dizer que viver não é uma tarefa fácil, pois “matar um leão por dia” costuma ser a rotina de todas as pessoas que têm uma vida ativa, isto é, trabalham, estudam, relacionam-se com diversas pessoas, vivem em família, namoram, buscam novos desafios, combatem os próprios sentimentos e, enfrentam com tudo isso problemas rotineiros.

Entretanto, analisando os problemas que todos possam vir a ter, é possível concluir que se lamentar e cultivar sofrimento imaginando o quanto a vida é difícil e complexa não costuma resolver problemas, mas ao contrario, aumenta-os de maneira significativa. Podemos então pensar que enfrentar e desta forma buscar soluções seria sempre a melhor maneira de aproximar-se da satisfação e da felicidade, já que a idéia de que com o tempo os problemas se resolverão sozinhos, também pode ser vista como irreal, aumentando ainda mais as possibilidades do sofrimento. NADA CAI DO CÉU!!

Tendo em vista que o sofrimento é sempre inevitável, por que não vivê-lo assim que aparece e buscar rapidamente a solução e a gratificação que este proverá? Será que adiar o sofrimento realmente funciona ou ilusoriamente estamos prolongando-o e sofrendo mais do que deveríamos?

Perguntas sobre sofrimento, sempre geram mesmo que de forma leve, alguma outra forma de sofrimento. Por isso continuo afirmando que correr “dele” só o faz se intensificar...

Que tal enfrentá-lo? Ok... Não é fácil e eu mesma já admiti isso aqui... Mas também não é mais difícil que manter-se em situações de conflito! Além disso, se a dor dificultar a convivência com os outros aspectos do dia a dia, sempre é possível pedir ajuda! Então, comece por gritar... Com certeza alguém ouvirá!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Era uma vez... E viveram felizes para sempre!

Inevitavelmente todas as estórias de contos de fadas se iniciam e têm seu fim exatamente da mesma maneira...

Era uma vez, refere-se sempre ao inicio de qualquer tipo de estória, que esteja onde estiver nos remete aos contos encantados, cheios de bruxas, venenos, princesas e príncipes montados em seus lindos cavalos brancos. Por outro lado o E viveram felizes para sempre, nos remete a finais nos quais todos os problemas são sempre solucionados e nada é capaz de ameaçar a então chamada felicidade.

Mas convenhamos, somos totalmente capazes de criar novos inícios, às vezes até com bruxas más e cavalos brancos, mas nem sempre poderemos afirmar que o Viveram felizes para sempre corresponde a uma realidade. Os relacionamentos humanos nos trazem muito mais que essa forma de começo e fim, bem como compreendem muitos mais sentimentos do que sofrer, apaixonar-se pelo príncipe encantado (ou que seja princesa) e viver feliz para sempre. Amar não é a única forma de satisfação! Pode e deve haver muito mais!

Procuro entender o que seria esse feliz para sempre... E, em diversos instantes entendo que é uma ilusão tamanha, envolvendo circunstâncias das quais sequer somos capazes de suportar. Será que suportaríamos algo tão estável e estagnado dessa maneira?

Em cada relação que estabelecemos, nos envolvemos com as pessoas de formas distintas, e isso não quer dizer que não nos mantemos constantes, mas sim que toda forma de relação requer criatividade e a satisfação de necessidades distintas.

Ora, se somos mutáveis, se desenvolvemos ao longo do tempo padrões de satisfação diferentes, necessidades diferentes e conhecimentos diferentes, porque será que continuamos esperando que os relacionamentos sejam sempre iguais? Será que seria bom se as coisas nunca mudassem?

No inicio do namoro, é comum ouvirmos as pessoas dizerem que a pessoa amada se desdobra em cuidados e carinhos, pois está focado na conquista e na demonstração continua de amor e afeto. Também não é raro ouvirmos das pessoas casadas que após o matrimonio o relacionamento modifica-se e as pessoas se tornam distantes e desatentas.

Não posso concordar com essa visão. Em primeiro lugar porque NÓS TODOS, estamos em constantes transformações, e em geral a própria pessoa que reclama da mudança de postura do amado tende a não observar que também mudou suas atitudes. É preciso notar que as necessidades mudam a todo momento, bem como os interesses e prioridades dentro de uma relação.

Vivemos numa era na qual estamos prontos para cobrar do outro aquilo que nem nós mesmos somos capazes de oferecer, como se para um relacionamento “dar certo” fosse preciso que o outro nos tratasse como bebês e propiciasse tudo aquilo que nós mesmos somos capazes de conseguir.

Outro ponto que me chama a atenção é essa parte do DAR CERTO. O que isso significa? Então para considerar que uma relação deu certo as pessoas precisam se comprometer a passar toda a vida juntos, mesmo que os interesses tenham se modificado e que a relação estabelecida não seja mais capaz de preencher a necessidade de afeto?

É preciso entender e aceitar que o dar certo não está ligado ao tempo em que as pessoas passam juntas ou a quantidade de conflitos que possuem. Mas sim aos bons momentos experimentados e a tudo que se é capaz de construir juntos, seja com a duração de 5, 15, 30 anos ou mesmo a vida toda.

Afinal, se um relacionamento dura cinco anos e depois disso vem o fim, não é justo julgar e se ater apenas ao momento final para dizer que não deu certo. Claro que deu! Ao menos por quatro anos essa relação deu certo, caso contrário as pessoas teriam optado pelo fim antecipadamente.

Não é simples conviver, nem tão pouco é simples entender que o outro não é responsável por corresponder nossas expectativas. A força para correr atrás da satisfação deve partir de cada um, e ai sim, juntos, compartilhar os momentos vividos.

Se o compromisso for renovado continuamente para se renovar as energias, os sonhos e o respeito pela individualidade de cada um, sem duvida se torna muito mais gostosa qualquer tipo de relacionamento, pois em geral, transmitimos nossas cobranças e expectativas não só a um namorado(a) ou cônjuge, mas a todas as formas de relacionamento possíveis. Os amigos bem sabem disso!

Assim, deixo a proposta para que avaliem a forma como vêm conduzindo suas relações. Será que espera do outro, ou será que faz pelo outro? Será que oferece o melhor de si, ou o comodismo toma conta? Pense e responda se tiver coragem!




quarta-feira, 26 de maio de 2010

O que todo mundo quer?

Nos dias de hoje todo mundo quer tanta coisa...

O carro do ano, um super hiper mega emprego, aquele salário de cinco ou seis dígitos, viajar e conhecer todo o mundo, andar na moda, fazer passeios inesquecíveis, duas férias por ano, festas, muitas festas... Ser uma pessoa querida por todos, querer bem a todos. Ter êxito em tudo o que faz e não fracassar nunca. Uma saúde melhor, mais energia e disposição para realizar novas atividades, ser uma pessoa de alto astral e que cativa as pessoas ao seu redor. Ter um grande amor, ou resgatar algum que já perdeu...

Enfim... Muitas pessoas querendo muitas coisas ao mesmo tempo! Escuto muito a frase “Todo mundo quer ser feliz”! Será mesmo?

Tente olhar bem dentro do seu coração e responda pra si em primeiro lugar... O que VOCÊ quer? Quais são os seus desejos mais íntimos e profundos?

Será que sabemos a todo o momento o queremos? Será mesmo tão fácil essa resposta?

Acredito que não seja mesmo uma resposta que sai de maneira natural. Justamente porque temos muitos desejos de coisas, matérias. Mas os desejos de momentos e sentimentos nem sempre são valorizados e cuidados para se buscar a realização.

Quando dizemos que todo mundo quer ser feliz, nos esquecemos que em primeiro lugar é preciso definir o que é essa felicidade, o que te faz ou faria feliz em cada momento da vida. Daí surge então outra pergunta... Será que essa felicidade é algo estático, e assim o que te fez feliz ontem será a mesma coisa que te fará feliz amanha?

É preciso levar em consideração que somos seres em constantes transformações, e por conta disso, nossos desejos, sonhos, ideais e sentimentos se modificam também a cada estalar de dedos. Por isso claro que não somos felizes o tempo todo com as mesmas coisas... Nada que proporcione prazer dura para sempre, e por isso que o que queremos também não pode durar.

Oras, então se somos inconstantes, se mudamos de interesses e sentimentos com uma alta freqüência, é melhor não querer nada nunca para não se frustrar?

Claro que não!! Querer é ótimo, sonhar é maravilhoso e desejar nos torna mais motivado. No entanto, é o que fazemos com essas possibilidades que fazem as coisas valerem à pena ou não.

Querer é um passo para movimentar-se. Até porque, a maioria de nós aprende desde muito cedo que só desejar não nos faz possuir absolutamente nada. Já a mistura de desejar e fazer acontecer, pode enfim trazer essa tão esperada satisfação.

Note que não importa de fato o que todo mundo quer, pois sonhos foram feitos para serem sonhados e sentimentos para serem experimentados. O que é capaz de fazer a diferença é buscar e perguntar e responder rotineiramente O QUE VOCÊ QUER?


sábado, 22 de maio de 2010

Tudo por causa do olhar...

É pelo olhar que nos apaixonamos.

É pelo olhar que descobrimos onde queremos ir.

É pelo olhar que se descobre o quão bela a vida pode ser, ou o quão triste podemos estar sentindo o mundo.

É pelo olhar que sentimos atração ou repulsa, seja por pessoas, objetos ou situações.

É pelo olhar que nos descobrimos refletidos nos olhos alheios.

Pelo olhar que aprendemos, selecionamos, sentimos!

Nossos olhos. Um órgão tão poderoso, mas tão pouco explorado. Além de ver, podemos sentir através do olhar. Nossa percepção está diretamente ligada ao que nossos sentimentos nos permitem ver.

O que enxergamos pode até ser universal, já que vivemos num mundo cheio de símbolos e significados. Mas será que nosso olhar está direcionado para os mesmos focos?

Podemos transmitir ensinamentos de como ver objetos e distingui-los uns dos outros, mas será que podemos ensinar a senti-los? Ou será que a grande magia está na descoberta de sentido através do olhar, sem requerer aprendizado prévio?

O olhar é capaz de te fazer ver uma criança brincando e sentir com isso alegria por vê-la espontânea, rememorando bons momentos e sentimentos, ou sentir amargura por deixar pra trás seus anos de espontaneidade e inocência.

O olhar é capaz de te oferecer uma visão de vida com determinação e motivação, ou com medo do que há por vir.

Quando usamos a expressão “do meu ponto de vista”, reforçamos a idéia que o olhar é capaz de nos mostrar a mesma coisa, mas relacionar-se com sentimentos e sensações diversos.

Podemos aprender a dar mais valor ao que nos mostra esse olhar, mas será que todos valorizam esse ponto?

Afinal, enfatizo a idéia de que tudo é por causa do olhar!!

Se somos capazes de amar pelo olhar, somos igualmente capazes de odiar por ele.

Se somos capazes de descobrir simples alegrias pelo olhar, também o somos de absorver tristeza.

Além disso, da mesma forma que somos capazes de ver, olhar e sentir, também somos capazes de transmitir o que vivenciamos apenas pelo olhar.

O quanto não é gratificante aquela relação na qual as pessoas se conhecem e se entendem apenas pelo olhar. E em nenhum momento me refiro aqui, aquilo que ouço as pessoas mais antigas dizendo que os filhos quando pequenos sabiam que estavam sendo reprovados pelos pais e paravam imediatamente o que estavam fazendo, e essa percepção vinha apenas pelo olhar. Esse é o olhar de reprovação que também pode ser forte, mas não é a ele que me refiro nesse momento.

Me refiro sim aquela sensação gostosa de entender pelo olhar os momentos vividos por pessoas com as quais a afinidade e o afeto falam alto.

Isso sim é troca!! E troca de excelente qualidade que pode ser adquirida com coisas simples, momentos simples e pessoas queridas. Enfim, TUDO POR CAUSA DO OLHAR...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Solidão...

Sempre entendi que podem existir duas formas de solidão. A primeira delas é estar só, olhando para o espaço físico com ausência, e a segunda delas é a sensação de estar só. Uma não depende da outra, por isso é possível encontrar-se só, mas sem sentir-se só, ou mesmo estar acompanhado, mas, no entanto ser coberto pela sensação de solidão.

Em alguns momentos da vida, podemos ter uma solidão tão intensificada, que se torna de difícil acesso a percepção de qual tipo vivenciamos. Contudo, o sofrimento que pode nos causar não depende da maneira como apareceu ou do motivo pelo qual nos acomete.

Estar só também pode ser uma necessidade do ser humano, ligada a busca pela individualidade e pelo contato consigo mesmo. Por conta disso, nem sempre deve ser visto como um ponto problemático da vida, nem tão pouco como causador de conflitos. Já convivi com muitas pessoas que adoravam estar só, e que assim se sentiam tão completos que a companhia de outras pessoas estaria sujeita a quebrar esse momento intenso.

Percebo que é justamente nos momentos de “solidão” que podemos nos apropriar de nós mesmos, ou seja, no tocante ao desenvolvimento emocional é somente nas circunstâncias em que nos encontramos sós que podemos elaborar, experimentar, acomodar e sentir tudo aquilo que as relações do dia a dia podem nos propiciar, tanto voltando-se ao amadurecimento, quanto a definições de valores e estruturas morais e emocionais.

Diante disso, o momento da solidão pode ser uma forma de elaboração, sejam dos conflitos, dos momentos vividos, oportunidades de reviver as boas sensações, planejar novas caminhadas e se experimentar diante de todas as possibilidades que os pensamentos nos expõem.

Aqui estou levantando a possibilidade do quanto podemos lidar com a solidão de uma forma saudável. Mas não significa que esse sentimento não esteja sujeito a nos deixar marcas ruins e vir acompanhado de tristeza.

Rubem Alves diz em um de seus belíssimos textos que na verdade não é a solidão que nos torna tristes, mas as fantasias que possuímos quando estamos sós. Em geral, nos imaginamos logo abandonados, sem importância para as demais pessoas, excluídos dos grupos sociais e do mundo. Como se de fato estar só sempre nos remetesse a um estado de vazio absoluto. Preciso concordar com ele, pois nós, seres humanos, somos mestres na arte de fantasiar e de nos envolvermos com nossas duras e cruéis fantasias. Aliás, preciso ressaltar aqui que a criatividade que temos para se utilizar de fantasias que nos levam ao prejuízo emocional, chega a ser assustadora frente à capacidade de elaborarmos fantasias saudáveis e que nos beneficiem.

Não é raro encontrarmos pessoas que optem por se encontrar num estado de companhia ilusório, mas fugindo do sentimento que estar só pode causar. Essa escolha depende do quão dispostas a lidar com a dor as pessoas possam estar. Além disso, envolve o quão aptas a enxergar suas fantasias se encontram, pois por diversas vezes, criamos na mente relacionamentos bastante distantes do que realmente podemos ter.

Cabe a cada ser humano se avaliar para descobrir se está ou não disposto a enfrentar esse sentimento, ou se possui mais disposição para se entregar a dor causada por essa sensação. Qualquer um dos caminhos escolhidos depende de determinação, pois optar por enfrentar envolve riscos e conviver com essa dor por algum tempo, assim como optar por entregar-se envolve a mesma possibilidade de dor, mas certamente por um período de tempo mais prolongado.

domingo, 16 de maio de 2010

Conquistas...

O que podemos considerar conquistas?

Comprar a casa dos sonhos, arrumar um namorado(a), trocar de emprego, aumento salarial, comprar o primeiro carro, aquela tão sonhada viagem, casar-se, separar-se, sair da casa dos pais, cursar faculdade, decidir especializar-se profissionalmente, a maternidade ou a paternidade...
Enfim... Conquistas podem ter diversos significados e dependendo do momento que vivenciamos, somos capazes de valorizar essas circunstâncias de forma mais leve ou com muita intensidade.

Entendo que dar valor ao que conquistamos faz parte de completar um ciclo. Afinal, o que seria de nossas realizações sem a comemoração?

Conquistar implica primeiramente em construir metas, determinar-se a correr atrás delas, lutar, às vezes fracassar, mudar o rumo, descobrir novos caminhos para se chegar à realização, sofrer de ansiedade, em alguns momentos chorar, rir muito e por fim, satisfazer-se com a conquista do objetivo alcançado.

Temos o triste hábito de associar conquistas primeiramente com alcançar objetivos materiais, aquelas coisas que podemos trazer com o dinheiro e que sem duvida são importantes.

No entanto, entendo que conquistas especiais são aquelas que envolvem nosso estado emocional! É aquele sentimento gostoso que nos acomete após lutarmos pelo que desejamos. Contra isso não há nada comparável.

Não pretendo aqui minimizar a importância de conquistarmos o carro próprio ou de comprar aquela linda casa, ou mesmo de poder viajar pra lugares lindos. Mas acredito que a sensação deliciosa de se ver capaz de realizar seus próprios sonhos é a melhor conquista que podemos ter. É justamente esse sentimento que traz gosto para as experiências e que nos ajuda a valorizar o que temos.

Nada mais emocionante e tocante do que poder observar e participar do momento de felicidade de outras pessoas quando se dispõe a dividir suas conquistas. E o que dividem não são os bens materiais, mas sim a felicidade vivida.

Mas ainda me resta uma pergunta. Em que momento a conquista deve ter seu fim? Sem dúvida com a COMEMORAÇÃO!

São as comemorações que nos fazem entender que o ciclo terminou e é o momento de partir para os próximos sonhos! As festas de casamento nos mostram bem essa realidade. Naquele momento não são as matérias que os noivos dividem com os convidados, nem mesmo os presentes que recebem ou a casa em que vão habitar. Mas sim a felicidade que estão sentindo e o quanto poder dividir e comemorar concretiza com mais intensidade essa nova conquista.

Acredito que a comemoração marca o momento final da conquista, mas também marca um novo começo. Como a preparação para olhar para novos horizontes e se restabelecer de energia e “paixão” para as novas metas, novos objetivos e com isso novos caminhos a se trilhar!

Assim, que venham as realizações materiais, que venham os lucros pra que possamos ter sentimentos de satisfação, prazer por ter forças para correr atrás do que se sonha e comemorações para se dividir com as pessoas especiais nossos sentimentos mais especiais!



quarta-feira, 12 de maio de 2010

Persistir ou desistir...

A cada momento da vida somos “obrigados” a tomar decisões! Algumas mais fáceis e naturais enquanto outras mais pesadas, mas sempre decisões.

Alternamos entre nos sentirmos tão preparados para enfrentar e decidir, ou sofrermos pelas opções que encontramos, seja porque queremos todas e não estamos preparados para abrir mão de nenhuma delas, seja porque qualquer uma delas nos fará sofrer e assim a melhor saída seria fugir de tudo...

Mas será possível fugir das escolhas? E se for, será possível se sentir confortável com isso?

Fugir não deixa de ser uma escolha! Uma escolha muitas vezes doída, mas uma escolha...

Nem sempre nos damos conta que procurar não escolher as coisas e apenas “deixar o barco correr” já é uma maneira de decidirmos por qual caminho vamos trilhar.
Bem... Muitos momentos de escolhas, diversas formas de conseqüências! Fugir, enfrentar, avaliar e reavaliar!

Decisão tomada, conseqüências a caminho, mas... Quando será o momento de reavaliarmos e talvez mudarmos de rumo? Será que sempre devemos persistir nas mesmas decisões e acreditar que voltar atrás é sinal de fracasso? E o oposto, será que devemos mesmo mudar sempre de rumo e desistir dos caminhos escolhidos antes mesmo de testar todas as nossas forças?

Enfim... Persistir ou desistir?

Isso depende! Cabe a cada ser humano avaliar-se para buscar sua própria resposta. E em cada momento de vida podemos acreditar que a resposta a essa pergunte mude.

Não existem receitas prontas para se viver, ou um único caminho que nos leve a satisfação. E justamente por isso cada um há de buscar sua própria resposta que venha de encontro com suas próprias expectativas e circunstancias de vida.

Contudo, acho importante ressaltar que, para se satisfazer com suas escolhas, torna-se de suma importância olhar para dentro de si, pois é próprio do ser humano buscar por saídas mais rápidas e ilusoriamente menos doloridas... Tremenda ilusão, pois viver implica em riscos, e arriscar-se implica na possibilidade de persistir ou mesmo de se permitir mudar de rumo!

Fugir da dor só nos causa mais dor! Escolher dentro do que possa te satisfazer é sábio, mas sempre buscando se dar conta de que a possibilidade de se frustrar existe, e às vezes, por mais difícil que seja encarar esta realidade, é preciso persistir na dor para se achar um caminho melhor!

Só mesmo experimentando para saber...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Como se fosse a primeira vez...

O que você faria se tivesse a chance de retomar, nem que apenas por alguns segundos, a chance de mudar a maneira como se relaciona com algumas pessoas de seu convívio diário, como se fosse à primeira vez que os visse?

Em determinados momentos damos tão pouco valor ao que temos ou ao que conquistamos que nem sempre tomamos os devidos cuidados com as impressões que estamos passando adiante sobre nós mesmos.

Da mesma forma, somos capazes de nos acomodar e por isso passamos a não oferecer as pessoas mais importantes de nossa vida o que temos de melhor ou o que merecem receber de nós.

O filme Como se fosse a primeira vez retrata de maneira muito romântica o que precisamos aprender a fazer com os afetos que desenvolvemos. Sabe aquela historia de viver todos os dias de sua vida como se fosse o último? Pois bem, é mais ou menos por ai... Abraçar quem está do seu lado como se isso fosse imprescindível para a sua sobrevivência, beijar como se isso lhe trouxesse energia nova (e de fato traz), sorrir lembrando-se que isso pode mudar o seu dia e o de quem recebe esse sorriso também... Aprender acima de tudo que o outro não é responsável pelo seu dia difícil, ou pelo mal humor que te acomete... Pelo contrario... Talvez seja o outro que possa te trazer um pouco mais de conforto e satisfação, se assim o cultivar.
Há milhões e milhões de atitudes e maneiras para buscarmos entender o quanto devemos cuidar e se permitir ser cuidado por pessoas próximas e importantes, como se de fato fosse a primeira e ultima vez que isso acontecesse.

No filme que mencionei, por um problema de perda de memória, a protagonista não se lembra do grande amor da sua vida por mais tempo que um dia. Isso o faz decidir reconquistá-la todos os dias, e tem a responsabilidade de fazê-la se apaixonar diariamente. Que lindo não é!!

Não pretendo induzir ou esperar que as coisas na vida real aconteçam exatamente dessa forma. Mas levanto a possibilidade de refletirmos se não somos capazes de nos darmos com mais qualidade, de oferecermos algo a mais e assim também recebermos algo a mais.

Em minha mente, a resposta imediata é: Claro que somos! Se não fossemos, seríamos duros e distantes em todas as relações desde o inicio delas. Por que então, quando nos apaixonamos tratamos a pessoa amada com mais cuidado e dedicação?
Grande parte das dificuldades de relacionamentos seja dentro do casamento, do namoro, da vida familiar, ou mesmo do convívio com amigos, surge do comodismo que adquirimos com o passar do tempo e do quanto permitimos que o dia a dia desgaste o interesse em conquistar. Mas confesso que nunca recebi no consultório um caso de alguém que tenha desistido de ser conquistado, o que mostra o quanto cultivar esse lado “romântico” ou apenas afetuoso não faz mal a ninguém nunca!

Ressalto que não me refiro a isso focando apenas nos relacionamentos entre casais, mas sim em todas as relações afetuosas que somos capazes de nos envolver. Afinal, quem nunca gostou de ser lembrado e tratado com carinho e amor por um amigo querido? Quem é capaz de resistir a um gesto de ternura provinda dos pais ou dos filhos?

Pois que seja sempre assim!! Olhar para o mundo como se fosse a primeira vez que ele te tocasse. Acordar todas as manhãs para aproveitar a vida como se fosse o ultimo dia! Experimentar as sensações, todas as possíveis, como se fosse a primeira vez!!

sábado, 8 de maio de 2010

Saudade...

Palavra difícil de definir, mas sentimento tão fácil de aflorar. Sentimos saudade de tantas coisas, de tantas pessoas, de tantos momentos que em diversas circunstâncias somos pegos por essa sensação, sem definir se quer o que a detona.

Momentos felizes deixam saudade, momentos em que a vida nos traz experiências únicas. O primeiro dia de aula, o primeiro amigo, a primeira vez que saímos sem os pais, o primeiro beijo, o primeiro namorado... Situações que nos despertam para a vida, mesmo que carregadas de alguns outros sentimentos como ansiedade e insegurança. Mas sem duvida, momentos que nos tornam “gente”, que nos ajudam a sentir com intensidade o quanto podemos ser felizes.

Momentos tristes nos marcam como pessoas pela superação que podemos apresentar. Sem dúvida não temos saudade dos momentos tristes, mas aposto na idéia de que a superação deixa saudade, em especial quando somos acometidos novamente por situações em só nos resta permitir que a tristeza entre.

Pessoas marcantes!! Ah!! Dessas sempre sentiremos saudades. Pessoas que nos levam a aprender, pessoas que nos oferecem afeto, pessoas que desenvolvem em nós a vontade de oferecer afeto, pessoas que nos desafiam sempre para que o crescimento possa surgir, pessoas que nos fazem nos sentirmos especiais, pessoas que sentimos apenas a vontade de estarmos juntos e que mesmo tendo uma relação próxima conseguimos sentir saudade com a breve ausência. Pessoas que nos apóiam nos momentos mais difíceis, pessoas que carecem de nosso apoio. Pessoas que nos lembram a infância e pessoas que nos fazem pensar no futuro.

Enfim, pessoas que passam, pessoas que ficam. Família, amigos, desafetos, companheiros, amantes. Todas as pessoas que passam podem nos deixar algum tipo de saudade, seja do momento compartilhado, seja do aprendizado experimentado, seja apenas aquela sensação gostosa de afinidade e do quanto é bom estar juntos.

Pena que nem sempre a saudade é um sentimento fácil de conviver. Sentimento bom quando sabemos que objeto detonador de tal sentimento está acessível, sentimento duro quando temos que conviver com a distancia física e emocional.

Entendo a frase de Rubem Alves que diz que “Saudade é nossa alma dizendo pra onde ela quer voltar”! Entendo que voltar aos momentos e as pessoas que nos preencheram por algum período da vida seja sempre bom, e justamente por isso, a alma busca retornar.

Mas também entendo que só reviver não abre possibilidades para que o novo surja. Novas pessoas, novos momentos, novas experiências. Novas circunstâncias que nos enchem de possibilidades para voltar a sentir saudade no futuro, mas sem as quais não teríamos coisas boas para retomar.

Enfim, seja a saudade fácil ou difícil de lidar, ela sempre vem de alguma forma. E cabe a cada um que a sente, saber direcioná-la para o local certo dentro de si e decidir se viver apenas de saudade basta, ou se senti-la abre a possibilidade de se abrir para senti-la novamente, mas sempre de forma aprimorada. Afinal, se sentimos saudade, é porque foi bom, e se foi bom, porque não viver, reviver, renovar e experimentar?

Feliz de quem tem alguém para sentir saudade ao invés de amargurar-se por ter vivido apenas momentos ruins e com pessoas vazias!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Amor com ódio ou ódio com amor!!

Estive pensando nas relações que estabelecemos com as mais variadas pessoas. Em cada uma delas, desenvolvemos particularidades e maneiras distintas de nos envolvermos, dividirmos sentimentos, trocarmos e oferecermos um pouco de parte diferentes de nós mesmos.

Toda relação envolve sentimento. É humanamente impossível nos envolvermos com as pessoas e ao mesmo tempo nos abstermos de todo e qualquer demonstração de sentimento.

E cá entre nós... Essa é a graça de estarmos com as pessoas!

O que me chama a atenção é o quanto somos capazes de demonstrar sentimentos tão opostos pela mesma pessoa. É a tal relação de amor e ódio!

Ouvi de um cliente essa semana que na mesma intensidade que sente falta de uma determinada pessoa e quer muito falar com ela, sente ódio por ela estar longe e pela forma como a relação vem sendo desenvolvida. Será que essa sensação, tão confusa e ambígua é exclusividade dessa pessoa a que me refiro? Será mesmo possível sentir amor e ódio pela mesma pessoa?

Assim é com todas as pessoas as quais oferecemos algum tipo de amor. Isso me faz pensar que a capacidade de odiar, está diretamente vinculada à capacidade de amar. Não se assuste... Vou explicar o que quero dizer com isso...

Quanto mais intenso o sentimento que oferecemos as pessoas, maior a sensação de frustração quando somos decepcionados ou contrariados. Ou seja, na maior parte do tempo, oferecemos amor, mas esperamos receber amor da mesma forma que ofertamos. E claro, isso nem sempre ocorre, pois para cada um, oferecer e receber ocorre de maneiras distintas.

É assim com filhos. Os amamos intensamente. Mas também sentimos essa força de frustração quando notamos que mesmo sendo parte de nós, não seguem todos os nossos princípios e nem tão pouco deveriam, pois são seres individuais, e não extensões dos pais.

Também é assim com os pais. Os amamos por toda a dedicação que nos demonstram ao longo da vida. Mas sentimos um intenso ódio quando eles não nos compreendem.

Com amigos, companheiros, colegas, irmãos... todas as relações que estabelecemos podem estar dotadas dessa ambigüidade de sensações. A grande graça de tudo isso, talvez seja aprender a lidar com esses dois opostos, pra que nenhum dos dois tome proporções indevidas e destrua o outro. Pois tanto o amor, quanto o ódio, desde que de maneira controlada, pode nos levar a desenvolver relações mais maduras e prazerosas.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Tristeza: normal ou patologico?

Tristeza!!

Quem nunca se sentiu assim? Será um privilegiado ou uma pessoa muito infeliz quem nunca experimentou essa sensação de estar triste?

Alegria, raiva, ciúmes, amor... Esses sentimentos parecem ser mais aceitos pelos seres humanos do que a própria tristeza... É como se sentir-se assim fosse algo anormal e assim nos leve a busca de uma explicação patológica.

Oras, se alegria é aceitável e não nos leva a buscar ligação com algo anormal, por que a tristeza seria diferente?

Não é raro receber no consultório, pessoas que se acreditam “doentes” e precisando de ajuda, por se encontrarem em um momento difícil de vida, em que a tristeza aparece. É como se o chorar fosse proibido, e por isso nos acostumamos a reprimir tudo o que sentimos e a camuflar os sentimentos mais fortes na busca por desaparecer com eles ou transformá-los em algo bom.

Entendo que há um aumento significativo nas incidências dos quadros depressivos, mas isso não nos leva a entender que todo episódio de tristeza possa estar relacionado com isso. Banalizar as patologias, transformando-as em comuns e freqüentes, só nos leva a perder a qualidade dos tratamentos possíveis, pois, se todas as pessoas que choram podem ser consideradas depressivas, teremos muito mais “doentes” que pessoas sãs!

Convenhamos, a vida nos leva a momentos tão complicados e pesados, que em diversas situações só nos resta chorar e permitir que a tristeza se achegue. Fugir disso e buscar mascará-la aumenta as possibilidades de desenvolver de fato um quadro mais complicado de se lidar e aí sim, nos conduzirmos à patologia.

Amores mal resolvidos e mal acabados nos levam a sentir tristeza. Problemas de saúde nos fazem sentir impotência, problemas financeiros constantes ajudam a desenvolver sensação de fracasso, luto nos traz a sensação de finitude... E tantas outras situações da vida que desenvolvem involuntariamente sentimentos diversos dentro de cada um de nós.

Determinar como poderemos lidar com cada uma dessas situações, somente passando por elas. Mas permitir-se sentir é humano, e sem dúvida, a tristeza também nos fortifica e amadurece.

Somos gente em primeiro lugar, que sentimos. O sentimento isoladamente, nada representa. E mesmo com nomes semelhantes para os meus e os seus sentimentos, os vivemos de maneira diversas, cada um dentro da sua individualidade!

Não pretendo e nem quero com isso minimizar o impacto das patologias e dos diagnósticos. Mas que elas possam ser utilizadas apenas quando necessárias, e que essa não seja a primeira preocupação de quem vivencia esses sentimentos, mas sim buscar conhecer-se um pouco mais e aprender a lidar com as situações que nos surpreendem, independente de que nome possa se oferecer a isso! Até porque, o ser humano pode ser muito mais que um amontoado de diagnósticos e nomes difíceis.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Mudanças...

Por que será que em determinados momentos da vida resistimos tanto a mudanças e em outros desejamos loucamente que elas aconteçam?

Mudanças sempre acontecem em nossas vidas. Sejam elas causadas por nós mesmos ou apenas porque a vida se modifica a todo o momento. Mas sem duvida, parece que para algumas delas estamos mais preparados que para outras.

Modificar implica em circular idéias, criar motivação, restabelecer metas e novos sonhos para se voar mais e mais...

Mesmo que tentemos não passar por elas, as mudanças nos cercam às vezes até mesmo sem percebermos... Se olharmos bem para nosso reflexo no espelho, nem nosso cabelo amanhece todos os dias da mesma forma, então por que a vida tem que permanecer estática?

Comer todo dia a mesma refeição, freqüentar todos os dias os mesmos lugares, vestir sempre a mesma cor de roupa... A vida pode ir ficando excessivamente monótona.

Inovar implica em arriscar, mudar implica em se permitir correr riscos! Há uma frase de um filosofo que diz que "Arriscar-se é perder o pé por algum tempo, não arriscar-se é perder a vida" (Kierkegaard)

Pois bem, que a vida seja feita de renovações e de possibilidades de mudanças. Pois as mudanças quando bem aceitas na vida, podem ser sempre revertidas para conseqüências boas. Já ouviu aquela frase: Se a vida te der um limão, faça uma limonada dele? É bem isso ai... Podemos chorar pelo limão azedo, ou podemos fazer com ele um belo suco (sou mais uma caipirinha, mas ai vai do gosto né...rs).

A vida é como um rio que flui, não há águas paradas e por isso não podemos nos encontrar sempre da mesma forma. Os sonhos mudam, as relações mudam, os ideais mudam. O conhecimento se transforma à medida que agregamos novos.

Então, se temos que passar pelas mudanças, por que não olhá-las de frente e correr atrás delas, ao invés de fugir? Adaptar-se as transformações requer menos energia e esforços do que viver fugindo delas. Pense nisso!

domingo, 2 de maio de 2010

Reencontros!

A vida é engraçada... Relacionamos-nos com as pessoas de modo a nos apegar e a desenvolver proximidade com os que nos fazem bem! Passamos tempos e tempos juntos, trocamos idéias, sentimentos, afinidades... A real tradução de amizade ou mesmo de um gostoso romance!

Mas como eu disse, a vida pode ser bem engraçada... De repente, no corre-corre da vida, nos afazeres e responsabilidades que vamos adquirindo ao longo da caminhada, mudamos de rumo, reconstruímos caminhos que não tínhamos pensado trilhar, e... Nos afastamos!

Não necessariamente precise de algo nesta relação para que as pessoas se distanciem... Mas a própria vida e nossas escolhas têm o poder de nos conduzir a caminhos distintos. Que pena não é mesmo?! Uma amizade que pode parecer indestrutível pode se desfazer pela ação do tempo!

Uma forte sensação que carrego comigo é a idéia de que NADA NA VIDA ACONTECE POR ACASO! Nem mesmo o afastamento das pessoas... Mesmo que isso possa parecer sofrido! Talvez as possibilidades dessa relação tenham chegado ao seu fim, e por isso há a necessidade de afastamento, mesmo que apenas temporário.

As relações são feitas de etapas, e etapas envolvem começo, meio e fim! Assim, é preciso deixar que as coisas cheguem ao seu fim, até mesmo para se renovar e amadurecer. Afastar-se também implica nisso: aprender mais, amadurecer mais para talvez dividir mais novamente!

O novamente me faz pensar em reencontros. Da mesma forma que as pessoas se vão de nossas vidas, “magicamente” tem o poder de reaparecer... E em mim, sempre deixam o gostinho de passado sendo retomado para se reviver coisas que não foram totalmente vividas. Minha mãe costuma dizer que o passado volta para acertar as contas, concordo com ela, mas também acho que nem sempre é só para acertar, mas sim para se reviver aquilo que foi bom!

Pessoas que foram importantes em algum momento da vida, vão sempre ter o poder de trazer sensações boas novamente, e assim o reencontro torna-se fortemente afetivo, mesmo que passado muito tempo.

E como é bom, rever aquele amigo com o qual se passava horas e horas apenas jogando conversa fora, mas que trazia descontração! Como é bom, cruzar com aquela pessoa a qual despendeu tanto afeto e paixão, e que esse simples cruzar-se na rua traz o reviver daquela sensação gostosa!

Mas claro que o reencontro só será prazeroso se deixarmos que as pessoas decidam o momento certo de ir... Sem amarras, sem cobranças... Encarar os finais de maneira a deixar as portas abertas para os possíveis reencontros que a vida nos traz! Assim, os reencontros se tornam naturais e saudáveis, e não cheios de cobranças e mágoas pelo fim não resolvido.

Resta ainda uma pergunta de suma importância: Mas será que é fácil deixar as pessoas importantes partirem? Claro que não... Mas quem disse que essa vida seria fácil???

sábado, 1 de maio de 2010

Viver e reviver...

Viver!

Essa palavra pode ter diversos significados e por isso nem sempre a utilizamos com todo o potencial que carrega.

Não pretendo utilizar viver como o contrário de morrer. Mas sim focando na capacidade de intensidade e de agregar sentimentos a todas as experiências
possíveis.

Viver implica em se entregar e permitir que determinadas coisas aconteçam! Essa permissão implica em experimentar coisas boas e coisas difíceis de digerir...

Optar pelo não viver pode até nos livrar do difícil fardo de carregar momentos ruins. Pode de fato ser uma prevenção ao sofrimento e a tristeza. E algumas pessoas podem até defender a idéia de que funcione. Vai saber...

No entanto, na minha visão, optar pelo não viver também elimina a chance de experimentar coisas maravilhosas, conhecer pessoas fascinantes, sentir emoções indescritíveis...

Claro que olhando por esse lado, fica fácil escolhermos pelo VIVER, com toda a intensidade possível! Pois se para sentir-se feliz é preciso às vezes sentir-se triste, oras, que venha a tristeza!!!!

Acho que a única coisa melhor do que viver é reviver... Reviver implica em memória, que implica em sentir novamente todas as sensações que a experiência suscita.

Tenho um grande amigo que gosta de ler e reler os mesmos textos que lhe trazem bem estar. Acho que isso sem duvida é um exemplo de reviver, de trazer a tona tudo que possa ser sentido e com isso trazer magia para todos os momentos.

Claro que reviver também implica em olhar para os momentos de dificuldades. Mas também tem o lado bom, pois o reviver envolve já ter se afastado da situação, e isso traz maturidade e capacidade de olhar para isso de maneira mais leve, até mesmo para os momentos mais tenebrosos e assustadores.

É um risco!! Mas sem duvida, as marcas causadas pelo estar bem e se entregar à pessoas e momentos de vida que trazem bons sentimentos, são eternas, e felizmente, sempre acessíveis para as resgatarmos dentro do coração!

Que tal criarmos o habito de reviver?? Que venham todas as emoções!!!