sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Começo e fim... fim e recomeço!

Tudo que se inicia chega ao fim... Tudo que nos dispomos a começar, temos que ter ciencia da finitude que chegará. Afinal, somos seres finitos...

Por mais que gostemos de algumas coisas, ainda assim elas precisam chegar ao fim. Rir é uma delicia, mas ninguem aguenta rir sem parar, pois os próprios musculos pedem socorro para tal perturbação.

Aquela música que toca dentro da alma é uma delicia de ouvir, mas se ela não chegasse nunca ao fim, traria consigo o tédio e a acomodação.

Uma linda história de amor, narrada em um livro é uma delícia de se ler... Mas sem um fim, mesmo que seja um final feliz ou uma possibilidade de continuar sendo reescrita, também leva a saturação, pois seria utopia demais acreditar que em nossa vida real, uma historia de amor não chegaria ao fim.

As fases da vida chegam ao fim, a infância, a adolescencia e até a vida adulta chegam ao fim! Por melhores que sejam cada um desses momentos e dessas etapas, elas inevitavelmente chegam ao fim.

As expectativas terminam, os projetos se realizam e mudamos para novos projetos mas mesmo os que não se realizam chegam ao fim por nos encontrarmos saturados daqueles objetivos.

É o começo que invariavelmente carrega consigo a previsão de um fim... Um fim, que carrega consigo a possibilidade de novos recomeços e de novas descobertas!!!!

O recomeço... Que delicia de palavra!!

Carrega embutida a possibilidade de renovação, de transformação, de criar algo novo que possa ser repleto de satisfação! Recomeço é a possibilidade de se auto analisar e assim reciclar, trocar o velho pelo novo quando o velho já está ultrapassado em nós, ou entender que algumas coisas velhas em nós, fazem parte da essencia e nos ajudam a ser quem somos!

Assim é o ano novo... Um data como outra qualquer, mas que nos remete a reflexão do que fomos, do que fizemos, do que construimos no ano em que se encerra, bem como o que queremos ser, o que queremos fazer e o que queremos construir no ano que vai se iniciar.

É a possibilidade de recriar-se, de apaixonar-se novamente pelas mesmas coisas ou procurar por novas paixões!

Que o ano que se encerra tenha deixado um grande aprendizado, de sermos mais humanos, de nos conhecermos melhor, de nos cuidarmos com mais amor... que o ano que se inicia traga consigo apenas possibilidades...

Pois que venham as possibilidades... apenas possibilidades!!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Viver e transformar-se...

Viver é estar em constantes e intensas transformações!

Tudo que possui vida se transforma, se reorganiza, cria novas estruturas e se adapta a elas.

Assim é com as plantas, que carregam já enquanto sementes toda a potencialidade em se transformar em árvore, flor, arbusto...

Assim é com os animais, que dentro das particularidades de cada espécie, seja tendo o desenvolvimento inicial através do ovo ou da gestação, de ovo a filhote, de filhote a animal adulto, desenvolvendo-se e aprendendo a lidar com esse novo ser que se cria.

Assim é com o ser humano! De células a feto, de feto a bebê, e eis que surge o nascimento e o inicio da vida fora do útero materno!

Transformações, transformações e mais transformações... Uma das únicas e certas coisas de se viver!!

Seguindo todas as etapas, ou às vezes apenas passando por elas rapidamente, o fato é que já iniciamos a vida nos transformando, criando nossas peculiaridades em cada uma dessas etapas que experimentamos.

Mudamos de corpo, mudamos de prioridades, mudamos de valores, de cidade, de trabalho, de motivação, de amigos e até de vontades! Vamos vivendo e com o tempo tudo se transforma em nossas vidas!

Em cada fase que vivenciamos somos capazes de sentir, de aprender, de experimentar, de receber e de oferecer um pouco do que somos e do que já acumulamos como formas de vida.

E que bom que somos tão capazes de nos transformarmos... Sinal de que somos capazes de nos adaptar a mudanças e a encarar novos desafios ao longo da vida! Que monótono seria se nascêssemos e morrêssemos exatamente da mesma forma, sem alterações de personalidade, de preferências, de convívio! Sem crescimento algum, sem amadurecimento, sem renovações!! Algo estagnado... a mesmice!!

Talvez seja por isso que as borboletas sejam tão encantadoras... Simbolizam as transformações que vivemos de uma forma singela e natural... Como diz Rubens Alves: “Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses”!
Que venham então as metamorfoses para que todas as larvas que residem em nós, possam se transformar em coloridas borboletas!

Inicialmente somos puros e nossos desejos são facilmente saciados! Assim são as crianças, inocentes, simples, desejosas apenas de afeto e de suas necessidades fisiológicas saciadas.

Já na entrada da adolescência nossos desejos passam a nos dominar e a exigir saciedade. Passamos então pela fase de buscas constantes, da insatisfação com o que se alcança e com o que se deseja, com as inconstâncias no estado emocional. Uma mudança e tanto comparada com aquela criança que simplesmente sentia-se feliz! Um ser desejoso, mas que nem sequer sabe do que...

Já temos por teoria acreditar que a vida adulta é mais constante e estabilizada, e inclusive cobramos isso das pessoas com as quais convivemos! Mas por que esperar que os adultos sejam estáticos e constantes?

Isso é uma tentativa de nos enquadramos o tempo todo em padrões já definidos... Em realidades que nem sempre satisfazem! É acreditar que mais do mesmo é o suficiente para sermos felizes!

Mas afinal, por que não ousar? Por que não arriscar e encarar essas transformações de frente entendendo que não somos submetidos a elas ao acaso?

Tudo o que se transforma se renova e gera a possibilidade de novas experiências... Então que assim seja... Que sejamos sempre capazes de renovar, de recriar, de inventar, e junto com tudo isso, de nos adaptar a inevitável inconstância de viver e de sentir!!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

“O essencial é invisível aos olhos”!

Assim disse Saint Exupéry, no livro O pequeno príncipe. Uma linda e doce história de um pequeno menino que decide sair de seu pequeno planeta e descobrir o que o mundo de fora é capaz de lhe mostrar e lhe proporcionar, um mundo bem diferente do seu próprio mundo, um mundo de homens que, para sua surpresa, mais agem do que sentem!

O essencial é invisível aos olhos!! De fato, parece que não estamos preparados para sentir... E isso torna mesmo a vida superficial e com isso, o que importa fica sempre invisível aos olhos!

Olhamos com olhos práticos e concretos, e às vezes fazemos isso até com nossos próprios sentimentos! Buscamos a concretude de tudo aquilo que é sensorial, associando o que experimentamos com o que acreditamos ser correto ou incorreto, bom ou mau...

Enquanto vivemos na infância, somos capazes de estar num mundo mágico de fantasias. Fantasias essas que são capazes de nos ajudar a crescer e a entender tudo aquilo que é concreto e até complexo. Magia e pureza... Vivemos então em momentos nos quais o que menos importa é a concretude e formalização das coisas!

Acredito que essas fantasias possam vir da capacidade mais acentuada de olhar e enxergar muito mais com a alma do que com os olhos. E não é apenas pelo olhar da inocência, mas sim pela disponibilidade de olhar de verdade!

Essa disposição traz consigo a facilidade de sentir e de se entregar ao que se sente! Talvez por isso que a espontaneidade da criança seja algo que nos encanta com tanta facilidade...

Mas como todas as outras fases que vivenciamos e assim como tudo o que é bom, essas fantasias precisam chegar ao fim, precisam ir e dar espaço para uma vida mais realista e enfim, concreta. Afinal, apenas fantasiar, não nos ajuda muito a estar no mundo dos adultos, cheio de responsabilidades, cobranças e seriedades!

Enfim, saímos da magia para a seriedade do dia a dia, e infelizmente nossos olhos passam a enxergar apenas aquilo que se mostra como fato... Perdemos a sensibilidade de olhar o que a alma é capaz de nos mostrar, ou ao menos deixamos de dar vazão a essa sensibilidade!

Atemos-nos a olhar o mundo de forma realista... E quem sabe, realista até demais! O risco que corremos com toda essa cachoeira de realidade, é perder a capacidade de sonhar, de acreditar, de imaginar e talvez até de se entregar a tudo isso.

E será que não podemos arriscar a dizer que de fato foi isso que o pequeno príncipe veio nos ensinar? A continuar a viver sim num mundo de regras, responsabilidades e deveres, mas também a se permitir sonhar no meio do cumprimento de tantos protocolos! A amadurecer sim com as experiências que acumulamos, mas também a lembrarmos que sentir em quaisquer dessas circunstancias não custa nada!!

Quem dera então manter o ar de criança, das fantasias que nos levam a sonhar e a desejar, a inocência de apenas querer ser feliz, e claro a sensibilidade para não se perder o que de fato é invisível aos olhos!! APENAS O ESSENCIAL!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Em busca da perfeição ou vivendo a imperfeição?

Buscamos e almejamos tantas coisas que julgamos importantes! Entre elas, não é incomum notarmos o quanto se procura pelo príncipe ou princesa encantada, pelo trabalho ideal, por uma família harmônica, por adquirir todo o conhecimento da moda, por manter os comportamentos que se esperam de nós... Enfim, por sermos, termos e mostrarmos sempre o melhor, o completo o totalmente perfeito!

Quando pergunto a meus clientes o que esperam alcançar, as respostas UMA VIDA ESTRUTURADA, e ESTABILIDADE aparecem com certa freqüência. Mas afinal, qual é o significado dessa resposta? O que vem a ser uma vida estruturada? E estabilidade, o quanto precisamos e almejamos mesmo isso?

Uma vida estruturada parece-me com algo perfeito mesmo! Com a busca de algo que nunca se abale e que não se desequilibre nunca, que sempre esteja da maneira como planejamos e como acreditamos ser o melhor.

Vejo a estabilidade como uma balança, daquelas utilizadas a anos atrás para se saber o peso dos alimentos que eram vendidos. Nela, só havia equilíbrio quando havia a mesma quantidade de coisas dos dois lados da balança, e se um deles diminuísse ou aumentasse, desestruturava toda a balança. Assim é a estabilidade, constante, repetitiva, sem qualquer resquício de mudança para não alterar o “peso” das coisas.

Talvez isso seja uma boa definição de perfeição, acrescentando ainda a possibilidade de nunca fracassar, de sempre manter o controle de tudo, de ser impecável em todos os comportamentos e claro, sentimentos que sejam pertinentes a tudo isso.

A única pergunta que ainda me resta... Será que estamos falando de seres humanos? Sim, pois para atingir tais padrões de perfeição não podemos estar falando de pessoas que sentem, que se relacionam, que se dedicam ao que fazem. Estamos possivelmente colocando padrões alcançáveis por máquinas humanas, que nunca olham pra si mesmo e para suas reais necessidades.

Pessoas oscilam, gostam e desgostam, sonham, fantasiam, amam e se entregam a tudo aquilo que acreditam que valha a pena! Pessoas também se decepcionam, se frustram, desistem dos sonhos, optam pela razão deixando de lado o coração, acreditam em si mesmos mas também são capazes de desacreditar!

Ou seja, pessoas não são perfeitas! Mas dentro de toda essa imperfeição, somos capazes de desenvolver coisas tão maravilhosas, que mesmo diante de toda a imperfeição que nos comete, conseguimos realizar e acreditar, sonhar e mudar de sonhos, amar e nos deixarmos sermos amados, estabelecer relações e acima de tudo, fazer com que tudo isso acabe por dar certo no final!

Talvez então a graça de sermos “gente” seja entender que buscar por padrões de perfeição, por ordem e sucesso em tudo que almejamos, seja uma forma de nos afastarmos de toda a essência que possuímos!

Sentir mais e explicar menos!! Um bom caminho para viver a perfeição mesmo diante de tamanha imperfeição!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Feitos de que??

De que material somos feitos?

De carne e ossos? Músculos, artérias e veias? Órgãos e sangue... Tem que ter algo mais!
Somos feitos de que afinal?

Sentimentos e sensações? Do amor entre duas pessoas ou da obrigação de dar continuidade a vida e a novas gerações? Da criação que recebemos ou da genética que carregamos e passamos para frente?

Dos valores morais e culturais impostos por tudo o que aprendemos, pelo meio que em que estamos inseridos, por todas as regras sociais que nos obrigamos a seguir e a nos punir quando não seguimos a risca?

Oras, mas do que é que somos feitos?

Somos feitos de um material renovável e potente, que agüenta todas as sobrecargas que insistimos em jogar sobre nossos corpos! Um material que suporta grande parte das dificuldades físicas, às vezes até mesmo sem reclamar.

Somo feitos de mudanças e flexibilidade para tal, aprendendo sempre a reciclar o que não nos serve mais e a renovar aquilo que pode nos trazer novas energias.

Somos feitos de sentimentos belos e divinos, que comovem e trazem magia para a vida e para as situações vividas, mas também somos feitos de sentimentos feios e medíocres que insistimos em sentir e que apesar da feiúra, nos lembram que somos humanos e falíveis!

Somos feitos do que aprendemos a demonstrar, a falar, a oferecer ao mundo. No entanto, também somos feitos do que aprendemos a guardar, a reprimir a esconder até do espelho!

Somos feitos de fala e de silêncio... Assim como aprendemos a falar, mas também a calar!

Somos feitos do amor entre duas pessoas, da troca e do prazer que isso é capaz de nos proporcionar! Assim como somos feitos do ódio, da necessidade e da expressão dos impulsos!

Somos feitos do ânimo e da motivação para realizar. E claro, somos feitos do desanimo e da desmotivação que nos ajuda a refletir para renovar ou que pode nos travar e paralisar.

Pensamentos!! Somos feitos de pensamentos, fantasias e planos! Pensamentos que nos ajudam ser ou mesmo não ser, que nos ajudam a experimentar do que podemos ser feitos.

Somos feitos de medo... Medo de errar e sofrer, medo de arriscar, medo de acertar! Medo de amar e de não ser correspondido, medo de se entregar e se arrepender! Às vezes somos feitos do medo de viver... Mas também somos feitos de coragem e ímpeto para arriscar, de impulsos que nos levam a tentar e a superar o que o medo pode travar.

Somos feitos de um monte de erros, que cometemos muitas vezes na tentativa do acerto, mas que cometemos também porque temos a necessidade de corresponder ao que sentimos. Por outro lado somos feitos de um monte de acertos, de construções bem edificadas, de vitorias e de momentos satisfatórios!

Somos feitos de trabalho e do que ele pode contribuir com nosso desenvolvimento! Somos feitos da preguiça e vontade de não fazer nada, bem como da energia e da empolgação para realizar!

Somos feitos de modestos sorrisos, risadas e gargalhadas! Desde aquelas que começam timidamente, até as que nos tomam por completo e contaminam toda a alma com uma alegria súbita. Mas também somos feitos das lágrimas que deixamos cair e de todas aquelas que reprimimos, mesmo com todo o coração tomado por elas.

Somos feitos dos momentos que experimentamos e de um pouquinho de todas as pessoas que de alguma forma passaram por nossas vidas! Também somos feitos da soma de tudo que construímos com tudo aquilo que ainda sonhamos construir...

Somos feitos de gente... E provavelmente, esse seja o único material necessário para descrever do que afinal somos feitos!!

sábado, 13 de novembro de 2010

Acima de tudo, "gente"!

Filhos, pais, amigos! Profissionais, colegas de trabalho, estudantes... Papéis que desempenhamos e que nos ajudam a montar quem de fato somos, com todas as características de nossa personalidade e que determinam e influenciam no nosso jeito de ser com o outro.

Diante de todos esses “personagens”, nos acostumamos a esperar por determinadas posturas dos outros, e até mesmo a nos cobrar disso, como se cada tivesse pré determinado a maneira padrão de agir.

Nos acostumamos, inclusive, a criar padrões prontos para a forma como reagimos ao que nos cerca!

Padrões demais, expectativas demais, regras demais... E onde entra o permitir-se ser apenas gente? Sem todos os papéis e personagens, sem padrão, sem buscar corresponder as expectativas próprias ou alheias?

Pois bem! Estamos tão acostumados a sermos os filhos de alguém, às vezes pais de alguém, amigos de algumas pessoas, funcionários ou lideres de outras tantas, alunos e professores eternos mesmo que seja apenas da vida, que infelizmente a lembrança de que há gente por trás disso tudo acaba passando desapercebido.

É normal ouvirmos o quanto se cria expectativas diante das posições profissionais, tais como: médicos são insensíveis e por isso não sentem ou psicólogo sabe lidar tão bem com a dor que nunca se abala...

Enfim, “coisificamos” as pessoas e as definimos apenas por padrões que nós mesmos criamos em nossas mentes, ou pela atividade profissional que desempenham!

Cada um é único e especial em sua individualidade e diante disso, esperar universalidade de sentimentos e comportamentos é uma tentativa de nos reduzirmos a robôs!

“Médicos não sentem”! Será mesmo? Ou talvez apenas precise aprender a não colocar seus sentimentos acima da objetividade quando tratam das doenças que temos? Será que se, se permitissem se sensibilizar o tempo todo conseguiriam dar conta de proporcionar tratamentos às vezes até mais dolorosos que os próprios sintomas que apresentamos?

“Psicólogo não sofre”! Então também não sente, não vive, não passa por desilusões ou relações que fracassam? Ou ainda acreditamos que lidar com a dor do outro nos torna mestres em lidar com nossas próprias dores?

De todas as formas possíveis, criamos utopias para os papéis que desenrolamos, e com isso também aumentamos a chance de nos frustrarmos na relação com o outro. Afinal, somos acima de tudo gente, independente de profissional, status social, faixa etária ou parentesco!

Gente que ama e se decepciona com o próprio amor, que possui desejos e sonhos, gente que perde e gente que ganha! Gente que se envolve com os próprios sentimentos e que as vezes nem sequer dá conta de lidar com eles! Gente que precisa de gente... Mas acima de tudo e de qualquer coisa, APENAS GENTE!!!

domingo, 24 de outubro de 2010

Mudar... Mas pra que mesmo?

Mudamos de roupa todos os dias, de rotina, de alimentação!! Mudamos de caminhos, de companhias de sonhos e até mesmo de ilusões... Mudamos a visão que temos de nós mesmos, a visão que temos dos outros e a visão que temos do mundo! Mudamos de objetivos e nos adaptamos a todas essas mudanças... Ou não! Mas mesmo não adaptados, as mudanças continuam...

Mudar faz parte de todas as fases da vida, e estamos sempre nesse processo... Mesmo sem termos clareza dele!

Em alguns momentos pedimos a vida que nos traga mudanças, em outros pedimos que as mudanças cessem e que a calmaria se perpetue... No entanto, mudar é da natureza humana.

Bem, mas se é um processo natural e irrevogável, por que falar sobre as mudanças?

Há um ponto muito problemático quando nos referimos a mudanças e que por muitas vezes nem sequer nos damos conta... Temos a forte tendência a enxergar e apontar para a necessidade de mudança no outro, incluindo todos os motivos pelos quais as mudanças são necessárias. Mas e em nós mesmos??

Por que é mais fácil entender a necessidade urgente de mudança no outro para que ele seja feliz, para que se relacione melhor inclusive conosco, para progredir na vida, mas nem sempre temos a facilidade de olhar para o que precisamos modificar em nós?

Talvez a grande dificuldade disso tudo seja entender que mudar tem que ser por si mesmo, e apenas por si mesmo! Mudar para que o outro me ame mais só trará novas formas de frustrações e novos desafios emocionais que nem sempre são compensados pelas relações que as motivaram!

Mudar pelo outro só nos afasta cada vez mais da realidade do que somos, do que queremos, do que fazemos com nossas emoções!

Ok... Mudar apenas por si mesmo é um primeiro passo para entender como se cuidar. Mas e por que os outros não mudam quando nos é tão claro a necessidade que isso ocorra?

Oras, convenhamos... Se eu não devo mudar pelo outro, mas sim apenas e exclusivamente por mim mesma, por que é que o outro deve mudar por mim, para satisfazer minhas necessidades egocêntricas?

Não deve!! Apesar de exigirmos isso das pessoas e acreditarmos que somos capazes de promover essas tais mudanças, ninguém muda a não ser que seja por si mesmo!

Olhar para si mesmo como agente provedor de mudanças alheias nada mais é que buscar cuidar mais do outro que de si mesmo, causando ainda mais “buracos” na relação consigo próprio. É duvidar da capacidade alheia para decidir e escolher o que pode ser melhor.

Além disso, seria prepotência demais entendermos que podemos cuidar ou saber o que outras pessoas precisam mais do que elas podem saber.

A vida é feita de escolhas constantes, e uma delas é o momento em que queremos procurar por mudanças ou nos acomdar no que já estamos adaptados.

Nas dificuldades de relacionamentos, temos a tendência a acreditar que os conflitos surgem porque o companheiro ou companheira precisa mudar alguns comportamentos para que tudo fique bem. E na maioria das vezes, nem nos damos conta que queremos essas mudanças apenas pelo controle da relação, e não para de fato agregar mais prazer no relacionamento.

Assim é com filhos, com pais, com amigos, com colegas de trabalho, com companheiros de vida... Mudar o outro sempre em função de satisfazer a si mesmo!

Como já foi dito aqui, as mudanças são mesmo inevitáveis... Elas acontecem porque as procuramos, ou às vezes simplesmente porque nos atropelam.

Mas se conseguirmos entender que mudar a si já é um grande passo e que querer que o outro mude nada mais é do que fuga de suas próprias questões, talvez assim nos relacionemos de maneira mais leve, curtindo quem está a nosso lado como realmente ele se mostra, sem ser uma extensão de nossas emoções ou sem ser a realização de nossos desejos mais mimados!

Então é isso... Se for pra mudar, que seja apenas por si mesmo!!! Senão, mudar pra que??

sábado, 2 de outubro de 2010

Previsibilidade...

A quantidade de horas que temos em um dia, o tempo em que freqüentamos a escola, a quantidade de calorias que somos capazes de ingerir em uma refeição, quanto tempo suportamos passar sem beber água, qual a melhor opção de roupa para se usar no dia seguinte focando-se exclusivamente na previsão do tempo, quantos filhos vamos querer ter, a carreira que queremos investir... Enfim, somos capazes de prever uma quantidade imensa de situação pelas quais iremos certamente passar!

O tempo é concreto e exato, mas, no entanto o que sentimos em toda essa concretude previsível está longe de ser passível de certezas. Podemos até programar, imaginar, fantasiar, sonhar com o que buscamos viver e sentir, mas ainda assim, sem nenhuma garantia de viver o que esperamos!
Conhecemos bem os estágios da vida, as fases do desenvolvimento e até os desejos e conflitos que podem nos acometer em cada uma dessas fases. Mas em momento algum podemos de fato saber ou prever o que sentiremos em todas essas etapas, em cada circunstancia que vivemos.

E parece-me que está justamente aí a graça de viver: A total imprevisibilidade do ser humano!!

Evoluímos tanto com todas as ciências a ponto de ser possível contextualizar o desenvolvimento do ser humano e de se entender quais os efeitos disso ao longo do tempo. Contudo, nem todos esses dados são suficientes para determinar por onde caminhará nosso desenvolvimento emocional.

Há tantas formas de se experimentar o amor, de se experimentar a saudade, de notar o ciúme ou a raiva e até de se controlar ou não o ódio. Toda a diversidade que podemos encontrar na maneira de se sentir, já é o bastante para entendermos que também somos tão diversificados para expressar e por isso totalmente imprevisíveis.

Cada historia que vivemos, por mais que se envolvam os mesmos sentimentos, nos trazem sensações distintas, pois estão ligadas a momentos distintos de vida e às vezes até mesmo com pessoas distintas!

Uma amizade, por exemplo, por mais que se busque demonstrar afeto para duas pessoas da mesma forma, cada uma recebe de um jeito, pois acabamos por expressar de maneiras diferentes! Isso mostra que há muitas faces de um mesmo nós... E que podemos nos doar e nos relacionar com o mesmo sentimento criativamente e sempre renovando!

Renovar e criar implica obrigatoriamente em mudanças... O que fatalmente não envolve previsibilidade!

Somos seres inconstantes! Nossas atitudes fluem de tal modo que apenas agimos, sem premeditações freqüentes, sem reflexões acerca de tudo que nos rodeia e que sentimos. Apenas agimos! Da maneira que damos conta e que sentimos necessidade...

Buscar por previsibilidade é buscar por se enquadrar em circunstâncias que às vezes nem sequer nos cabem. É como ter que vestir todos os dias a mesma roupa, passar pelos mesmos lugares, comer a mesma comida... Essa realidade não nos basta!

Somos feitos de mudanças e ansiamos por elas! Por isso, a cada uma delas, reagimos de maneira natural e espontânea... Como o sentimento precisa que seja.

Ouvir um eu te amo esperado, não tem a mesma graça que ouvir um eu te amo emitido no momento da surpresa! É a total imprevisibilidade que faz com que a emoção seja mais intensa...

Receber um elogio quando se espera por ele é bom, mas sem duvida alguma, recebê-lo num momento no qual não se imaginava que o mesmo viria, torna a sensação insuperável!

Reencontros imprevisíveis também são bons!!! Trazem um ar de saudade consigo, ativam uma memória antes adormecida, ao contrario dos reencontros com hora marcada que estruturam até mesmo quais as lembranças vamos trabalhar na mente.

Enfim, a todo o momento podemos ser surpreendidos por nós mesmos, pois não estamos preparados para todas as formas de comportamento que somos capazes de emitir. Ainda nos iludimos acreditando que conhecemos tudo sobre nós mesmos, e nisso sem duvida mora a esperança de que tudo seja previsível sempre, planejado, organizado e enfim, controlado!

Que chato seria se mativessemos o controle sobre tudo, sempre! Sem alterações, sem surpresas, sem emoções que surgem no susto...

O imprevisível pode trazer bons resultados, desde que estejamos dispostos a aceita-lo como parte de nós mesmos!!

sábado, 25 de setembro de 2010

Encontrar-se consigo mesmo...

Parece mais fácil para a maioria das pessoas encontrar e entender os defeitos, as dificuldades e os pontos fracos dos outros do que os seus próprios!

Isso pode trazer a impressão de que o outro seja transparente aos nossos olhos, simples, livre de qualquer tipo de complexidade! Essa é a magia de olhar para o outro...

Nesse momento nos tornamos craques em desenrolar os problemas alheios, com uma facilidade assustadora de identificar onde as falhas aparecem e o quanto o outro tem a capacidade de aumentar e dramatizar o tamanho do que sente!

Que fácil não é?? Que simples ser o outro e viver o problema do outro!

Mas na pratica, onde isso nos leva? Provavelmente a lugar nenhum...

Se conseguirmos olhar pro lado e entender que todos os problemas alheios podem ser solucionados, é porque não nos envolvemos emocionalmente com eles, olhamos com a razão, nos isentando totalmente de sentimento para buscar caminhos.

Olhamos com os olhos de juízes, que analisam, julgam, condenam e emitem a sentença ou a absolvição para todos os momentos de crise.

Olhamos com olhos de quem desafia as emoções, de quem acredita que por mais doloroso que algo possa ser, há sempre que se enfrentar!

E aqui entra a grande diferença do olhar voltado para o outro e do sentir-se a si mesmo... Pois enquanto olhamos com olhos julgadores e olhos da razão, sentimos como seres humanos capazes de se sensibilizar e de se comover com a própria dor. Sentimos com compreensão!

Olhar para a própria dor requer respeito a si mesmo, requer avaliar-se constantemente, tendo sempre a noção do que damos conta, do que estamos dispostos a encarar!

Em determinados momentos da vida, é fácil se perder de si, pois os problemas e os conflitos que acumulamos colaboram para o desenvolvimento de armaduras tão resistentes, e que ilusoriamente nos ajudam a enfrentar as dores e os grandes desafios. Mas apenas ilusoriamente!! Os problemas apenas se escondem por de trás de tamanha resistência!

Driblamos os olhares alheios quanto ao tamanho de nossas dores, mas infelizmente também usamos armaduras e máscaras conosco! Acabamos até sem perceber, nos afastando do que de fato somos, de nossos desejos, de nossos sonhos...

Encontrar-se na verdade é um processo de resgate! De redescobrir aquilo que em algum momento já soou como natural e transparente, mas que deixamos se perder no tempo, em meio a conflitos e dores.

É o permitir-se descobrir novos e velhos gostos, o que de fato dá prazer, o que agrada e o que queremos para nossas vidas!

Encontrar-se envolve aceitação incondicional e isso torna esse processo um pouco mais doloroso. Afinal, descobrir-se feliz, encontrar o que dá prazer, o que nos faz sentir alegria e quais as pessoas que nos agradam pode ser um processo delicioso e indolor. No entanto, descobrir-se também envolve lembrar que temos sentimentos tidos como “feios”, que sentimos raiva, ciúmes e inveja até quando os negamos a nós mesmos, que não gostamos de todas as pessoas de nosso convívio e que ser contrariado é mesmo algo perturbador e irritante.

Encontrar-se é estar disposto a aceitar todas as coisas boas que vem à tona, mas também aprender a lidar com os conflitos e com o lado negativo que pode nos assombrar às vezes!

É estar disposto a entender que mau humor não é algo que acontece só com o chefe e que ainda assim podemos continuar sendo pessoas legais mesmo nesses dias! É entender que da somos tão capazes de sermos amados como somos capazes de despertar ódio, na mesma pessoa, em momentos diferentes.

Encontrar-se consigo mesmo não precisa ser algo revestido de medo e de assombros... Mas para isso precisamos nos lembrar constantemente que somos “gente”, que temos o direito de sentir a mais ampla gama de sentimentos, de errar e de acertar, de nos perder e ainda assim nos encontramos de novo!

Não acredito que possa haver nada dentro de nós mesmos que seja tão ruim a ponto de não darmos conta de encarar!! E pra piorar, as fantasias do que somos, o que sentimos e o que somos capazes podem ser de fato bem piores que a realidade!

Assim, só resta experimentar... Esse encontro pode levar a experiências saborosas e a entender que dá pra ser mais feliz, dá pra levar a vida de forma bem mais leve sem armaduras, máscaras e esconderijos!

Cabe a cada um descobrir o momento de marcar esse encontro, pois de alguma forma, por mais que tentemos fugir, esse encontro sempre acontece!!

sábado, 18 de setembro de 2010

Relações que adoecem... Relações que curam!!

“Uma andorinha só não faz verão...” De todas as formas possíveis que podemos entender essa frase, uma delas é a necessidade humana de estar com o outro, da intensificação de nossa produtividade quando estamos nos relacionando.

Somos feitos de relacionamentos, de contato, de troca. A todo o momento nos vinculamos e estabelecemos laços afetivos das maneiras mais diversificadas possíveis.

Há uma frase de Martin Buber que descreve o quanto social nós podemos ser e o quanto podemos nos encontrar na relação com o outro. Ele diz: “O homem se torna EU na relação com o TU”, ou seja, é no encontro com o outro que de fato encontramos a nós mesmos!

Estabelecemos em outras pessoas pontos de referência para sermos quem somos, para nos desenvolvermos, para nos estruturarmos!

Sobre esse aspecto podemos entender então o que somos, quem somos, como somos e por que somos de determinadas maneiras, através dos contatos que estabelecemos e das relações que mantemos.

Durante o processo do relacionar-se, somos impactados pelas atitudes alheias, da mesma forma que impactamos com nossos comportamentos. Experimentamos sensações, trocamos experiências, buscamos dar e receber afeto, sentimos prazer e percebemos que com as relações podemos nos tornar pessoas mais felizes e realizadas.

No entanto, também descobrimos que nem sempre recebemos afeto da maneira como gostaríamos, assim como não oferecemos o tempo todo o que o outro gostaria de receber... Experimentamos frustrações, e percebemos que entender o que se passa com o outro ou o que espera de nós nem sempre é uma tarefa bem sucedida!

E isso traz à tona a idéia de que da mesma forma que as relações podem ser prazerosas, também podem ser insatisfatórias!

Relações que curam... Ou relações que adoecem!!! Construção, desconstrução!!!

Sensações tão distintas e conseqüências tão opostas para o mesmo processo... O relacionar-se!
Há sem duvida alguma um imenso poder através dos relacionamentos, o poder de oferecer força, de oferecer motivação, de trazer sentimentos de empolgação e de estruturação para enfrentar os desafios. Além, claro, dos sentimentos suscitados pelas relações saudáveis de alegria. São as relações que curam...

Mas também há o imenso poder de desestruturar o ser humano quando envolto em relacionamentos que suscitam desânimo, impotência, incapacidade. E essas com certeza são as relações que adoecem...

As relações que curam são gostosas de se viver, e na maioria das vezes nem paramos para pensar sobre elas, pois acontecem dentro do natural, apenas vivemos e nos sentimos bem com isso. Já as relações que adoecem, podem acarretar um desgaste emocional tão intenso que dificilmente se atravessa um momento desses sem reflexão!

Afinal, o que contribui para o adoecimento das relações?

Claro que se somos seres únicos e totalmente exclusivos, não há uma única forma de isso acontecer, além do que, apesar de nos envolvermos em muitas relações diferentes, com cada um nos damos de formas igualmente diferentes.

No entanto, é possível entender que alguns dos motivos de adoecimento podem ser a necessidade de corresponder mais as expectativas alheias do que as próprias, abrindo mão de si mesmo e de seus ideais. Viver pensando no que o outro pode esperar, pode nos transformar em seres modelados, que perdem a naturalidade e a espontaneidade na expressão do que sentimos.

Da mesma forma, podemos adoecer as relações quando esperamos que o outro agisse não como ele mesmo, mas como uma extensão de nós, pensando como pensamos, desejando o que desejamos, sendo como somos... É o lado mimado de todo ser humano, que procura ser satisfeito em todas as suas necessidades, entregando nas mãos de outrem as possibilidades de felicidade, mas dentro dos seus próprios parâmetros!

Talvez um ponto importante para reflexão seja a idéia de que por si só, nenhuma relação é capaz nem de adoecer, nem de curar... São apenas relações, apenas encontros, apenas momentos de troca! Não que o apenas represente pouca coisa, até porque o que é simples costuma ser o mais difícil de se concretizar, pois justamente por sua simplicidade, buscamos complicar...

São os nossos atos, os nossos sentimentos, a forma como lidamos com tudo que está dentro e fora de nós e o que esperamos receber das relações que mantemos que viabiliza tanto a cura, quanto a doença...

O encontro com o outro continua sendo apenas o encontro!! Adoecer ou curar... depende apenas sob qual perspectiva vamos nos lançar em cada contato...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Totais e absolutos...

Mente ou corpo, razão ou emoção, físico ou psicológico!!

Quantas e quantas vezes ouvimos essas divisões e nos pegamos em alguns momentos até mesmo a utilizá-las como forma de explicação para muitas atitudes e sensações que temos.

A idéia de que somos seres subdivididos não me atrai. Não entendo como possibilidade viável explicarmos as questões humanas separando-as e catalogando-as dessa forma, como se pudéssemos determinar até onde vai o físico e a partir de que momento começou a entrar no estado emocional!

Em cada instante que vivemos, somos apenas pessoas sentindo, pensando, agindo! Se adoecermos, independente de que parte de seu organismo encontra-se em defasagem, adoeceremos como um todo. Se nos sentimos bem, todo o ser se sente bem, e isso não depende de que parte da pessoa produziu esse bem estar!

Vejo o ser humano com uma visão de totalidade, de união e não de cisão!

Se quem manda em nossas atitudes tende a ser as nossas emoções ou se o que determina como agimos provém de nossa vida racional, não faz diferença, pois se somos mais dominados pelo lado racional, ainda assim continuamos tendo emoções, sensações, sentimentos... Se formos dominados pelas emoções e nos deixamos influenciar por elas, tão pouco fará diferença, pois em algum momento agimos com razão, com cognição, com lógica!

Temos ambos os lados agindo em nossa vida independente de qual deles é mais intenso e de fácil utilização para cada um. É fato que costumamos desenvolver mais um ponto que o outro, mas isso não significa que o que nos influencia é apenas um ou outro.

SOMOS SERES TOTAIS, únicos, exclusivos! Não há dois de cada um de nós, e por conta disso também não haverá vidas que utilizem a razão ou a emoção exatamente da mesma maneira.

Se, no estudo de saúde e doença, formos capazes de olhar para as pessoas como um todo, a busca pelo restabelecimento da vida saudável torna-se algo mais completo e duradouro, pois estaremos olhando para todos os aspectos da vida que são capazes de causar o adoecer. A mente é capaz de adoecer, o corpo é capaz de adoecer, as emoções são capazes de adoecer...

Até onde vai a mente, onde se inicia o corpo e como dominar as emoções?

Integrar!! Totalizar!! Substituir o OU pelo E, e ao invés de olhar para um corpo doente OU uma mente perturbada, olharemos para um corpo com capacidades para manter-se sadio E uma mente com capacidades para restabelecer-se.

Mas claro que ser um ser integrado no mundo em que vivemos não é um processo simples, pois somos requisitados e envolvidos em processos que tendem a nos levar a suprimir as emoções a todo o momento, como se elas fossem às responsáveis por nossos problemas, pela perda de foco.

Somos sim seres sentimentais, mas que pensam e agem de acordo com isso!

Quando cindimos nossa razão e nossa emoção nos tornamos pessoas quebradas, pela metade, impossibilitadas de usarmos todas as capacidades que temos. Olhar para nossas emoções é lembrar que temos necessidades, desejos, sonhos, interesses que nem sempre a razão pode explicar. Porém, não utilizar a razão em nossos processos cotidianos e até mesmo em nossos relacionamentos, é viver uma vida de fantasias, de sonhos que nem sempre podem ser atingidos.

Integrar essas duas visões nos possibilita traçar caminhos da vida concreta, mas sem abrir mão dos sentimentos que nos motivam!

Então, que seja assim!!! Que o corpo seja capaz de expressar nossas emoções da maneira mais explicita que se pode imaginar, que nossa razão nos leve a entender cada vez mais que sentimos e que precisamos continuar sentindo! Que essa integração possa ser natural e assim nos tornaremos absolutamente totais!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Verdade ou ponto de vista...

O que seriam verdades?

Segundo o dicionário, verdade refere-se à realidade, a exatidão, a concepção clara de uma realidade. Mas será que somos capazes de definir tudo que vivemos e percebemos como verdades?

Talvez esse conceito seja simples de se entender quando nos referimos a objetos, a situações concretas e alheias a nossos interesses emocionais. Mas e onde entram as verdades absolutas quando nos referimos aos relacionamentos que mantemos?

O quanto podemos julgar, avaliar e interpretar se o que sentimos se refere a verdade do outro?

Sabemos o quanto e como nos sentimos, e o que cada circunstancia é capaz de despertar em nossos corações. Mas isso não nos torna possuidores de verdades totais, pois esses sentimentos despertos são indivisíveis, único e exclusivamente nossos!

E o que o outro sente? Não é também uma verdade para ele?

Noto que nos relacionamentos sempre se pode perceber três verdades, sendo elas a verdade de cada um e a verdade de ambos. Ou seja, quando estamos diante do outro, muitas coisas podem ser apenas individuais e dependerem do ponto de vista de quem sente e percebe.

Ora, se somos capazes de perceber a realidade de diversas formas diferentes, de acordo com as experiências que já acumulamos, de acordo com o que sentimos no momento, de acordo com o que esperamos para cada circunstância, por que seria diferente com o que percebemos dos sentimentos que desenvolvemos e os sentimentos que o outro nos apresenta?

Acredito que este seja o grande desafio de cada relação que estabelecemos: aprender a estar junto sem buscar a sua verdade absoluta, sem acreditar que tudo que se sente tem que ser universal ou ao menos compartilhado pelas duas pessoas da relação. Esperamos muito que o outro sinta o que sentimos e que o outro seja capaz de entender o que demonstramos. Mas esse é apenas um lado dessa verdade!

É preciso disposição e abertura para se entender que ambos os lados da verdade podem ser bons se estivermos dispostos a dividi-la.

Ampliar a percepção é um gigantesco exercício que, por mais dificuldades que possamos encontrar, nos ajuda a entender e aceitar o ponto de vista de outro, independente de nossa verdade!

É aprender a ir até o outro, sem ter que abrir mão de si mesmo, aprender a estar na relação sem necessariamente ter que se vender a ela, mas sem buscar impor suas próprias percepções.

Libertar-se da visão de verdades absolutas no que diz respeito ao estar com o outro, nos ajuda a aprender a exercer o respeito, sem descuidar de si mesmo, e sem buscar ver-se refletido no olhar e nas atitudes alheias!

sábado, 28 de agosto de 2010

"Dar conta..."

Vivemos no mundo onde todos precisam “dar conta” de tudo o tempo todo. Somos cobrados por isso e quando isso não acontece pelo mundo externo, acontece pelo mundo interno.

Cobramos-nos de dar conta de trabalhar, estudar, cuidar das obrigações domésticas, de filhos quando os temos, de manter as contas pagas em dia, e se possível ainda manter um bom relacionamento afetivo.

Mas não para por aqui! Também nos cobramos de dar conta de todas as cobranças que aparecerem no caminho!

Ou seja... São coisas demais para dar conta e tempo de menos para investir em uma estrutura que funcione pra tudo isso. Cobranças excessivas, nossas e do mundo todo, e pequenos retornos para todo esse empenho!

É mais facil administrar as dores alheias, aceitar que damos conta de conviver com a tristeza de quem nos rodeia e até mesmo de ajudar a mudar esse quadro, do que lidar com a propria tristeza, com os proprios conflitos...

Até mesmo com sentimentos bons... Pode ser mais facil dar conta de produzir felicidade nos outros do que produzir momentos de realização para si mesmo!

O mais sério disso tudo, é que investimos para dar conta de tudo que o mundo nos pede, de todas as responsabilidades sociais e profissionais que a sociedade estabelece como adequadas. Esforçamos-nos para dar conta de manter as pessoas ao nosso redor vivendo bem, sendo apoio e suporte nos momentos em que assim o desejarem. Dedicamo-nos para sermos sempre corretos e assim agirmos sempre dando conta de tudo aquilo que esperam de nós! Investimos tempo e dedicação para dar conta das expectativas alheias e ajudar a concretizar sonhos e metas. Enfim, buscamos dar conta de tudo que o mundo nos impõe...

Só que infelizmente o mundo não exige de nós que demos conta de nossos próprios sentimentos!

Deixamo-nos em segundo plano e ainda com a certeza de que é assim que se deve viver. Afinal, ouvimos que fazendo pelo outro, sendo bom para alguém, de certo a recompensa um dia virá!! É a sociedade do fazer o bem, sem olhar a quem...

Não nos acostumamos a olhar para isso e quando o fazemos pode surgir à sensação de egoísmo. Afinal, com tantas coisas sérias e até impactantes para todos, como nos atrevemos a tentar dar conta de coisas que só pertencem a uma única pessoa??

Desculpem-me os que acreditam que dar conta do outro seja mais importante que dar conta de si mesmo... Mas eu discordo veementemente!

Ninguém é capaz de dar aquilo que não tem... Se não formos capazes de dar conta de nossas questões, tão pouco seremos capazes de dar conta das alheias!!

Mas e por onde começar a dar conta?? Afinal, se estamos tão acostumados a tomar conhecimento das dores e dificuldades alheias, com freqüência nem sequer notamos as nossas...

Começar por aceitar a idéia de se olhar mais, se cuidar mais, se preocupar mais com tudo aquilo que queremos dar conta e que habita em nós mesmos, de certo já oferecerá muito material para ótimas reflexões e elaborações! A partir daí, cada um que determine e escolha como dar conta de si mesmo...

Claro que não acredito que o ser humano pode ser olhado com generalizações... e nem eu quero colocar dessa forma. Assim, também há quem se sinta capaz de dar conta apenas de si e nunca de suportar o que vem do outro...

Não vejo diferença na forma de lidar com isso... Apenas caminhar na direção contrária, aprendendo a dar conta de si mesmo, sem se abandonar, mas aprendendo simultaneamente a conviver com o suporte ao outro.

Equilíbrio!! Que venha com toda a força e que possa gerar relações cada vez mais saudáveis, seja consigo mesmo, seja com as pessoas ao nosso redor!!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Se pudesse viver minha vida novamente...

Tantas experiências vividas, tantos momentos guardados, sentimentos experimentados, pessoas que marcam... A cada instante vivido estamos construindo uma história, e a mais importante de todas as que já puderam ser escritas: A NOSSA HISTÓRIA!

Mas, e se pudesse viver essa vida novamente? O que faria com essa possibilidade?

Talvez a primeira reação ao se pensar nesse questionamento seja o de reescrever alguns pontos dessa história que incomodaram, que doem quando os retomamos na memória, que deixaram algumas feridas nem sempre cicatrizadas. Ou ainda modificaríamos alguns momentos nos quais cometemos falhas e erros, nos quais possamos ter machucado alguém ao nosso redor ou mesmo a nós mesmos...

E quanto às decisões? Voltaríamos atrás das decisões tomadas, ou manteríamos as mesmas convicções e idéias?

E quanto aos relacionamentos vividos? Será que pode haver arrependimento pelos envolvimentos que mantivemos, ou será que o arrependimento é por não ter experimentado todas as relações que poderíamos?

Enfim... “Se eu pudesse viver minha vida novamente”!!!

Fica evidente o quanto pode haver muitos pontos aos quais gostaríamos de uma segunda chance para modificá-los se o tempo voltasse. Mas e os momentos que apenas nos daria prazer revivê-los de tão bom que foram?

E quanto às decisões que nos colocaram em pontos satisfatórios na vida, ou diante de pessoas que nos são importantes? E as relações que vivemos que são gratificantes e que agregaram momentos de felicidade e com eles boas recordações?

E quanto às pessoas que nos ensinaram e nos ajudaram a crescer e a construir grande parte do que somos hoje? O quanto nos pode ser precioso reviver esses momentos e reencontrar com essas lembranças tão significativas na construção de cada uma de nossas peculiaridades?

Temos a tendência a dar mais valor ao que não deu certo ou ao que deixou fortes marcas doloridas em nossas vidas, do que a dar valor ao que nos foi produtivo e proporcionou felicidade!

Pensar sobre SE EU PUDESSE VIVER MINHA VIDA NOVAMENTE, pode ser uma boa forma de envolver-se consigo mesmo e com sua historia, apropriando-se de cada momento experimentado, cada sentimento dividido, cada experiência que trouxe consigo situações e pessoas únicas! Afinal, somos os protagonistas dessa história escrita, e não apenas coadjuvantes vivendo ao léu, seguindo decisões e direcionamentos alheios.

Pode ser uma boa forma de olhar para trás tendo consciência de que sim, gostaríamos que algumas coisas tivessem sido diferentes, mas que não o foram e que a historia aconteceu exatamente como precisávamos que acontecesse...

Pode ser uma maneira de entender que com base no que vivemos e no que experimentamos, temos forças de modificar o hoje, de se apropriar de nossas capacidades para construir o daqui pra frente, com todas as marcas boas e ruins que carregamos, mas também com as forças que se acumularam por essas mesmas marcas.

Ouvimos muito dizer que aprendemos pelo amor ou pela dor... Discordo!

Enquanto estamos vivendo a fase do amor, nos encantamos com tudo ao nosso redor e com o que acontece dentro de nós mesmos... Não resta tempo para reunir forças e aprendizados para nos estruturarmos para os momentos de dor. Há tempo apenas para viver o amor!!

Aprendemos pela dor! Pois é nesse momento que lutamos para buscar forças, é nesse momento que nos surpreendemos com o quanto somos capazes de superação e de crescimento.

Talvez, o ponto importante dessa reflexão seja que se pudéssemos viver nossa vida novamente restasse apenas o propósito de aproveitar com mais intensidade cada experiência acumulada... Nada mais que isso!!!!

Agora que tal escrever o seu proprio texto? Comece assim:
"SE EU PUDESSE VIVER MINHA VIDA NOVAMENTE..." Boa sorte!


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Vida a dois...

Dividir espaço, dividir problemas, dividir momentos sejam eles bons ou ruins... Dividir as refeições e talvez até a televisão... Dividir os amigos, os familiares e em alguns momentos até o colo da mãe!

Dividir o principal, o que há de mais forte em toda a vida e que nos leva a querer sempre dividir mais e mais... Dividir os sentimentos!


Viver a dois significa dividir para somar, pois dependendo do que dividimos, estamos somando dentro da relação.

Viver a dois significa aprender a respeitar os limites e as fragilidades do outro, entendendo que sempre é possível superá-las. Também é aprender a respeitar os próprios limites e a aceitar as próprias fragilidades, sem medo de mostrá-las ao outro.

Viver a dois implica em sensibilidade para notar o que há por trás do sorriso, ou por trás das lágrimas, dando espaço para que todos os sentimentos possam aparecer mesmo sem usar as palavras.

Viver a dois também carece de individualidade, para que não passemos a ser apenas uma extensão do outro, um reflexo do que o outro é capaz de ser e de mostrar. É aceitar que viver a dois também implica em tirar alguns momentos para a tão necessária solidão, para curtir a si mesmo e para aprender mais de si mesmo.

Em alguns momentos, viver a dois traz a tona o quanto precisamos estar sempre aprendendo para estar com o outro de uma maneira leve... Sem esperar que o outro pense da mesma forma como pensamos, sem esperar que o outro sinta a mesma coisa que sentimos!

Fantasiamos a vida dividida de tal maneira que tudo fica parecendo um conto de fadas! A vida não é um conto de fadas, é realidade, com tantos sentimentos quanto podemos sentir, com tantas oscilações quanto damos conta de produzir. No entanto isso não significa que não seja boa ou até melhor que as estórias que fantasiamos.

As pessoas não são estáticas ou estáveis, e isso implica em mudanças constantes. Se as pessoas estão em constantes mudanças, o que nos faz pensar que as relações que mantemos também não vão fazer parte dessas mudanças?

Viver a dois é reconhecer que nós mudamos, e na maioria das vezes pra melhor. Pensando assim, o outro é capaz de mudar pra melhor tanto quanto nós.

Viver a dois então é estar aberto para encarar as mudanças com as quais podemos nos deparar e adaptar-se a elas. É poder de renovação e reorganização de sentimentos continuamente.

Vivemos num momento no qual nunca houve tantos processos de separação, divórcio e anulação de casamentos. Isso é a prova de que as pessoas não estão aptas a dividir e que a ficar com as fantasias é a melhor opção para satisfazer-se? Não!

É fato que nunca vivemos tantos processos de fim de relacionamento, mas por outro lado, nunca se viveu tantas reconstruções. Hoje vemos que as pessoas se casam, se separam e rapidamente reconstroem novas relações que levam novamente ao namoro ou matrimônio.

O namoro já leva a viver a vida a dois, a dividir todos os pontos mencionados acima, mesmo que não se concretize o matrimônio.

Relacionar-se estreitamente com alguém, desenvolver intimidade, querer dividir, não está ligado a nível, intensidade ou nomenclatura que damos a relação. Querer dividir e sentir todas essas sensações e possibilidades dependem apenas de estar aberto, de deixar-se envolver pelo outro e de desejar fazer parte da vida de alguém.

Levar a vida a dois, seja cada um em sua casa, seja dividindo também o ambiente físico e as contas domésticas, sempre leva a novas possibilidades de aprender a doar-se e de receber afeto, pois dividir implica tanto em dar quanto em receber.

Aqui, entra a avaliação de cada um do quanto se está disposto a dar e do quanto se está disposto a receber, e assim do quanto se está disposto a dividir! E isso é individual e intransponível...

Então, boa reflexão!

sábado, 7 de agosto de 2010

Diagnósticos

Nomes, explicações, sintomas catalogados e detalhados para um entendimento do que se possa sentir.

Parece que o mundo vive em função das explicações lógicas e da capacidade de oferecermos possíveis nomes a tudo que possamos ter, sentir, experimentar.

Há tempos atrás, o que nos levava a uma consulta médica ou a procurar uma ajuda especialidade dentro da área da saúde era apenas o mal estar e a sensação de não estar controlando o próprio corpo, com dores, com incômodos, com sintomas, independente do nome que isso pudesse carregar. As pessoas chegavam ao médico, ao psicólogo, ao fisioterapeuta, ao dentista ou a qualquer outro profissional com a esperança que eles oferecessem uma solução ao que as acometia.

Mudança radical de comportamento!

Hoje as pessoas se apegam aos nomes e não as sensações, aos remédios e não aos tratamentos. É como se os diagnósticos ganhassem uma importância intensamente maior que a própria dor em si ou que o ser humano que o detém.

Talvez isso seja um indicio de que precisamos tomar cuidado com os conhecimentos que adquirimos para que não se torne prejudicial ao ser humano, pois quanto mais se toma conhecimento das possíveis doenças, mais se utiliza disso no dia a dia, apossando-se dos rótulos.

Rótulos sim! Noto que as doenças hoje transformaram-se em rótulos, em formas de classificarmos as pessoas. Uma vez com depressão, toda vez que aquela pessoa for vista chorando ou tristes, carregará consigo novamente a marca de que está doente.

Buscamos explicar demais situações vividas pelos outros, como se todas as pessoas que passassem por uma perda afetiva tivessem que entrar em depressão, ou todas as pessoas que passam pelo período de preparação ao vestibular tivesses transtornos de ansiedade e todas as crianças que ganham um irmãozinho obrigatoriamente desenvolvessem um ciúmes assustador e talvez até patológico.

Da mesma forma que justificamos os momentos vividos pelas pessoas ao nosso redor, também julgamos em alguns momentos como se o outro tivesse uma vida boa demais para estar com aquele rotulo. Já ouvi diversas vezes as pessoas dizerem que não entendem porque alguém teve depressão, já que tinha tudo na vida, e uma vida muito boa.

Claro que o nome pode e é importante para nortear o tratamento, mas essa importância não deve ser maior que a necessidade de olhar para o ser humano como um todo.

Se nem todo mundo que saboreia um sorvete se vê resfriado, se nem todo mundo que tem contato com alguém com catapora contrai a doença, por que temos que buscar essa explicação de causa e efeito para as dores emocionais?

Se ao invés de nos apegarmos aos possíveis nomes para o que sentimos, nos apegássemos à possibilidade de cuidar de nós mesmos com mais carinho, passaríamos a ter pessoas com a possibilidade de diagnósticos, e não diagnósticos que andam, falam e se comunicam!

Utilizar-se dos nomes para entender mais de si mesmo é uma forma saudável de aproveitar os nomes que recebemos, mas sem apego a patologias. Quando ouço alguém dizendo “minha depressão”, “minha síndrome do pânico”, “minhas crises de ansiedade”, “minha enxaqueca”, “minha gastrite”, em geral me preocupo com o quanto as pessoas estão dispostas a se livrar do que possuem, pois o pronome MEU, carrega consigo peso e vínculo.

Acho que se for para tomar posse de alguma coisa, que seja para o bem estar, para a saúde, para a descoberta de si mesmo com qualidade de vida. Ouvir alguém dizer MINHA VIDA SAUDÁVEL, soa muito melhor e combina muito mais com o que somos capazes de buscar e de manter em nossas vidas.

Assim, que os diagnósticos possam ser apenas a ponte para os tratamentos, para a melhoria de vida. E que carreguem consigo a idéia do momentâneo, da circunstancia vivida, mas superada, sem vincular com a necessidade de recidivas, pois se afirmamos o tempo todo que cada momento de vida é único, por que acreditar que os diagnósticos são eternos?

domingo, 1 de agosto de 2010

Desejos...

Desejamos tantas coisas em alguns momentos... Em outros, não desejamos nada!

Um novo emprego, estar bem, amigos novos, manter os amigos de longa data, dar e receber afeto, ganhar mais, gastar menos, um estado emocional equilibrado, acordar mais tarde, ganhar um abraço no momento de carência, saborear um chocolate, beber menos café, se entregar mais, comer menos, um olhar atencioso, esperar menos, uma bronca na hora certa, encontrar o príncipe encantado ou a princesa dos contos de fadas, ter filhos, mais romantismo, enfim... Desejos!

São tantos os desejos possíveis! Um ponto em comum entre todos eles é a vontade que existe por trás de cada desejo, vontade de realização, vontade de satisfação!

A vontade de realização impulsiona! Motiva! Oferece energia para que possamos correr atrás do que os desejos nos pedem. Mesmo que os desejos se modifiquem, nunca é perder tempo ou desanimador correr atrás de realizar os desejos despertos.

Quando desejamos algo, nos envolvemos com nossos sentimentos. Determinamos-nos e criamos expectativas de conquistas.

Desejar é sentir-se vivo, ativo e pronto para enfrentar a vida! Quem nada deseja, nada movimenta, nada busca e por isso nada acontece!

Não desejar nada pode mostrar que está faltando brilho na vida, talvez o que antes era forte tornou-se fraco e que os sonhos precisam ser revisados para continuarem sempre atuais.

Não desejar significa se entregar apenas a burocracia de viver!

Viver pode ser muito mais que resolver problemas e seguir regras, sejam elas estabelecidas pela família, pela sociedade, pelo trabalho ou por si mesmo.

Desejar, almejar, sonhar! Trazer objetivos para si mesmo e com isso buscar sempre conquistar!

Na música Amor pra recomeçar, cantada por Frejat, entendo como pensamento a idéia de que o fundamental é desejar, não apenas por tratar-se de realizações e de conquista de prazer, mas sim por trazer sempre consigo a possibilidade de recomeço, pois em cada desejo novo, uma nova forma de começo, uma nova forma de se realizar.

Desejar continuar desejando é uma ótima forma de se manter vivo! Resta apenas correr atrás de cada realização, e de modificar o rumo dos desejos quando isso se fizer necessário! Mas sempre desejar, sempre recomeçar!



domingo, 25 de julho de 2010

Imaginar... fantasiar!!

Imaginamos muito, fantasiamos demais!

Permitimos que nossos pensamentos caminhem e a rapidez de respostas que esses nos trazem são surpreendente diante da capacidade que temos de realizá-los.

Inventamos, sonhamos, criamos... Possuímos um “mundo imaginário” ao qual cabe tudo aquilo que quisermos que caiba, e nada mais!

Há quem diga que imaginar e fantasiar são coisas diferentes... Entendo que ambas as palavras podem ter muitos significados e que cada um deles nos leve a determinados pontos. No entanto, vou me apegar ao significado em comum que ambas podem carregar consigo, e basear-me na capacidade que temos de criar nos pensamentos, inventar e idealizar...

Imaginar é inevitável. Acordamos imaginando como o dia será, encontramos com as pessoas do cotidiano pensando em como será o convívio e o que nos espera. Quando alguém nos diz que precisa conversar, a primeira coisa que vem a mente é o que pode ser. Ao ouvir uma música, imaginamos cenas que a tornem reais. Ao assistir um filme, nos imaginamos no papel de determinados personagens...

Enfim, a capacidade de imaginar existe desde que a capacidade de pensar também exista!

Imaginar e fantasiar ajudam a entender o que buscamos na vida, o que nos faz feliz. É uma maneira saudável de poder viver algumas coisas que jamais teremos condições e tempo para experimentarmos.

Claro que imaginar e viver exclusivamente nesse mundo imaginário, pode ser extremamente danoso, pois nos tira do mundo concreto, levando a perder o brilho em tudo o que temos de real. É como se só as fantasias fossem boas o suficiente, e a realidade sempre enfadonha e desgastante.

Fantasiar pode ser bom para nortear nossas escolhas, os caminhos que desejamos trilhar. Imaginar pode trazer à consciência o que não estamos dispostos a experimentar, e ao que só queremos nos pensamentos, mas não na vida real. É uma forma de buscarmos mudanças e nos agradarmos com elas!

A vida real impõe limites contínuos, de espaço, de realização, de afeto, de demonstração dos próprios sentimentos, de contato com as pessoas e tantas outras formas de limites. A imaginação rompe essas limitações e nos deixa livres para criar.

Da mesma forma que temos pessoas que mais fantasiam do que vivem, também há quem prefira ser realista e pé no chão do que fantasiar por alguns momentos. São as pessoas que só aceitam aquilo que podem apalpar e aquilo que podem confirmar. O que podem exercer controle é o que satisfaz.

Fantasiar demais pode nos tirar do contato com o mundo. Fantasiar de menos pode nos levar a uma vida mais dura do que é necessário! Quem nunca imagina ou fantasia pode se fechar para novas possibilidades emocionais e se tornar severamente racional.

Tanto radicalismo só pode mesmo é nos tornar mais rígidos do que felizes, pois fantasiar pode nos ajudar a sonhar, a buscar reunir forças para alcançar, a romantizar as relações e com isso nos tornarmos mais afetuosos. Mas só fantasiar também pode nos levar a viver no mundo da Alice no país das maravilhas, muito distante do que podemos ter, e tão infelizes quanto seja possível.

As pessoas são reais e os relacionamentos que mantemos também o são! Os nossos sentimentos são reais, mas também abstratos, e isso nos permite uma dose de imaginação para concretizá-los!

Buscar a harmonia entre fantasiar, imaginar, sonhar e realizar, tornar concreto, experimentar, é o grande desafio de cada um!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Abandono

Somos tão capazes de abandonar quanto somos capazes de cuidar...

Quando nos envolvemos, seja com pessoas, com situações, com emoções ou com idéias, cuidamos com primor e nos dedicamos intensamente. É o efeito da paixão, e não falo apenas do apaixonar-se por alguém, mas sim da sensação de apaixonar-se seja por si mesmo, pelo outro ou por qualquer circunstancia que vivenciemos.

Apaixonar-se faz querer olhar, querer proteger, querer cuidar... É como se o mundo girasse em torno do objeto ao qual direcionamos a paixão. No estado de paixão tudo se torna mágico, tudo se torna perfeito, a vida ganha mais brilho e tudo passa a ter solução.

Apesar de ser lindo, o foco não é a paixão, mas sim a capacidade para cuidar que ela desenvolve.
No entanto também somos capazes de abandonar... É o desistir, o mudar de idéia, de não sentir mais o mesmo interesse pelo cuidado que antes era desenvolvido.

Abandonar é como desapaixonar... O brilho se quebra, a magia se desfaz, as cores perdem a intensidade e a perfeição que antes era tão nítida é substituída pela imperfeição, pelos defeitos.

Quando imaginamos o apaixonar e o desapaixonar, fica em grande evidencia o quanto somos capazes de cuidar e abandonar o outro, quem está próximo a nós...

Mas o que chama a minha atenção é que o abandono pode ocorrer em diversos ramos de nossas vidas... E de todos que eu possa cogitar o mais cruel com o ser humano é o abandono próprio!

Em algumas circunstancias, ou mesmo por ser mais fácil lidar com o outro que consigo mesmo, passamos a olhar mais para tudo que há ao nosso redor, buscando esse cuidado, esse apaixonar-se e o zelo. Nessas circunstancias, olhar para si deixa se ser prioridade, fica em segundo plano diante de todas as questões dos demais.

Talvez seja essa uma das maneiras de se vivenciar o abandono próprio, buscando apenas oferecer o melhor de si mesmo para quem achamos que o mereça.

Mas e nós?? Não merecemos??

Desculpe-me quem respondeu que não, mas sou contraria a essa idéia e como já disse, reforço a idéia de que abandono próprio é a maneira mais dura e cruel de se castigar, de se punir, de se judiar.

Quando entrar em um avião, ouvimos as instruções da aeromoça alertando para o funcionamento da mascara de oxigênio, e se bem me lembro, a primeira instrução que ouvimos quanto a isso é para que primeiro coloquemos a própria mascara caso se faça necessário, e só depois estamos aptos a ajudar quem estiver ao nosso lado. Isso me traz a idéia de quem ninguém é capaz de dar aquilo que não tem.

Se tiramos de nós mesmos para oferecer ao outro, cedo ou tarde nos encontraremos em defasagem com as próprias energias, com o próprio estado emocional.

Também não estou querendo desenvolver o auge do egoísmo, o pensar apenas em si mesmo e o restante do mundo que se exploda... Não!

Equilíbrio é tudo nessa vida. Mais que isso... Harmonia! Pois equilíbrio é algo estático, algo que não varia nunca... Harmonia é algo que apesar dos balanços, está sempre dentro do possível para que se mantenha satisfatório para todos os lados.

Cuidar do outro é muito bom... Mas não pode ser prioridade sobre cuidar de si mesmo. Oferecer ao outro é muito gostoso... Mas também não é mais gostoso do que se sentir oferecendo o seu melhor a você mesmo! Amar o outro é o que traz brilho a vida... Mas sem amar a si mesmo, não é possível acreditar que o amor ao outro possa trazer qualquer satisfação.

Abandonar-se é como esquecer-se de tomar banho... É como desistir de alimentar-se... Pois, se estamos ainda ligados ao que vivemos jamais nos esquecemos dessas duas atividades tão importantes para o bem estar. Então por que se esquecer de cuidar do próprio estado emocional?

Esperar do outro aquilo que deve vir de si mesmo é um imenso engano. Pode até ser que venha do outro, mas esperar por isso é uma forma de colocar a felicidade nas mãos alheias.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sentir medo ou medo de sentir...

Ter medo! Se permitir ter medo!

O medo é um sentimento ao qual gastamos uma enorme quantidade de energia tentando fugir, tentando negar, tentando não sentir.

Somos capazes de sentir medo de tudo e de nada... De objetos, de situações, de sentimentos! Ah os sentimentos! Aqui moram os medos que mais me atraem e que me fazem querer entender...

Medo de nos envolvermos, medo de nos sentirmos sós, medo de sofrer, medo de amar e não ser correspondido, medo de magoar e de ser magoado, medo de se machucar... E por mais irônico que possa parecer, medo de ser feliz!

Dizem que o medo é uma forma de nos protegermos, de evitarmos nos machucar e de preservação da vida. Pode ser... E de fato vejo essa ligação com o medo. Mas, como classificamos o medo de sentir?

O medo de sentir está alicerçado no medo de sofrer. Somos acostumados a fugir de tudo que nos traga sofrimento, de tudo que ameace se parecer com a dor.

Infelizmente isso nos tira de diversas situações que junto com algum tipo de dor, pode nos trazer muita alegria, prazer, satisfação...

Que pena! Viver envolve riscos, e superar seus medos também...

Entendo o medo como um alerta. Uma forma de termos cuidado conosco, de nos protegermos. Precisamos de proteção, precisamos de cuidado conosco para evitar sofrer. Também é uma forma de cuidarmos dos impactos que causamos nos outros, de cuidarmos do que temos e do que não estamos dispostos a perder. Enfim, o medo serve como um alerta para nos mantermos atentos ao que possuímos e queremos manter.

Sem o medo de perder as pessoas ou de estar só, podemos não valorizar as relações ou as pessoas com as quais convivemos. Sem o medo de perder o emprego, podemos não cuidar de nosso desenvolvimento profissional e trazer o comodismo e desleixo aceso no dia a dia. Enfim, o medo pode sim ser um sintoma saudável para a contínua melhoria e crescimento. Mas claro, desde que não seja numa intensidade que bloqueia ao invés de impulsionar a melhoria.

Sem duvida, é altamente necessário se proteger, mas será que de tudo ao qual sentimos medo? É preciso tomar cuidado para que a proteção não vire fuga, não nos coloque em uma bolha de onde nada nos atinja. E mesmo que eu acreditasse que não ser atingido pela dor fosse algo bom, penso que se a dor não nos pega, a satisfação também não. Por isso mesmo, é um risco!

Quando digo que não acredito que não ser atingido pela dor seja algo bom, me refiro ao quanto precisamos disso para amadurecer, para aprender a lidar com a vida, para descobrirmos nossa força e capacidade para superar.

Lidar com a dor nos torna mais humano, e nos reforça o quanto é bom estar bem, o quanto é gostoso se sentir feliz.

O medo não é o que nos trava e nos paralisa... O que é capaz de causar tais comportamentos são as fantasias que criamos acerca do que tememos e das conseqüências disso em nossas vidas.

Na visão do escritor Rubem Alves, entendo o medo como algo inevitável na vida, mas que também não requer que criemos monstros mais assustadores do que de fato existem:

O medo não é uma perturbação psicológica.
Ele é parte de nossa própria alma.
O que é decisivo é se o medo nos faz rastejar ou se ele nos faz voar.
Quem, por causa do medo, se encolhe e rasteja,vive a morte na própria vida.
Quem, a despeito do medo, toma o risco e voa,triunfa sobre a morte.
Morrerá, quando a morte vier.
Mas só quando ela vier.


domingo, 11 de julho de 2010

Culpa...

Sentimento paralisante! Capaz de transformar situações tão prazerosas e envolventes em momentos desagradáveis e perturbadores.

Quem nunca se sentiu assim? Culpado por pensamentos que julgamos incorretos, culpado por dizer, culpado por não dizer, culpado por agir, culpado por não tomar iniciativa alguma?

Enfim, somos capazes de desenvolver culpa por uma infinita lista de situações e motivos. Desde pensamentos, palavras proferidas, comportamentos...

O ser humano é mestre em se culpar!

O mais assustador do sentimento de culpa, é que mesmo que tenha procedência e de fato sejamos responsáveis de forma negativa pelas conseqüências, nos sentir culpados não ajuda a sair da situação vivida. Pelo contrário, a culpa é capaz de causar estagnação, paralisia.

Desde muito cedo nos envolvemos em situações geradoras desse sentimento, seja por desagradar os pais e deixá-los tristes, ou por não corresponder as expectativas das pessoas ao nosso redor, seja por não alcançar os objetivos almejados, ou pelos sentimentos alheios...
Em qualquer situação vivida, sempre há um culpado, e aqui reside outro sério problema...

Quando não somos culpados, procuramos por alguém que o seja!
Jogar a culpa em alguém é uma forma de livrar-se da responsabilidade, de redimir-se da própria dor e inocentar-se sem ao menos entender o que se sente de verdade.

Procurar por culpados é um habito humano que empobrece muito os relacionamentos. Nos faz temer sentir, nos faz temer agir... Além de nos levar a dar sempre mais peso para as coisas ruins, como se as coisas boas nunca fossem de nossa responsabilidade, mas as ruins certamente foram causadas por alguém!

Entendo que relacionar-se de forma íntima com a culpa, é uma forma severamente inibidora de desenvolver sentimentos. Afinal, se somos capazes de sentir culpa por amar, por sentir ciúmes, por estar feliz enquanto alguém não está, por sentir tristeza num momento no qual se exige alegria, por gostar ou mesmo por não gostar, indiretamente nos leva a entender que sentir é o grande erro...

É preciso retomar a ligação do sentimento de culpa com os conceitos de certo e errado, com a moral a qual nos submetemos. Em geral, a culpa aparece quando no deparamos com a idéia de que estamos agindo de forma incorreta por não beneficiar ao outro.

Independente das noções de certo e errado perante o outro, noto que a culpa leva o ser humano com muita freqüência a abrir mão de si mesmo pelo outro. Estamos tão acostumados com a visão de que precisamos e devemos cuidar de quem está próximo a nós, que aprendemos a desenvolver com tamanha facilidade o cuidar mais do outro do que de si mesmo, e, o único resultado possível disso tudo é o abandono próprio.

Bem, mas então ficamos com a escolha entre culpar-se por agir por si, sentir por si e cuidar de si, ou nos abandonarmos em nome dos sentimentos alheios?

Claro que nem um nem outro... Sentir culpa realmente pode trazer conseqüências cruéis para consigo mesmo, mas abandonar-se também...

A magia está em aprender a se permitir sentir, viver, experimentar e agir sem culpa e sem medo de sentir-se assim, da mesma forma que em alguns momentos também podemos optar por abrir mão de nossos desejos e necessidade pelo outro, desde que não implique em abandono próprio...

Culpa não ajuda em nada... Que tal decretarmos então a semana da libertação da culpa?

“Sentir mais e explicar menos, experimentar mais e racionalizar menos, ousar mais e reprimir menos”! Que culpa sobrevive a isso??


quarta-feira, 7 de julho de 2010

Cuidar e ser cuidado...

Qual papel somos capazes de desempenhar com maior facilidade, o de cuidar, ou de ser cuidado?

Não existe uma resposta certa, pois no geral, nos deparamos com pessoas que cuidam com primor e que se realizam dessa forma, e pessoas que sentem prazer sendo cuidadas!

Um ponto interessante e que chama muito a atenção no que se refere à diversidade humana, é a dificuldade em encontrarmos equilíbrio entre esses dois papéis, assim, em geral, quem cuida especializa-se tanto no desenvolvimento desta característica que acaba por abrir mão, mesmo sem notar, de ser cuidado, de perceber-se. Da mesma forma, quem acostuma-se intensamente ao ser cuidado, tende a não desenvolver habilidades de cuidador, nem tão pouco a sensibilidade para notar o momento adequado para olhar e sentir que precisa de cuidar e olhar para o outro.

Talvez por isso que a grande dificuldade seja entender o equilíbrio entre esses dois papéis.

Cuidar envolve percepção do outro, envolve sensibilidade para notar quando isso se faz necessário, envolve empatia e simplicidade para aprender a respeitar a necessidade alheia sem prepotência, sem superioridade, mas acima de tudo com carinho e afeto. Envolve acima de tudo tato, para que o cuidado não se torne invasivo ou agressivo, pois sem duvida alguma, se tornaria absurdamente destrutivo.

Ser cuidado envolve humildade para aceitar o momento de carência e necessidade, envolve respeito consigo mesmo para não buscar ultrapassar seus próprios limites, também envolve empatia para escolher quem pode ser o “cuidador” e aqui, entram também as capacidades de escolhas afetivas. Ser cuidado requer abrir mais de si até para si mesmo, pois o primeiro passo é reconhecer-se aberto a receber.

Grande dilema da vida... Em que momento cuidar e em que momentos se permitir ser cuidado? Como aprender a abrir mão de si sem se ferir e sem se agredir, e como aprender a pedir para si mesmo aquilo que ao outro sai de maneira tão espontânea, tão clara, tão leve, mas igualmente sem agredir, sem ferir?

Talvez um ponto para diferenciar o momento de cada situação, seja apenas o sentir, sem buscar explicação, sem buscar razão ou ligação de coerência com situações vividas anteriormente.

Sensibilidade! É a única ferramenta capaz de detectar tais circunstâncias, e é o que nos ensina a diferenciar o momento certo de exigir ou de abrir mão. Claro que uma ajuda externa também pode ser bem vinda, pois, um pedido claro que ajuda de alguém a quem dedicamos algum afeto, bem como um alerta dessa mesma pessoa para que nos olhemos e passemos a aceitar a troca, o cuidado em si, sempre pode ser bem vindo.

Entendo que buscar equilibrar esses dois pontos não seja simples de se colocar em prática, pois nos acostumamos a agir com determinados padrões de comportamento que nos levam a seguir verdadeiros rituais, como se fossem a única forma possível de lidar com as relações e com os problemas.

No entanto, também entendo que parar para refletir sobre isso nos ajuda a buscar um pouco mais de harmonia entre esses dois pontos, mesmo que um sempre continue prevalecendo sobre o outro.

As pendências que construímos com esses comportamentos discrepantes, cedo ou tarde nos cobram os abusos que causamos em nós mesmos, e assim, o corpo é altamente capaz de reclamar por seus direitos e nos mostrar quando não nos damos conta, que é o momento de olhar para si e aprender a se deixar cuidar...

Pois bem! Experiências que nos mostrem o quanto dar é importante e o quanto receber é necessário são infinitas ao longo do viver, mas o aprender a equilibrar entre dar e receber pode ser um processo intenso e doloroso!

Se quem é apto a cuidar, se permitir olhar para si às vezes, e se permitir recarregar as baterias abrindo as portas para a entrada do cuidado, bem como se quem é apto a se entregar e a receber cuidado, se permitir estar atento aos momentos necessários para abrir mão de si mesmo e lembrar que se não retribuir o cuidado pode vir a se sentir só em algum momento, os relacionamentos podem basear-se mais em trocas e menos em expectativas.

Quem sabe assim a harmonia não se torne mais nítida e as cobranças externas e internas diminuam!! Só resta experimentar...

domingo, 4 de julho de 2010

Acasos...

Costumo dizer com certa freqüência que nada acontece por acaso em nossas vidas. Percebo que isso é capaz de afetar significativamente a vida das pessoas, a ponto de me pedirem para escrever sobre isso. A principio me senti em duvida sobre como abordar o assunto, pois confesso ser algo que está tão arraigado em mim que parar para elaborar um texto não foi um processo simples. É como fazer café, quase todas as pessoas o fazem, mas quando se pede receita, é necessário pensar a respeito, pois se trata de algo que já se tornou automático.

O texto começou a ser escrito, foi apagado, revisado, escrito novamente e, após diversas reflexões, pude notar que entender os acontecimentos com ligações entre si pode ser sim um processo bastante complexo, justamente por envolver assumir a responsabilidade por diversos acontecimentos.

Noto que o uso da expressão “por acaso”, passou a ser usado como uma desculpa por atitudes, sentimentos e até pensamentos. É como se algumas coisas fossem impossíveis ou proibidas e assim, torna-se menos pesado jogar na conta do acaso, afinal, quem sabe um dia ele paga?!

“Encontrei com uma pessoa que não via há tempos por acaso, estava andando na rua e por acaso achei aquele sapato que eu procurava fazia tanto tempo, comprei um carro e por acaso passei a perceber que ele está em alta utilização, pois há grande quantidade dele na rua, perguntar a uma amiga se por acaso não tem um vestido de festa para emprestar...” E assim podemos ter outras diversas desculpas para as situações rotineiras do acaso, sem a necessidade de assumir a conseqüência desses acontecimentos.

O que deixamos de notar em todas essas situações que consideramos acaso é que nessas diversas situações, o tal acaso é provocado por nós mesmos, já que podemos manter o foco em tudo que desejarmos. Enfim, essas situações que consideramos acaso, podem apenas ter sido mal interpretada por nós mesmos, como uma forma rápida e indolor de não precisar encontrar relação de causalidade entre as situações.

Nas definições do dicionário encontramos que acaso são acontecimentos incertos e imprevisíveis, que dependem do destino e de sorte. Sendo assim, a vida toda seria considerada um acaso, pois tudo o que vivemos é incerto e imprevisível dependendo exclusivamente de como direcionamos nossas atitudes e sentimentos, somados a receptividade do outro e de como nos responde.

Somos sim responsáveis por nossas atitudes e pelas energias que liberamos com ela! Encontrar com aquela pessoa que tanto lhe faz falta, que há muito não é possível, mas que vem fazendo parte de seus pensamentos, não pode ser simples acaso, mas sim troca de pensamentos e trazer pra si aquilo que tanto procura, mesmo que sem plena consciência desses atos.

Temos um forte poder de atrair para nossa vida aquilo que focamos. Também temos uma facilidade muito intensa de olhar para aquilo que nos atrai que parece que tudo conspira para tal circunstancia. No entanto, não acredito que podemos entender que o mundo conspira contra ou a favor, pois seria egocentrismo demais de nossa parte acreditar que o “mundo” se volta para si mesmo para lhe trazer o que quer ou necessita.

Ao contrario disso, entendo que despendemos tanta energia e concentração ao que buscamos que isso se torna cada vez mais evidente.

Assim também avalio os relacionamentos que mantemos... As pessoas não entram em nossas vidas por nada, e quando chegam, costumam trazer consigo mesmas muitas experiências para dividir e ensinar.

No consultório isso torna-se muito nítido. Tive um professor que dizia que cada psicólogo recebe o cliente que merece, e descobri que ele certamente tem razão! Aprendemos muito com cada caso que recebemos se nos dermos abertura para que isso aconteça, e não é raro notarmos que muitas vezes recebemos casos que envolvem sentimentos que também precisamos aprender a lidar e a elaborar.

Lembro-me de uma amiga psicóloga que enquanto enfrentava seu próprio processo de separação, começou a receber apenas casos que envolviam ou o fim de relacionamentos, ou a busca por resgatá-los antes que viessem ao fim. Hoje, certamente ela entende que isso não se deu por conta do acaso, mas sim para aperfeiçoar o seu próprio processo de autoconhecimento, enquanto se ocupava em ser a ajuda que os demais buscavam. Afinal, o primeiro ouvido que escuta, é o de quem diz!!

Falar sobre acasos e circunstancias que a vida nos traz me empolga e muito, mas também entendo que por envolver a necessidade de reflexão, só me resta deixar a pergunta para que cada um busque suas respostas... Sem duvida ainda é um tema que requer muitos textos, muitos pensamentos e muitas trocas... mas por ora, acho que basta a oportunidade para pensar.

Quais acasos em sua vida de fato foram significativos? E será que conseguiu aprender com eles?

Boa reflexão...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Aprender sempre...

Entendo que um dos maiores ensinamentos que a vida tem a nos propor, é estarmos dispostos a aprender mesmo quando sofremos...

Aprender quando tudo dá certo é facil... Dificil mesmo é aprender a tirar proveito quando estamos sofrendo, ou quando vivemos momentos de frustrações e conflitos!

O velho ditado :"Ou aprende pelo amor, ou aprende pela dor", não é totalmente verdade. Pois, quando estamos no momento do amor, no momento no qual tudo caminha conforme nossos planos e as experiências apenas surpreendem, vivemos num estado tal de euforia e satisfação que dificilmente olhamos para o quanto essa realidade pode nos ensinar.

No entanto, quando sofremos, quando nos machucamos, quando choramos, não resta outra opção a não ser olhar para o que se viveu e tentar tirar proveito disso, de forma que na próxima experiência nos tornemos mais fortes e preparados!

Nas experiências boas, tudo se volta para que as pessoas se aproximem e sintam um pouco da felicidade vivida. Já nas experiencias difíceis de se elaborar, temos a oportunidade de descobrir quem de fato aguenta estar ao seu lado, não apenas para rir, mas também para enxugar suas lágrimas, para suportar ser apenas um apoio já que tirar a dor do outro é impossível.

Dividir coisas boas é bem fácil, até porque, estar perto de alguém que demonstra alegria pode ser até contagiante. Mas ainda temos medo de nos contagiar pela tristeza, pelos momentos de desilusão, pelo desespero alheio.

Também é apenas nos momentos de dor que temos a capacidade de descobrir o quanto somos fortes, o quanto aguentamos sentir e o quanto na verdade não somos feitos de cristal... Mas mesmo que fossemos fácil de se quebrar, aquelas poucas pessoas que mostram te suportar na dor, certamente ajudariam a colar os cacos...

O grande desafio está em aproveitar os momentos alegres para recompor-se, para fortificar-se de energia e de experiências, para que quando os momentos tristes se aproximarem, tenhamos a capacidade de aceitá-los com dignidade, com força e com a paciência necessária para que eles sejam apenas aprendizado e mais fortalecimento.

Acredito que um dos grandes saldos positivos que a dor nos deixa, é poder reconhecer com quem estamos dispostos a dividir, a quem estamos dispostos a nos abrir. Pois aprendemos ao longo do tempo, que quem não suporta suas lágrimas, jamais será um bom companheiro para suas gargalhadas!!

E com tudo isso, aprender... Sempre que possível e sempre que disponivel!

sábado, 26 de junho de 2010

Tratamentos, sintomas, doenças... Terapias!

Estamos acostumados a associar “tratamento” com “doenças” e “sintomas”. Assim, se temos um sintoma, é porque provavelmente estamos doentes e precisamos de tratamento!

Nisso, a maioria de nós é mestre em entender que um sintoma é sinal de algo errado, sinal de que é hora de cuidar da saúde e que os tais sintomas são uma maneira de ouvir o corpo dizendo: “Ei, acorda! É preciso olhar pra mim e lembrar que aqui dentro pode não estar tudo bem”!

Conversa interessante essa do corpo, mas claro que nem sempre é necessário darmos ouvido aos sintomas que o tal corpo usa como grito, pois alguns deles desaparecem da mesma forma que aparecem... Sem que tenhamos que tomar nenhuma providência ou se lotar de consultas médicas especializadas e remédios.

Mas também temos sintomas tão importantes, que de fato nos servem de alerta para entender que é mesmo hora de parar e ouvir os sinais corporais exalados através deles.

Bem, estou associando então os sintomas como um pedido de socorro do organismo para que cuidemos da saúde. Mas claro que também podemos ter sintomas que nem sempre são relacionados ao estado físico, ao orgânico, ao corpo.

O corpo também é capaz de ser porta voz das emoções que sentimos. É um caminho intenso de expressão e por isso também somos capazes de produzir sintomas corporais por questões emocionais vivenciadas.

Tive um professor que acreditava que cada ser humano “escolhe” um ponto de seu corpo para ser o seu grande porta-voz, assim, encontramos pessoas que se utilizam até sem perceber da cabeça como a forma de expressar que as emoções não estão sendo cuidadas, e assim representa em forma de enxaqueca, do estomago como prova das situações de estresse que não foram levadas em consideração, reproduzindo como gastrite, da garganta com inflamações constantes que em geral podem ser derivadas do constante hábito por não falar o que precisa e assim por diante.

Não sou nem um pouco defensora das generalizações, e por isso descarto a idéia de que todo sintoma, como os de enxaqueca, por exemplo, esteja ligado aos mesmos conflitos emocionais. Mas entendo sim que é um sintoma importante e que sua ligação com a vida afetiva é nítida e evidente. Cabe a cada um que sente buscar descobrir-se através de seus sintomas e de suas somatizações.

Neste ponto entramos no assunto tratamentos, e aqui, sempre há uma complicação. Ainda nota-se que em geral é mais comum a aceitação por tratamentos medicamentosos e medicinais em comparação aos tratamentos emocionais e afetivos. Quando surge um sintoma ao qual temos plena convicção de que não há fundo orgânico, encontramos a resistência a admitir-se instável nesse momento. É como se as pessoas torcessem para que o remedinho indicado por aquele médico de confiança fosse fazer toda a parte que cabe apenas a cada indivíduo.

Longe de mim a intenção de menosprezar a necessidade dos tratamentos médicos. Quero apenas ressaltar a importância de nos cuidarmos de maneira geral, de todos os aspectos e formas possíveis. Assim, se o estado emocional é um ponto de extrema importância para todo ser humano, e se somado a isso, é altamente capaz de produzir não apenas sintomas, mas também ajudar a agravar outras patologias, por que ainda há resistência em tratá-lo, em olhar para isso como mais um ponto da vida, sem preconceitos, sem resistência, sem medo?

É possível notar que essa resistência aparece muitas vezes relacionada a dificuldade de pedir ajuda, como se admitir que é necessário se cuidar fosse uma declaração de fracasso ou de incompetência. É como assumir fragilidade!

Penso justamente ao contrario. Fracos são os que não se dão ao direito de se sentirem melhores, e que, mesmo reconhecendo o quanto podem estar infelizes e adoentados, optam por permanecer nesse estágio, simplesmente pelo medo do que os outros hão de pensar se levantar a bandeira do “eu quero ajuda”.

Ora, convenhamos! O que pode ser associado mais facilmente à fraqueza: O ímpeto em se conhecer melhor, em se cuidar, em buscar uma vida mais saudável com qualidade de vida, apoderando-se de si mesmo e de suas capacidades, ou conformar-se com sensações de insatisfação e desconhecimento de si mesmo, correndo o risco de envolver-se constantemente com emoções distorcidas, mas por fim, mantendo aparências de pessoa bem resolvida e feliz?

Cada um que opte pelo seu caminho!!!


terça-feira, 22 de junho de 2010

Como chegamos ao outro...

Ver, tocar, cheirar, ouvir, saborear! Sentir!!

Cada um dos nossos sentidos é responsável por diversas formas de sentir e de experimentar o mundo, as pessoas, as coisas, as situações.

Apesar de quase sempre podermos experimentar com todos eles, as escolhas aqui também imperam e às vezes até mesmo sem notar optamos por desenvolver mais acentuadamente um desses sentidos.

Até aqui, não estou contando nenhuma novidade. O que me intriga e me faz pensar nesse assunto, é o quanto nos damos conta de qual sentido é mais desenvolvido em nós.

Temos pessoas que precisam do toque para se sentir com o outro, temos pessoas que ouvem muito, e por isso cada palavra é como se fosse uma revelação no relacionamento. Algumas pessoas possuem o olfato tão acentuadamente desenvolvido que o cheiro das pessoas é marcante e fala da personalidade delas, já outras pessoas que beijam e que encontram nos lábios a melhor forma de contato com o mundo. Por fim, mas não menos importantes têm pessoas que se utilizam do olhar como maneira de penetrar no mundo.

Seja qual a forma de se aproximar e de se manter em contato, os sentidos falam por si só, e deixam suas marcas não apenas em quem os desenvolve, mas também em quem recebe cada forma de relação.

Com base nisso, podemos entender que para cada um, os sentidos possuem significados diversificados, e somos sempre capazes de oferecer alguns sentidos inovadores.

Quando me dei conta disso, passei a observar qual o meu sentido mais aguçado, e pude perceber com clareza que apesar de depender da receptividade do outro para se aproximar através dos sentidos, ainda assim, sempre damos preferência a um deles. Assim, quem necessita do toque para conhecer e se sentir conhecido, precisa aprender a desenvolver o respeito para que possa tocar sem agredir. Da mesma maneira, alguns olhares podem ser tão penetrantes e íntimos que se não vierem carregados de respeito podem se tornar ofensivos e até invasivos.

Tudo depende da intenção da aproximação e claro, da receptividade que encontramos!
Vejo de maneira muito bela poder desenvolver demonstração de afeto de maneiras tão diversificadas. Claro que o cuidado com a percepção faz parte do uso dos sentidos, pois é ela quem norteia os caminhos a se seguir e quem nos dá indícios se a aproximação é bem vinda ou invasiva. E não me refiro aqui apenas a relacionamentos amorosos, pelo contrario, pois nesses, a aproximação se torna tão objetiva que nem sempre desenvolvemos a percepção de como isso se dá.

É nas relações do cotidiano que nos mostramos e que percebemos nossa forma de lidar com o mundo. Tive um cliente que me dizia com muita freqüência que minhas sobrancelhas expressavam a ele muito mais que minhas palavras, e que costumava se nortear pelo que expressava através delas. Outro que possuía o toque muito desenvolvido costumava me dar abraços bastante afetuosos quando chegava para a sessão, mas não os mantinha na saída pois não sabia lidar com as despedidas. Uma terceira pessoa ainda, me relatava com freqüência que a fragrância do meu consultório caminhava com ela ao longo de toda a semana, e que a ajudava a
pensar em suas emoções.

E assim vamos encontrando ao longo de cada caminhada que não há regras para se lidar com o afeto, e que os expressos por meios ocultos (como a expressão corporal e o uso dos sentidos) podem ser até mais ricos que a utilização das palavras.

Agora pense em você... Como se aproxima das pessoas, e qual sentido percebe possuir como seu cartão de visita?